Li Wen até achou que estava sonhando, não conseguia acreditar.
Treinadores conviviam com cães, entendiam gestos, mas não conversavam.
Li Wen imaginou que Letícia interpretava gestos.
Comparado com Li Wen, César estava calmo, já vira a habilidade.
"Se os maracujás são reais, abra um." A voz firme de César quebrou o clima.
O homem de barriga tentou impedir. "Oficial, não pode! São para lojas. Se abrir, vão pensar que comi."
O homem falou alto, atraindo curiosos.
César, acostumado, olhou frio. "Tranquilo. Se não houver problema, pagamos o dobro e damos comprovante."
"Li Wen, abra."
Com a ordem, o homem calou-se.
Qilin, saindo dos braços de Letícia, pegou um maracujá e deu a Li Wen.
Li Wen pegou a faca, cortou o maracujá. No meio, sentiu resistência.
Seu olhar ficou sério. Olhou para César, depois partiu o maracujá com as mãos.
Uma corrente de ouro caiu. "Capitão César, é ouro."
"Abra os outros." A expressão de César escureceu.
Li Wen abriu a caixa toda. Em cada maracujá, uma peça de ouro: correntes, pulseiras, braceletes. Os maiores, em barras.
O homem de barriga, vendo, tentou fugir.
César, percebendo, colocou algemas. "Levem para a delegacia."
Assim que o homem foi levado, Qilin pulou no contêiner.
Au au!
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Os maracujás não têm maracujá, só coisas brilhantes.
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Ao ouvir, César olhou para Letícia.
Antes que perguntasse, Letícia traduziu: "Qilin diz que os maracujás têm ouro."
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Exato!
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César olhou para Li Wen, que subiu e verificou.
"Provavelmente, é o ouro roubado de Yunnan. Douglas, ligue para a polícia de lá." César pegou uma corrente, viu o número.
Três meses atrás, houve um roubo a uma joalheria em Yunnan, que chocou a todos.
A polícia prendeu muitos, mas o ouro sumira.
Yunnan alertou todas as delegacias, com os números.
Em três meses, nada. Agora, tentavam transportar.
"Oficial César, é aquele caso?" Letícia lembrava.
Yunnan e a joalheria ofereceram recompensa.
"Exato. Senhorita Letícia, nos ajudou muito." César sorriu levemente.
"Não ajudei muito." Letícia não queria o crédito, só traduziu.
Para César, sem a tradução, o ouro passaria.
"Não seja modesta. Pedirei a recompensa para você. Yunnan também dará. Não é muito, mas é algo." César colocou a caixa na viatura.
A clínica precisava de dinheiro, mas com a ajuda do irmão, não tanto. "Não precisa."
"Não recuse, merece." César foi firme.
Letícia não insistiu.
Nesse momento, Li Wen e Qilin se aproximaram. "Capitão César, foi descuido meu, quase os deixei passar."
Au au!
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Não dá para ensinar. Como fui parar com um tão burro?
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Nem falo. Sempre acha que o Au Au atrapalha.
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'
Da outra vez, o Au Au sentiu cheiro de morte no freezer, você disse que o Au Au queria carne. O nariz do Au Au é bom ou o seu?
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Qilin, encontrando alguém que entendia, reclamou.
Li Wen, vendo os latidos, perguntou: "Senhorita Letícia, o Qilin está me xingando?"
Letícia olhou para os dois. "Não exatamente. Ele acha difícil trabalhar com você. E disse que uma vez sentiu cheiro de morte, mas você o repreendeu."
César olhou severamente. "Cheiro de morte?"
Li Wen, confuso, se defendeu. "Qilin vai a cenas de crime, sente cheiros. Quando ele sentiu..."
Parou, lembrando.
"É verdade! Uma vez, Qilin ficou farejando o freezer de uma testemunha. Pensei que quisesse carne, ralhei."
"Depois, acharam uma pulseira de ouro da vítima lá."
Li Wen baixou a cabeça.
Au au!
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Ainda diz que não culpou o Au Au.
'
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Devia ter sido cão de terapia.
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Letícia agachou-se, acariciou as orelhas caídas de Qilin. "Querido, como cão de terapia se arrependeria mais. Melhor ficar com o Oficial Li."
Era a primeira vez que via um cão policial tão desapontado com o treinador.