O rajado e o tricolor passaram pela multidão, foram até a barraca de frituras da vovó e miaram.
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Vovó, o homem mau com faca está vindo. Tome cuidado.
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A vovó não entendia, pensou que os gatos estavam com fome. Pegou uma salsicha. "Com fome? Comam."
"Depois vão embora, a vovó está trabalhando. Quando acabar, dá mais."
Os gatos não comeram, se esfregaram mais em suas pernas.
"O que há hoje? Nem salsicha querem. Querem carne?" A vovó ia fritar.
Antes que jogasse, Letícia impediu. "Os gatos não estão com fome. Vieram avisar do perigo."
A vovó olhou surpresa.
"Trabalho aqui todo dia, que perigo?" A vovó questionou.
"Os gatos viram alguém com faca na manga, vindo para cá. Vieram avisar." Letícia explicou.
A vovó olhou desconfiada.
A moça não parecia mentir, mas era difícil acreditar.
O rajado, percebendo que Letícia entendia, pulou em seus braços. Letícia acariciou seu queixo. "Vocês viram como era a pessoa?"
Em meio à multidão, sem descrição, seria difícil.
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Homem mau de boné, roupa cinza.
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Estudos mostram que gatos veem poucas cores.
Além do boné, a cor não ajudava.
Mas nessa hora, muitos usavam boné.
Miau!
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O Miau viu!
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O tricolor correu para o supermercado. Na entrada, um segurança o pegou. "De quem é o gato?"
Letícia e a vovó correram. A vovó pegou o gato. "É meu."
O segurança devolveu. "Cuidado, animais não entram."
"Sim, sim." A vovó segurou o gato, se desculpando.
Mas o gato miou agitado.
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O homem mau entrou!
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Letícia olhou para o segurança. "Espere! Um homem com faca entrou."
"Moça, não fale bobagem. Não deixamos armas. O detector teria apitado. Entrou gente, não apitou. Deve ter visto errado."
O segurança não acreditou.
"Os gatos viram a faca na manga. Talvez entrou tanta gente que o detector não pegou."
Letícia, com o gato nos braços, tentou explicar.
A vovó, inicialmente cética, começou a duvidar.
"Nossa veterinária conversa com animais. Os gatos viram. Verifiquem, por segurança." Fábio apoiou.
Após vários incidentes, ele acreditava.
O segurança ficou impaciente. "Assistiu TV demais? Conversa com animais?"
"Moça, pare de perturbar, senão chamo reforço."
Ele pegou o rádio.
Letícia, cansada, entregou o gato à vovó e entrou no supermercado.
Fábio a seguiu.
Assim que entraram, viram um homem de boné e moletom cinza tirando uma faca da manga e apontando para uma caixa. "Passe todo o dinheiro!"
A caixa ficou pálida, a mão tremia.
Os clientes recuaram.
"Vou pegar." A voz da caixa tremia, a mão foi para a gaveta.
O homem, distraído, não viu Letícia pegar uma lata na prateleira e jogar em seu braço.
Com um baque, a faca caiu. O homem gritou.
Letícia respirou aliviada.
Ainda bem que o arremesso de infância não foi esquecido.
"Irmã Leti, incrível! Treinou?" Fábio fez sinal de positivo.
Letícia concordou. "Mais ou menos."
Os seguranças que chegaram imobilizaram o homem.
O segurança que impedira Letícia se aproximou, envergonhado. "Moça, desculpe o mal-entendido."
"Obrigado por ajudar." Ele baixou a cabeça.
Antes não acreditara, até foi rude. Se não fosse por ela, perderia o emprego.
"Sem problemas. O detector da entrada deve estar com defeito." Letícia mudou de assunto.
O segurança concordou. "Já mandamos consertar."
Assim que imobilizaram o homem, César chegou com a equipe.
O segurança entregou o assaltante.
César foi até Letícia, examinou-a. Vendo que não se machucou, relaxou. "Senhorita Letícia, da próxima vez chame a polícia. Não se envolva, pode ser perigoso."
"Entendi. Da próxima vez, tento não me envolver." Letícia achou o homem familiar, mas não lembrava onde vira.