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A burra, toda noite, quando o passarinho dorme, vem roubar as penas. O passarinho vai ficar pelado.
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Arruína a beleza do passarinho.
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Os ovos que a burra bota não são do passarinho, por que rouba as penas? O passarinho parece um tolo?
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A arara, parecendo ter encontrado uma alma gêmea, reclamava sem parar.
Os outros, confusos, olhavam. Não entendiam, mas sentiam que a arara tinha queixas.
Fábio, trabalhando com Letícia há mais tempo, perguntou curioso: "Irmã Leti, o que a arara está dizendo?"
"A arara diz que os ovos da calopsita não são dela, e ainda roubam suas penas. Ela se sente uma tola." Letícia resumiu.
Fábio e Zhao Ke lutaram para não rir.
A calopsita atrás não pôde evitar de comentar.
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O passarinho rouba porque suas penas são bonitas. O passarinho não rouba dos outros.
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Ao ouvir, a arara quase desmaiou, seu corpo tremendo.
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O passarinho vai embora hoje.
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A Srta. Li, vendo, ficou nervosa. "Veterinária Letícia, o que há? Tem problema?"
"Nada grave. Só irritada com a calopsita. Aliás, hoje separem a arara da calopsita. E deixem alguém de guarda. A arara disse que vai fugir." Letícia avisou.
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Exato! Dêem uma gaiola só para o passarinho. O passarinho não quer ficar com a burra.
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A Srta. Li, lenta, perguntou: "Por que fugiria?"
"Qualquer pássaro ficaria deprimido se roubassem suas penas. Esta arara é paciente, nem deprimiu nem brigou. Só quer uma gaiola separada."
"Imagine: você dormindo, alguém puxa seu cabelo. Ficaria brava." Letícia deu um exemplo.
A Srta. Li entendeu. "Certo. Mando limpar uma sala extra. A arara dorme sozinha."
Indo embora, a Srta. Li olhou para trás, confusa.
Por que obedeceu tão facilmente?
Letícia acariciou a pena espetada da arara. "Pronto. Vão te dar uma gaiola só. Agora não precisa fugir. Lá fora é perigoso, caçadores podem te pegar."
Ao ser elogiada, a arara ficou presunçosa, erguendo a cauda e a cabeça.
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O passarinho pensa.
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Se a burra não roubar, o passarinho não foge.
Realmente, uma arara presunçosa.
Letícia tirou os grãos do bolso e colocou na mão. "Comam."
Piu!
Ao ver a comida, a calopsita voou direto para Letícia.
Antes que provasse, a arara bateu a asa nela. A calopsita caiu da cerca. Ainda bem que reagiu rápido, batendo as asas.
A calopsita deu uma volta e voltou, tentando se aproximar.
Vendo isso, a arara esticou uma pata, bloqueando.
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Burra, fique longe! Não roube a comida que a humana deu!
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Como se o passarinho se importasse.
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A calopsita respondeu, mas se aproximou.
"Não briguem, tem para todos." Letícia colocou os grãos nas tigelas.
A área não tinha tigelas para visitantes, para que alimentassem com a mão. As aves vinham comer, dando uma experiência próxima.
"Senhorita Letícia, ajudamos." Zhao Ke e Fábio pegaram os grãos.
Imitando Letícia, estenderam as mãos, querendo a experiência.
Estenderam por um tempo, nenhuma ave veio.
Os papagaios e calopsitas foram todos para Letícia.
A arara, com seu tamanho, empurrou os outros.
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Burros, saiam! Não roubem a humana cheirosa!
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Uma calopsita, desequilibrada, quase caiu. Letícia a pegou a tempo.
Ufa!
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Por pouco.
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Quase acabou com o passarinho.
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"Calma, não briguem. Tem para todos." Letícia acalmou as aves.
Antes de vir, temeu que a comida fosse pouca. Comprou a mais. Quem diria que brigariam.
A calopsita, hesitante, voou para o braço de Letícia. Vendo que não reagia, foi para o ombro.
As outras aves, vendo, voaram para Letícia, até no cabelo.
Fábio e Zhao Ke, com as mãos cheias, se entreolharam.
Viram Letícia comprar. A comida era a mesma. Por que os animais só iam para ela?
Se não fosse comida de pássaro, tentariam provar.
A Srta. Li, voltando, viu Letícia coberta de aves, enquanto os outros estavam sozinhos. "O que aconteceu? Papagaios não atacam."
"Veterinária Letícia, precisa de ajuda?"
"Não precisa, pode cuidar do seu trabalho." Letícia recusou.
Os animais não tinham más intenções, só queriam carinho.
Srta. Li: ...
Os animais que ela cuidava estavam em Letícia. Não tinha muito o que fazer.
Letícia pegou um periquito que tentava subir, mas escorregou. "Cuidado."
Colocou-o na cerca, deu os grãos.
"Posso perguntar uma coisa?" Letícia alimentava, observando os "enfeites" nela.
A arara, com seu tamanho, ocupou o outro ombro.
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Pergunte. O que o passarinho souber, conta. O que não souber, também conta.
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Letícia riu.
Mas não esqueceu o motivo de estar ali.