"Se viemos perguntar aos animais das aves, não podemos vir de mãos vazias. Compro com meu dinheiro, é uma gentileza." Letícia gostava de reciprocidade, mesmo com animais.
Não podiam ajudar de graça.
Zhao Ke ficou sem palavras.
Assim que entraram, uma funcionária de rabo de cavalo se aproximou. "Zhao, não está na área dos flamingos? O que faz aqui?"
"Srta. Li, ouviu sobre o ataque? Descobrimos que foi porque o filhote sumiu. Como as áreas são próximas, vim dar uma olhada." Zhao Ke explicou.
A Srta. Li olhou desconfiada. "Suspeita que alguém daqui roubou?"
Zhao Ke, vendo o mal-entendido, disse: "Não é isso. Já vimos as câmeras, foi um funcionário da nossa área."
"O filhote não saiu. Suspeitamos que escondeu em alguma área. Como a sua é a mais próxima, viemos ver."
A Srta. Li, com as mãos nos bolsos: "Não deve estar aqui. Verificamos todo dia ao abrir e fechar. Se outro animal entrasse, perceberíamos."
"E à noite, alguém fica de guarda?" Letícia perguntou.
A Srta. Li olhou para Letícia. Zhao Ke explicou: "Esta é a veterinária Letícia. Foi ela que descobriu sobre o filhote."
A Srta. Li balançou a cabeça. "Depois da alimentação, ninguém fica. A maioria mora no alojamento. Se precisar, vêm rápido. Só em casos especiais, como incubação, alguém fica."
"Srta. Li, podemos entrar? Só para conversar com os animais." Letícia pediu.
"Podem." A Srta. Li os levou.
Diferente da área dos flamingos, a das aves tinha muitas espécies. Para evitar fugas, uma rede cobria toda a área. Os pássaros podiam pousar nela.
Mais adiante, a área interna.
Ao meio-dia, o calor afastava visitantes e animais. Todos estavam na área com ar-condicionado.
Havia principalmente papagaios e calopsitas.
A mais rara era a área separada para grous-siberianos, espécie ameaçada.
Os grous eram a atração principal.
Papagaios empoleirados em varas, com a cabeça sob a asa, dormindo. Letícia parou em frente a uma arara. "Olá."
A arara era vermelha, com penas azuis e douradas nas asas. Ao ouvir, abriu os olhos. "Olá."
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Humana burra.
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Papagaios são mais inteligentes que outras aves. Bem treinados, aprendem a falar. Os mais espertos aprendem muito.
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Pássaro burro, fique longe.
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Depois de xingar Letícia, a arara deu uma patada em uma calopsita que se aproximou.
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Se esfrega, se esfrega. Todo dia se esfrega. Se continuar, o passarinho fica careca. À noite, ainda arranca as penas do passarinho para o próprio ninho. Tem penas, não arranca as suas, rouba as do passarinho.
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Se roubar de novo, o passarinho foge de casa.
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Ouvindo os pensamentos, Letícia olhou para a tratadora. "Srta. Li, essas aves ficam juntas à noite?"
A Srta. Li, sem entender, respondeu: "Ficam. As calopsitas, para não serem intimidadas, ficam separadas."
"A veterinária percebeu algo?"
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Hmph, protegem as pequenas, e o passarinho? O passarinho fica careca.
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Se a burra continuar roubando, o passarinho fica pelado.
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Letícia tossiu. "Srta. Li, notou que a arara tem menos penas que as outras?"
A Srta. Li suspirou. "Sim. Já levamos ao veterinário, examinamos tudo, até alergias."
"Não achamos a causa, e continua perdendo. Ainda bem que é na barriga, não afeta a beleza."
"Chegamos a pensar se ela mesma arrancava. Mas papagaios machos saudáveis não fazem isso, só fêmeas, para preparar o ninho."
"Mas ela parece saudável. Mesmo se arrancasse, não achamos as penas."
"A veterinária viu algo?" A Srta. Li aguardava ansiosa.
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Humana burra que não é saudável. O passarinho é saudável.
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Procurem em outro lugar, achar as penas do passarinho seria milagre.
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O passarinho não é burro, não arranca as próprias penas, estraga a beleza.
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Letícia bateu os dedos na cerca de madeira. "A arara está saudável, física e mentalmente."
"Então por que perde penas?" A Srta. Li insistiu.
"Não perde. A calopsita ao lado rouba à noite para fazer o ninho."
Letícia explicou: "A calopsita vai botar ovos, mas não quer arrancar as próprias penas. Rouba as da arara."
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Exato, exato!
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A Srta. Li ficou chocada. Zhao Ke e Fábio, já acostumados, ficaram calmos.
A Srta. Li, após um momento, reagiu. "Por isso nunca achei a causa, nem as penas. Só via a barriga ficando rala."
"Quem diria que foi roubada."
"Veterinária Letícia, obrigada." A Srta. Li estava agradecida.
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Que droga.
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Você ouve os pensamentos do passarinho.
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A arara revirou os olhos, chocada.
Ela tinha certeza de não ter falado, só reclamou mentalmente.
A arara bateu as asas, pousou na cerca perto de Letícia, esfregando o bico nela.
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Você não é burra. Você é a justiça.
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