A área dos flamingos era uma das mais próximas da entrada.
Quando o carrinho chegou, havia uma multidão de visitantes filmando com celulares.
Como os flamingos atacaram, os funcionários tentavam afastar as pessoas.
A área tinha partes interna e externa. A interna, com ar-condicionado, era para descanso. Para a visita no verão, havia um corredor de vidro à prova de som, para não incomodar.
A externa tinha um lago artificial. Sem água corrente, usavam sistema de filtragem.
O resto seguia o habitat natural.
Letícia, ao entrar, não viu um único flamingo. Perguntou baixo: "Assistente Wu, onde estão os flamingos?"
O olhar frio do Assistente Wu caiu sobre o tratador.
O tratador explicou, nervoso: "Ao ver o ataque, isolamos todos os flamingos. O que atacou está na quarentena. Os visitantes feridos foram ao hospital do zoológico."
"O ataque foi rápido, os ferimentos não são graves, mas o susto foi grande." O tratador complementou.
"Flamingos normalmente não atacam. O que aconteceu?" Letícia franziu a testa.
O tratador apertou a cabeça. "Cuido dos flamingos desde que chegaram. São dóceis, gostam de interagir. Ontem à noite, no fechamento, estavam normais. Hoje, de repente, atacaram. Até eu me assustei."
"Será que algum visitante os machucou?" Animais atacam quando ameaçados, não só aves, mas também gatos e cães.
O tratador explicou: "Verificamos as câmeras, nenhum visitante os machucou."
"Após a abertura, temos funcionários patrulhando, para evitar maus-tratos."
Só perguntar não daria detalhes.
"Posso ver o flamingo que atacou?"
O tratador hesitou, olhando para o Assistente Wu.
O Assistente Wu acenou. "Leve a Senhorita Letícia. Ela é a nova veterinária."
"Certo, por aqui." O tratador levou Letícia pela entrada de funcionários até a sala de quarentena.
Cada área tinha uma sala, para isolar animais quando necessário.
Vidro à prova de som permitia observação.
Quando chegaram, o veterinário do zoológico já estava lá, examinando o flamingo.
Antes que se aproximasse, o flamingo bateu as asas, esticou o pescoço e bicou.
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Humanos fedorentos, sumam!
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Ver vocês dá nos nervos.
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Devolvam o filhote do passarinho! Se não, o passarinho bica até a morte!
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Acostumado com animais, o veterinário desviou, evitando o bico.
"Vamos anestesiar, levar para examinar." O veterinário pegou uma pistola de dardos.
Antes que atirasse, Letícia interrompeu: "Espere!"
O homem virou-se, franziu a testa. "Quem é você? Não atrapalhe."
"Não estou atrapalhando. O flamingo não atacou sem motivo. Atacou porque perdeu o filhote."
O flamingo, ao ouvir, parou e correu em direção a Letícia.
Bicou o vidro grosso.
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Humana, você entende o passarinho?
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"Entendo. Acalme-se." Letícia acalmou o flamingo agitado.
"Não pode ter perdido, impossível." O tratador falou com convicção.
Explicou: "Temos tratadores para os filhotes, alimentação regular, exames. Não pode sumir."
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Mentira! Foram vocês, humanos fedorentos, que perderam o filhote do passarinho!
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O flamingo bateu as asas no vidro, agitado.
Letícia virou-se para o tratador. "Posso entrar?"
O tratador hesitou. "Você viu, o flamingo está agitado, pode atacar. Melhor não se aproximar."
"Tudo bem, tomarei cuidado." Letícia garantiu.
O tratador olhou para o Assistente Wu, incerto.
Se mais alguém se machucasse, a responsabilidade seria dele.
O Assistente Wu parecia em dúvida.
"Assistente Wu, fique tranquilo, tomarei cuidado."
Se o animal continuasse atacando, poderia ser devolvido.
Quando o Assistente Wu concordou, o tratador abriu a porta.
Vendo a porta abrir, o veterinário e o assistente levantaram a pistola.
Letícia entrou. O flamingo correu para seus braços, esfregando o bico em seu pulso.
Vendo o veterinário prestes a atirar, Letícia impediu: "Não anestesie. O flamingo não atacou."
Todos, tensos, perceberam que o flamingo estava se esfregando em Letícia, fazendo manha.
Aquele era o mesmo flamingo?
Quando o veterinário tentou se aproximar, o flamingo saiu dos braços de Letícia, arrepiou as penas e atacou novamente.
Letícia acariciou o pescoço longo do flamingo. "Podem sair? Quero ficar a sós com ele."
Veterinário: "..."
Isso era normal?
Ataque seletivo.
O veterinário e o assistente saíram, mas não fecharam totalmente, deixando uma fresta. O tratador observava por ali.
O tratador disse cuidar dos filhotes, não parecia mentir.
Mas a agitação do flamingo era real.
Letícia perguntou: "Pode me contar como seu filhote sumiu?"
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Humanos fedorentos roubaram o filhote do passarinho.
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O passarinho viu.
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O humano fedorento colocou o filhote num carrinho com balde. Alimentando outros pássaros, levou o filhote escondido.
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O humano fedorento não só roubou, como bateu no passarinho.
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