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O Miau e o Milho estavam procurando comida no lixão perto, viram um humano saindo de um carro, jogando vários sacos pretos no lixão.
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O Miau e o Milho não comiam direito fazia dias, então foram ver se tinha algo. Mas assim que o Miau se aproximou, aquele homem horrível deu um chute, jogou o Miau longe. A barriga do Miau doeu muito.
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Homem ruim, dos piores. Quando o Miau encontrar aquele canalha de novo, vai arranhar a cara dele toda.
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O Miau viu o Rajado ser chutado, foi morder aquele homem mau.
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O Miau estava com muita fome, sem força. O homem sacudiu, o Miau voou.
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Mas o Miau viu uma verruga preta na mão do homem, do tamanho da unha da irmã.
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"Muito bem! Mas da próxima vez que encontrar um homem mau desses, fique longe, não brigue. Eles podem te machucar." Letícia elogiou o gatinho, mas não esqueceu de avisar.
Na vida selvagem, era importante se proteger.
Gatinhos não são rivais para humanos.
Letícia abriu mais duas latas e colocou no chão, colocou os gatinhos na frente. "Comam primeiro."
Ela levantou-se, organizou as ideias e contou a César as informações dos gatinhos. Combinando com o que os corvos disseram, dava para confirmar que o suspeito era homem, algumas características, e o horário do descarte. Isso ajudaria a polícia a reduzir trabalho inútil.
"Senhorita Letícia, obrigado pela ajuda." César deu uma garrafa de água a Letícia, seus olhos com um brilho suave.
Letícia queria dizer mais, mas engoliu as palavras.
Foi nesse momento que o Diretor Song se aproximou. "Senhorita Letícia, desta vez também ajudou muito a delegacia."
Diante do elogio, Letícia respondeu com modéstia: "Fornecer pistas à polícia é dever de todo cidadão."
"Senhorita Letícia, não precisa ser modesta. Se não fosse por sua descoberta, levaríamos mais tempo. Já pensou em vir trabalhar conosco?"
O Diretor Song elogiou, depois partiu para o ataque.
Pessoas como Letícia, que se comunicavam tão bem com animais, eram raras.
Ele continuou: "Senhorita Letícia, fique tranquila, pagaremos salário."
O rosto sério de César, em algum momento, revelou uma ponta de expectativa.
"Obrigada, Diretor. Trabalhar na delegacia não é necessário. Tenho minha própria clínica, não posso abandonar meus funcionários e os bichinhos." Letícia recusou educadamente.
Ela não era formada em polícia. Preferia sua vida atual.
O Diretor Song fez uma expressão de pena.
César interrompeu o clima constrangedor. "Aqui está quase resolvido. Está tarde, não é seguro. Posso levá-la para casa."
"É perto da minha casa, pego um táxi. Não precisa se incomodar, Oficial César." Letícia recusou gentilmente.
Ela foi até os dois gatinhos de rua.
O gatinho branco e o rajado se aproximaram de seus pés, ronronando.
Ela agachou-se, coçando suavemente o queixo dos gatos. "Querem vir comigo para casa? Tenho ração e lata gostosas."
Gatos brancos como aquele tinham dificuldade na vida selvagem. Se pudesse ajudar, ajudaria. Quanto à pata do rajado, talvez pudesse tratar, mas precisaria examinar na clínica.
Os dois gatinhos claramente se apoiavam. Quando ela perguntou, trocaram olhares.
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Juntos?
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"Claro que juntos. E talvez possa tratar sua pata." Letícia acariciou a cabeça do rajado.
Depois, pegou o celular e chamou um carro por aplicativo.
Enquanto esperava, pegou o rajado no colo. "Qual é seu nome?"
Miau!
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Feijão.
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"Como você foi parar na rua? Se perdeu ou foi abandonado? E como machucou a pata?"
Letícia fez várias perguntas, e aproveitou para ver a coleira do rajado.
Havia algo gravado. Letícia ligou a lanterna. Na coleira, estava o nome do gato.
Alguém que fazia isso não parecia ser o tipo a abandonar.
O rajado miou, desanimado.
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Foi a vovó que jogou o Miau fora.
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Desde que a mamãe e o papai casaram, a vovó não gostava do Miau. Pedia para a mamãe se livrar do Miau. A mamãe não concordou, brigou com a vovó.
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A vovó, quando a mamãe saiu, jogou o Miau do andar de cima.
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A pata do Miau quebrou na queda.
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A vovó má, vendo que o Miau não morreu, jogou o Miau num carro de traficante de gatos. O Miau fugiu quando não estavam olhando, veio parar aqui, encontrou o Milho. O Milho foi abandonado pela mamãe.
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"Que coisa horrível." Letícia apertou os dedos, indignada.
A mãe de Feijão, ao voltar e não encontrá-lo, com certeza ficou desesperada.
Ela acariciou o pelo do rajado, com pena. "Vem com a irmã. Primeiro te trato, depois te ajudo a achar sua mamãe."
Miau!
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Obrigado, irmã.
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Enquanto conversavam, um carro parou. A janela desceu. Sem luz interna, pela lanterna da rua, dava para ver o motorista de máscara e boné. As mãos no volante usavam luvas de couro.
Uma voz áspera ecoou: "Moça, vai?"
"Já chamei um carro." Letícia recusou educadamente.
"Nessa hora, muitos motoristas já pararam. Aqui é difícil pegar carro." A voz áspera veio de novo.
Letícia ia recusar, mas ouviu uma notificação.
Olhou o celular. O motorista que havia aceitado cancelou.
Realmente, naquela hora era difícil.
Letícia olhou para o motorista. "Trago vários bichinhos. Se não aceita, chamo outro."
Ou pedia para Leonardo buscá-la.
Ainda tinha uma certa distância até sua casa.
"Sem problemas, meu carro já transportou animais. Só não podem fazer bagunça." O motorista explicou. Quando Letícia abriu a porta, ele abaixou o boné.
"Pode ficar tranquilo, meus bichinhos são comportados." Letícia colocou Neve no carro, depois o rajado de pata machucada. Os outros três pularam sozinhos.
Dentro do carro, o gatinho preto-e-branco tomou posse do colo de Letícia. Os outros deitaram ao seu lado.
"Moça, para onde?"
Letícia deu o endereço do condomínio.
A paisagem passava pela janela. De repente, Feijão, deitado ao lado de Letícia, levantou-se e começou a cheirar o motorista.
Feijão arrepiou o pelo, rosnando sem parar para o motorista.