《Um Amor de Outra Vida: O Preço do Sacrifício》Capítulo 25

“Leonardo! Você tem noção de que quase matou ela?!”

Leonardo estava caído no chão.

Sem reagir.

Cada palavra de Paulo era como ferro em brasa.

Queimando sua alma já despedaçada.

Ele quase conseguiu.

Faltou muito pouco.

Muito pouco para destruir a vida dela com as próprias mãos.

Leonardo encarou a luz branca do teto.

O olhar vazio.

“Eu sei…”

“Fui eu que levei ela até o limite.”

“Eu mereço morrer.”

Paulo viu aquele estado completamente entregue.

E ficou ainda mais furioso.

Avançou, segurou a gola dele.

E acertou outro soco, agora no abdômen.

Leonardo soltou um gemido abafado.

Mas não revidou.

Nem tentou.

Até que Paulo, exausto, soltou-o e virou-se para sair.

Leonardo conseguiu erguer o tronco com dificuldade.

Levantou o olhar.

A voz rouca, quase quebrada:

“Ela… está bem?”

Paulo o olhou de cima.

Frio.

Sem hesitar:

“Você não tem o direito de saber.”

Sem olhar novamente para o rosto pálido dele, virou-se.

Deu algumas instruções à equipe médica.

E seguiu direto para o quarto.

Leonardo permaneceu no chão.

Imóvel.

Sim.

Ele já não tinha direito.

As feridas do corpo ardiam.

Mas não eram nada comparadas à dor no peito.

Ele ficou ali.

Até que o assistente se aproximou com cuidado.

“Sr. Leonardo… seus ferimentos precisam ser tratados…”

“A Srta. Ana… saiu da emergência.”

“Ela está fora de perigo por enquanto, mas ainda está em observação, inconsciente.”

A voz do assistente era baixa.

Pesada.

“Você… quer ir vê-la?”

Os olhos de Leonardo se moveram lentamente.

Na direção do quarto.

Ali…

Estava a única luz que ele teve na vida.

Mas essa luz…

Ele mesmo cobriu com uma sombra impossível de apagar.

Ele balançou a cabeça com dificuldade.

A voz rouca, quebrada:

“Eu já… não tenho esse direito.”

Apoiando-se na parede, levantou-se cambaleando.

Arrastando o corpo ferido.

E caminhou lentamente até o fim do corredor.

Do outro lado.

Ana Beatriz acordou uma semana depois.

Os dedos dela se moveram levemente.

Paulo, que dormia apoiado à beira da cama, despertou na hora.

Quando viu os olhos dela abertos—

Naqueles olhos sempre firmes dele—

Uma lágrima caiu de repente.

A voz embargada.

Cheia de medo depois da perda quase real:

“Aninha…”

“Você acordou?”

“Está sentindo alguma coisa?”

“O peito ainda dói?”

“Está tonta?”

Ela tentou falar.

A voz fraca e seca:

“Não chora…”

“Eu estou bem…”

Paulo passou a mão no rosto apressadamente.

Tentou sorrir.

Mas saiu pior que chorar.

“Não estou chorando…”

“Só caiu um cisco no olho…”

Ela não desmentiu.

Apenas curvou levemente os lábios.

Quase imperceptível.

“Paulo…”

“Vamos ficar juntos.”

No momento em que sua consciência estava se desfazendo, entre a vida e a morte—

A última imagem que surgiu—

Foi o rosto dele.

E aquela frase:

“Querer viver com todas as forças… e tentar viver um pouco melhor… nunca é fraqueza.”

Ela achava que seu coração já estava morto.

Que não havia mais espaço para amor.

Mas naquele instante—

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Ela entendeu.

Ela gostava dele.

Paulo congelou.

As pupilas se dilataram.

Ficou olhando para ela.

Sem nem respirar.

“No momento em que achei que ia morrer…”

“Eu entendi…”

“Quem eu não conseguia deixar ir.”

A voz ainda fraca.

Mas clara.

“Eu quero…”

“Seguir o que meu coração diz.”

“Viver de novo.”

“Não por ninguém.”

“Só por mim…”

Ela fez uma pausa.

E completou suavemente:

“E por você.”

A alegria veio como uma explosão.

Levando embora todo o cansaço.

Toda a preocupação.

Os olhos dele voltaram a se encher de lágrimas.

Ele segurou a mão dela com força.

Encostou no próprio rosto.

E assentiu várias vezes.

“Sim… sim!”

“Aninha, vamos ficar juntos.”

“Eu vou ficar ao seu lado.”

“Sempre.”

“Vou te ver melhorar.”

“A gente vai…”

“Viver bem.”

Ela assentiu levemente.

O cansaço voltou.

Mas dessa vez—

O coração estava em paz.

Ela fechou os olhos.

Com um leve sorriso nos lábios.

E adormeceu.

Um ano depois.

Ana Beatriz estava completamente curada.

No dia em que Paulo a pediu em casamento, ela achou que hesitaria.

Mas quando o anel apareceu diante dela—

Só havia uma resposta.

Casar com ele.

Ela confiava na própria escolha.

Paulo seria o homem que caminharia com ela pelo resto da vida.

Ninguém percebeu.

Do lado de fora do jardim, um carro preto estava estacionado em silêncio.

Dentro dele, Leonardo observava tudo à distância.

Através da janela.

Nas mãos, segurava uma foto tirada escondido.

Era Ana Beatriz e Paulo sorrindo um para o outro no jardim.

A luz do sol caía sobre eles.

Bonito como um sonho.

O assistente falou em voz baixa:

“Sr. Leonardo… a Srta. Ana já se recuperou completamente.”

“Os exames mais recentes mostram que ela está até acima da média.”

“O Sr. Paulo… hoje pediu ela em casamento.”

Leonardo respondeu apenas com um som baixo.

O olhar não saiu da foto.

Daquele sorriso brilhante.

Depois de um longo tempo—

Ele falou, quase em um sussurro:

“Aninha…”

“Que você seja feliz.”

Para sempre.

Era o desejo mais sincero.

E o mais impotente.

Ele guardou a foto com cuidado.

No bolso interno, junto ao coração.

Como se fosse o último vínculo que ainda restava entre eles.

“Vamos.”

O carro começou a se mover.

Deixando para trás o jardim.

Cheio de vida.

Cheio de felicidade.

Ele sabia.

A vida dela havia virado uma nova página.

Linda.

Enquanto a dele—

Seria para sempre nas sombras.

Carregando arrependimento.

E solidão.

Até o fim.

A luz do sol era intensa.

Mas nunca mais alcançaria o mundo vazio dele.

【Fim】

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