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《O Preço do Perdão》Capítulo 8

Antes que eu conseguisse reagir, o restaurante inteiro mergulhou no escuro.

A tela grande no centro do salão acendeu, e quatro letras grandes foram aparecendo devagar.

Amor em Dezembro.

A voz de Isabela chegou com um sorriso embutido.

— Reservei o restaurante inteiro. Não vai incomodar ninguém. A gente assiste de novo juntos, tudo bem?

Num instante, as memórias vieram como uma maré que não pede passagem.

Naquele quartinho pequeno, os dois apertados num sofá, olhando para uma telinha. A gente ria, comentava cada cena, ficava horas assim.

O jeito que ela me olhava, com aquela ternura que não precisava de palavras. Os sussurros, os momentos em que a felicidade parecia estar ao alcance da mão.

Tudo aquilo foi chegando, devagar, sem pedir licença.

Isabela se aproximou ainda mais. Perto o suficiente para eu sentir o calor do corpo dela.

— Você ainda lembra? Logo depois que a gente casou, sete anos atrás, a gente acordava todo dia querendo logo encontrar o outro.

— Sinto muita saudade daquilo.

Senti o calor da mão dela. Mas por dentro, nada se moveu.

De repente, ela se virou, segurou meu rosto com as duas mãos e me olhou com uma seriedade que não tinha espaço para dúvida.

— Rafael, preciso te contar uma coisa. É muito importante.

Fez uma pausa curta.

— Estou grávida. Calculei o período. É seu.

Quando Isabela disse isso, congolei no lugar.

Esse tipo de história não podia estar acontecendo comigo.

A fitei com atenção total.

— Você está falando sério?

— Claro que estou.

E tirou da bolsa o resultado de um ultrassom.

Olhei para o laudo na mão dela sem saber o que fazer com aquilo.

Havia choque. Havia uma alegria confusa. Havia uma mágoa que eu não sabia nem explicar de onde vinha.

Não sabia como encarar aquela situação.

— Você vai me abandonar? Vai abandonar o seu filho? Não quer assumir a responsabilidade?

As palavras dela me acertaram em cheio. Uma culpa surda subiu devagar.

Olhei nos olhos dela.

— Pode ficar tranquila, Isabela. Se for meu filho, vou assumir até o fim. Vou cuidar de vocês dois com tudo que tenho.

Isabela enterrou o rosto no meu peito e chorou.

A brisa da noite tinha um frio que cortava. Caminhamos de mãos dadas pelas ruas, devagar, e eu fui pensando em tudo aquilo enquanto andava. Era uma situação complicada, sem dúvida. Mas eu não era o tipo de homem que vira as costas para a responsabilidade.

No fundo do peito, fiz uma promessa para mim mesmo: se fosse meu, eu ficaria até o fim. Se não fosse, não ia servir de solução para mais ninguém.

Isabela e eu voltamos a ficar juntos. Sem reatar o casamento formalmente, mas eu a tratava como sempre a havia tratado, com o mesmo cuidado de quem um dia a amou de verdade.

Sete meses e meio depois, o bebê nasceu sem complicações. Eu me tornei pai pela primeira vez, e aproveitei cada segundo daquela alegria nova enquanto, em silêncio, guardava um pensamento para resolver depois.

Um mês mais tarde, fui ao hospital sozinho, levando um fio de cabelo do bebê, e pedi o exame de paternidade sem contar para ninguém.

Quando o resultado chegou, eu já estava preparado para qualquer coisa.

Após comparação de DNA, Rafael não é o pai biológico da criança, com 99,9% de certeza.

Li aquilo e senti uma tranquilidade estranha tomar conta de mim. Como se uma última peça tivesse finalmente se encaixado no lugar certo.

O que ela chamou de coração aberto não passou de mais uma tentativa de me usar como substituto de Heitor.

Numa manhã em que a cidade ainda dormia, arrumei minhas coisas em silêncio.

E fui embora. Deixei a cidade para trás.

Isabela encontrou o laudo sobre a mesa.

E só então, finalmente, as lágrimas que escorreram pelo rosto dela eram de arrependimento de verdade.

Fim.

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