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《O Preço do Perdão》Capítulo 5

No escritório, Isabela apareceu e sentou na cadeira à minha frente. Me encarou diretamente.

— Por que você não responde minhas mensagens?

Ignorei.

— Toma. É para você.

Jogou uma caixinha em cima da minha mesa.

Abri por curiosidade. Era um Rolex Daytona. Um relógio que valia uma fortuna.

Algo naquilo me pareceu familiar. Fiquei tentando lembrar onde tinha visto aquele modelo antes.

Peguei o celular e fui até o perfil de Heitor nas redes sociais.

Estava lá. O mesmo relógio.

Na publicação, ele tinha escrito:

"Fulana, obrigado pela lembrança. Mas não é bem o meu estilo."

Então era isso. O que Heitor não queria, ela trazia para mim. E eu ainda deveria ser grato por isso.

Peguei o celular e virei a tela para ela ver.

— É esse aqui, não é? Eu não sou depósito de coisa que sobrou. Dá para outra pessoa.

Joguei o relógio de volta para ela.

Isabela me olhou sem graça por um instante, e logo o constrangimento virou raiva.

— Você quer mesmo me provocar até o fim? Não tem medo de que isso chegue a um ponto sem volta?

A devolvi com um olhar de indiferença total.

— Vou trabalhar. E por favor, não me perturbe mais. Obrigado.

Me levantei, virei as costas e saí do escritório.

Na hora do almoço, Isabela voltou a me encontrar.

— O último jantar não terminou bem para ninguém. Que tal se reunir de novo no fim de semana? Seria uma forma de compensar a galera.

— Não esquece, tá?

Não respondi. Continuei vivendo minha vida de solteiro no meu próprio ritmo.

E foi aí que percebi algo que não esperava: viver para mim mesmo fazia a vida parecer outra coisa. Fazia sentido de um jeito que eu tinha esquecido que existia.

Cuidar das plantas. Pescar. Pedalar. Escalar trilhas.

Isso era o que eu chamava de prazer de verdade. Antes, o centro do meu mundo tinha um único nome, e era o dela.

A semana passou voando. Isabela ainda aparecia de vez em quando para me perturbar, é verdade. Um café deixado na minha mesa, um buquê de flores no meu lugar no escritório.

Eu sempre ignorava. Depois de encontrar as flores no lixo algumas vezes, ela finalmente desistiu dessas demonstrações sem sentido.

No fim de semana, o telefone tocou de novo.

— Rafael, a gente tinha combinado. Hoje você não pode voltar atrás. Restaurante Noturno. Cinco horas em ponto, sem falta.

Pensei nos papéis do divórcio que ela ainda não tinha assinado. Aquele acerto precisava acontecer de uma vez.

Peguei o carro e fui até o local combinado.

Mal cheguei à porta do reservado e já ouvi as vozes lá dentro:

— Isabela, com aquele gênio difícil e aquela mentalidade pequena do Rafael... Bonito ele não é tanto quanto o Heitor, dinheiro também não sobra. O que você viu nele, sério? Nunca entendi.

— Heitor, não vou mentir, se você não tivesse terminado com a Isabela naquela época, esse cara não teria entrado na história de jeito nenhum.

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Heitor respondeu com aquele sorriso fácil que ele sempre tinha:

— Que jeito, meu pai insistiu que eu fosse estudar fora. Eu não queria deixar a Isabela, mas também não podia segurar a vida dela. Naquela época eu não sabia se ia voltar. Por isso...

Do outro lado, a voz de Isabela cortou o assunto:

— Heitor, isso já passou. Para que ficar revirando?

— Mas desta vez, você toparia reatar comigo?

Os olhos de Heitor estavam cheios de expectativa.

Isabela não respondeu com palavras. Mas o sorriso que abriu no rosto dela disse tudo.

Não era à toa que os dois andavam tão juntos. Havia uma história ali que eu nunca soube por inteiro.

E eu, além de ter sido o substituto de plantão, ainda fiz esse papel por um bom tempo sem saber de nada.

— Deixa pra lá, só de falar naquele cara dá azar. Volta pro jogo.

Com isso, Vanessa encheu as taças de Heitor e de Isabela até a borda.

Beberam. Os olhos dos dois se encontraram com aquela intimidade que não precisava de palavras. A galera começou a incentivar: junta, junta, junta.

O clima foi esquentando. Os rostos dos dois foram se aproximando devagar, os olhares perdidos um no outro.

No instante exato em que os lábios quase se tocaram, eu abri a porta e entrei.

Todo mundo virou para mim de uma vez. Os rostos fecharam, com aquela tensão de quem teme que eu vá destruir o momento.

Isabela se levantou de um salto e veio em minha direção.

— Me escuta, não é o que você está pensando.

Não respondi. Apenas sorri e olhei direto para Heitor.

Disse com calma:

— Sem problema, pode continuar. Quando terminar, é só pegar um hotel.

Fiz uma pausa.

— Ah, quase esqueci de te contar. Ela gosta de ficar por cima.

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