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《O Preço do Perdão》Capítulo 4

Assim que se sentou, Isabela começou a conversar com Heitor ao lado dela. Sorria com leveza, os olhos falavam por si mesmos, cheios de uma intimidade que ela nunca havia me dado.

Parecia ter esquecido completamente que os protagonistas da noite éramos nós dois. Esqueceu também que foi ela mesma quem me trouxe até ali.

Cheguei a me perguntar se ela tinha armado aquela situação de propósito, só para me humilhar na frente de todo mundo.

Fiquei observando enquanto ela descascava os camarões para ele, retirava as espinhas do peixe com cuidado e atenção.

Coisas que eu nunca tinha recebido dela uma única vez.

Na nossa vida juntos, Isabela sempre manteve diante de mim aquela postura de quem nunca precisa de nada e nunca deve nada a ninguém. Eu cozinhava, colocava a comida na mesa, a chamava para jantar. Mesmo nas vezes em que eu machucava a mão e mal conseguia segurar o garfo, ela não se movia para me ajudar a pegar uma comida sequer, quanto mais descascar camarão ou tirar espinha de peixe.

Os dois riam, trocavam olhares demorados, cheios de uma ternura que parecia a de um casal apaixonado em plena fase de namoro.

Mesmo tendo decidido firmemente não me deixar abalar mais por ela, naquele momento senti uma pontada no fundo do peito. O semblante fechou sozinho.

Vanessa, do meu lado, notou a mudança e soltou com aquele tom de sempre, meio veneno, meio ironia:

— Isabela, olha a cara do Rafael. Ficou todo fechado.

Isabela então me notou, e uma expressão de leve desconforto cruzou o rosto dela. Largou o camarão que estava descascando.

— Rafael, não entenda errado. A mão do Heitor está machucada, por isso eu estava ajudando.

Soltei um riso curto pelo nariz.

— Sem problema. A gente logo não vai ter mais nada a ver mesmo. Marido e mulher se ajudando é o mais natural do mundo, não é?

Deixei a ela aquele último fio de dignidade. Não trouxe à tona nada do que os dois tinham feito.

Quando terminei de falar, o ar do reservado pareceu congelar.

O rosto de Isabela fechou de vez.

Heitor, por sua vez, deixou escapar um sorrisinho satisfeito.

— Rafael, homem de verdade não é tão frescurento assim.

— Você está deixando o clima péssimo. Pede desculpa para a Isabela logo e a gente finge que isso aqui não aconteceu.

— Pedir desculpa? Quer que eu conte em voz alta o que vocês dois fizeram?

Heitor fechou a boca na hora.

Todos ao redor nos olhavam com curiosidade mal disfarçada, ansiosos para ver até onde aquilo ia.

Olhei para aquelas caras e não tive vontade nenhuma de continuar.

— Tenho um compromisso. Vou saindo.

Soltei as palavras com frieza, virei as costas e me preparei para ir embora.

Foi então que Heitor se levantou.

— Rafael, talvez não seja o que você está pensando. Naquele dia, sim, ficamos juntos. Mas depois, quando fomos para o hotel, foi porque tive uma crise de hipoglicemia. A Isabela foi para me cuidar.

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— Me desculpa por ter te deixado com essa impressão errada.

Ele sabia que eu estava presente em tudo. Se estava dizendo aquilo, era só para convencer os outros ali na sala.

Qualquer coisa que eu falasse agora me faria parecer o palhaço da história.

Optei por não dizer mais nada. Continuei andando em direção à saída sem olhar para trás.

Isabela, vendo que eu não parava, perdeu a paciência:

— Chega, Rafael. Já disseram que foi mal-entendido. O Heitor até se desculpou com você. O que mais você quer?

— Senta logo. Se você sair por essa porta agora, pode esquecer que algum dia vou te dar outra chance.

Que discurso bonito. Ela ainda achava que eu era o mesmo fantoche de antes, que ela podia manipular como quisesse e que nunca teria coragem de reagir.

Antes, era porque eu a amava. Agora, o amor tinha acabado.

Para todo mundo ali, eu era o vilão da noite. Tinha estragado o clima, tinha sido grosso, tinha que pedir perdão.

Não me importei com nada disso. Dei um passo largo em direção à porta e saí.

Atrás de mim, ouvi Vanessa dizer para Isabela:

— Você não vai correr atrás dele?

— Pra quê? Daqui a pouco ele esfria e volta por conta própria. Deixa ele.

Ela continuava exatamente igual, acima de tudo e de todos, convicta de que aquilo era só uma birra passageira e que eu voltaria rastejando como sempre.

Mas desta vez, eu sabia que não.

Talvez eu tivesse me rebaixado demais por tanto tempo. Mas isso tinha acabado.

Fui andando sem destino, até chegar à beira do rio. Na praia, a brisa da noite soprava suave, e o céu se tingia dos últimos tons dourados do pôr do sol.

Um casal estava fazendo fotos de casamento com aquela luz.

O vestido branco dela era deslumbrante, e o sorriso no rosto dela era o tipo de sorriso que não se finge. Ele a abraçava com força, com aquele jeito de quem tem medo de soltar.

Os pensamentos vieram em ondas. Houve um tempo em que nós também estávamos diante de uma câmera, fazendo promessas. Juramos que ficaríamos juntos para sempre, que nunca nos abandonaríamos.

Não conseguia entender como chegamos até aqui.

A cena me tocou fundo. Me levantei e comecei a caminhar de volta para casa.

No caminho, por falta do que fazer, abri as redes sociais. Vi que Heitor tinha postado alguma coisa.

Na foto, os dois estavam claramente alterados pelo álcool. Aos incentivos de todo mundo, os dois se abraçavam e bebiam com as taças entrelaçadas.

A legenda dizia:

"Nenhum elogio do mundo vale mais do que o seu beijo na minha testa."

Comentei:

"Dois lixos merecem um ao outro. Que durem para sempre."

O mês passou rápido. Durante esse tempo, Isabela me mandou inúmeras mensagens. Me ligou mais vezes do que eu conseguia contar.

Sem exceção, não li nenhuma. Não atendi nenhuma.

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