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《O Preço do Perdão》Capítulo 3

Por mais que eu me esforçasse, ela nunca avançava um passo em minha direção.

No amor, quando um caminha cem passos e o outro recua, no fim das contas só um se move.

O amor de uma pessoa sozinha, no máximo, emociona a ela mesma.

Talvez o nosso relacionamento fosse como aquela foto de casamento coberta de poeira. Já devia ter sido descartada faz muito tempo.

Fui para o apartamento que meus pais me deixaram de herança. Naquela noite, dormi mais tranquilo do que em qualquer outra nos últimos anos.

Na manhã seguinte, vi que Isabela tinha me ligado várias vezes.

Atendi. Ela foi logo falando, sem nem respirar:

— A gente está junto há cinco anos. Você acha que dá pra simplesmente falar em divórcio assim? Para de ser dramático.

— Hoje à noite a gente comemora o aniversário de casamento com atraso. Já chamei os amigos, já comprei os presentes. Você não pode faltar, tá bom?

Aquela insistência toda me irritou. Desliguei o telefone e o deixei de lado.

Já estava acostumado com esse tipo de coisa.

Quando fiquei internado gravemente doente, ela sumiu. No meu aniversário, ela sumiu. Em cada momento em que eu precisei dela do meu lado, ela desapareceu por causa de Heitor.

E no dia seguinte aparecia como se nada tivesse acontecido, com algum presente na mão e um pedido de desculpas leve como uma folha no vento.

E eu tinha que aceitar.

Se eu escolhesse não aceitar, enfrentava o peso das cobranças dela, a pressão, o tom de superioridade que ela usava como se eu fosse o errado da história.

Sempre foi assim. Ela me chamava quando queria e me dispensava quando bem entendia. E eu, uma vez atrás da outra, abria mão da própria dignidade

para ser o cachorrinho fiel que ficava sempre ao lado dela.

Mas desta vez, eu estava genuinamente esgotado.

À noite, encontrei Isabela esperando na porta de casa.

Ela usava um vestido branco que moldava cada curva do corpo com elegância. A maquiagem impecável, sob a luz mortiça do corredor, ganhava uma névoa suave, quase irreal, como uma figura vista através de um véu. Alguns vizinhos que passavam não resistiram e olharam duas vezes.

No passado, eu teria corrido para tirá-la dali o mais rápido possível.

O charme que ela irradiava sempre me deixou inseguro. Eu tinha medo de perdê-la, então não suportava a ideia de que alguém mais pudesse ser atraído por ela. Tinha pavor de que um dia ela simplesmente fosse embora.

Mas agora, olhando para ela, senti a mesma coisa que sentiria diante de qualquer pessoa estranha na rua.

Acho que finalmente tinha me libertado dessa dependência que ela exercia sobre mim.

Ignorei a presença dela e fui direto abrir a porta para entrar, mas ela estendeu o braço e me segurou pelo pulso.

— O restaurante já está reservado. Todo mundo está esperando por você.

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— Independente do que vai acontecer depois, quero que a gente passe uma noite agradável juntos hoje. Tudo bem?

Com as coisas postas assim, recusar seria mesquinharia da minha parte.

Isabela me puxou pelo braço e entramos no carro. Saímos em direção ao restaurante.

Durante o trajeto, de tempos em tempos chegava até mim o perfume que ela usava. Aquela fragrância amadeirada, densa e familiar.

Eu sabia. Era o perfume favorito de Heitor.

— Por que você está usando esse perfume amadeirado?

Perguntei de repente.

— Eu não coloquei nenhum perfume.

Isabela respondeu por instinto, sem pensar.

Não disse mais nada. Se ela estava falando a verdade, aquele cheiro só podia ter uma origem: era o rastro que Heitor havia deixado nela.

O resto do caminho foi silencioso. Chegamos ao restaurante.

Vanessa, a melhor amiga de Isabela, assim que a viu entrar, veio em sua direção com um sorriso aberto.

— Bela, finalmente você chegou!

Mas quando virou e me viu ao lado de Isabela, o sorriso sumiu instantaneamente.

— Olha só, é o pequenininho do Rafael, cheio de frescura.

Não respondi. Ela percebeu que não iria conseguir nada, fez uma careta e ficou quieta. Então puxou Isabela pelo braço e as duas entraram na sala reservada.

Dentro do reservado, os amigos de Isabela me olharam, cada um com uma expressão diferente no rosto.

Mas sem exceção, o que eu lia nos olhos de todos era a mesma coisa: desaprovação.

Vanessa e Isabela eram amigas de longa data. Desde quando eu e Isabela começamos a namorar, Vanessa já me encarava com antipatia. Na opinião dela, eu não era páreo para uma amiga tão deslumbrante quanto a dela.

Antes, eu me esforçava para me aproximar dos amigos de Isabela. Sorria para todo mundo, pagava as contas sem reclamar, levava presentes, quase que implorando por aceitação.

Mas o desprezo deles nunca diminuiu um milímetro por causa disso.

Ignorei aquele grupo todo. Sentei em qualquer cadeira que estava disponível.

Foi então que Vanessa puxou Isabela para sentar ao lado de Heitor.

Eu sabia que era de propósito. Para elas, Heitor e Isabela eram o casal perfeito, feitos um para o outro.

E eu não passava de um inútil que não merecia estar ao lado de Isabela.

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