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《O Preço do Perdão》Capítulo 2

Só de pensar que durante todo esse tempo havia dividido minha esposa com outro homem, senti um enjoo que vinha de dentro.

Isabela era bonita. Bonita de um jeito que parava o coração. E foi exatamente essa mulher que me deixou de cabeça virada, que eu amei por cinco anos, que escolheu me trair e entregar tudo ao seu antigo amor.

Sacudi a cabeça e soltei um suspiro longo.

— Tudo bem. Vou liberar vocês dois. Vamos nos divorciar. A partir de agora, você pode viver isso à luz do dia.

Isabela me olhou com os olhos cheios de lágrimas.

— Rafael, você não quer me ouvir?

— Por que eu deveria te ouvir? O que aconteceu hoje ainda não é prova suficiente?

— Você sabe que dia é hoje?

Ela respondeu sem pensar, automática:

— Natal, não é?

— Sim. É Natal. E também é o nosso quinto aniversário de casamento.

Ela arregalou os olhos e baixou a cabeça, envergonhada.

Não disse mais nada. Virei as costas e fui embora.

De volta para casa, olhei para aquele lar que um dia foi quente e cheio de vida, agora partido em pedaços. As memórias vieram todas de uma vez, cada momento doce, cada risada compartilhada, e as lágrimas escorreram pelo meu rosto sem que eu pudesse fazer nada para segurá-las.

Cinco anos inteiros. Cinco anos atrás, nessa mesma data, fizemos nossas promessas. Juramos que ficávamos juntos para sempre, que não nos abandonaríamos nunca. E cinco anos depois, ela enterrou o nosso amor com as próprias mãos.

Naquela noite, bebi muito. Chorei muito mais. E afundei num sono pesado que veio como um alívio.

Na tarde seguinte, Isabela voltou para casa com flores na mão.

Ela entrou como se tivesse esquecido completamente o que havia acontecido na noite anterior. Quando me viu, sorriu com uma naturalidade desconcertante.

— Amor, você está em casa.

Sentou ao meu lado no sofá. Me afastei um pouco.

Ela notou as garrafas vazias espalhadas pelo chão e franziu a testa.

— Bebeu tudo isso... Desculpa. Eu te machuquei.

Fez uma pausa e continuou, com uma seriedade que parecia ensaiada:

— O que aconteceu ontem foi uma exceção. Antes disso, entre a gente nunca houve nada, eu juro.

— Ontem eu tinha bebido demais. Ele me levou para o hotel para me cuidar e as coisas saíram do controle.

— Eu não queria te trair. Você consegue me perdoar desta vez? Prometo que não vai acontecer de novo.

Ela chorou, encostou a cabeça no meu peito e enlaçou minha cintura com os dois braços.

Por dentro, eu estava destruído. Não sabia se devia perdoá-la. Era a mulher que eu amava com tudo que tinha, mas o que ela tinha feito era algo que, em condições normais, não se perdoa.

Ela percebeu minha angústia e começou a fazer caretas e gracinhas, tentando me arrancar um sorriso.

Depois, tirou de dentro da bolsa uma chave de carro.

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— Para de ficar bravo comigo. Comprei um carro para você. Você não queria esse modelo faz tempo? Comprei uns dias atrás, era para ser uma surpresa. Está vendo como eu te amo?

Peguei a chave, coloquei de lado, e a puxei para dentro do banheiro. Ela ficou paralisada de surpresa. Abri o chuveiro e fui lavando o corpo dela, repetidamente, como se pudesse apagar com a água cada marca que ele havia deixado, cada traço da minha humilhação. E chorei alto, sem me controlar.

Ela reagiu, me abraçou com força e chorou junto comigo, dizendo:

— Me perdoa, amor. Me perdoa. A culpa foi toda minha.

No fim, perdoei.

E foi por isso que a cena do início desta história aconteceu. Fui eu quem dei a ela a chance de me machucar de novo.

Depois que Isabela recebeu alta do hospital e voltou para casa, joguei os papéis do divórcio na frente dela.

Desta vez, ela não reagiu como na primeira.

— Assina. A partir de agora você é livre.

Ela me encarou com seriedade.

— E se eu te disser que amo os dois? Você acredita em mim?

— Que tal a gente tentar viver os três juntos?

Olhei para ela com frieza total.

— Eu não sou sem-vergonha como vocês dois. E também não tenho o hábito de dividir minha esposa com ninguém.

O brilho esperançoso nos olhos dela apagou. Ela suspirou e disse:

— Vamos nos acalmar. Dá um tempo para os dois pensarem. Se depois de um mês as coisas ainda estiverem assim, eu assino o divórcio.

Concordei com a proposta. Era só um mês, afinal. E eu já tinha jurado para mim mesmo que não ia perdoá-la de novo.

Pedi um mês de licença no trabalho para colocar a cabeça no lugar.

Comecei a juntar minhas coisas, decidido a sair daquele lugar que só me trazia dor.

Havia algumas coisas que eu queria jogar fora: roupas iguais de casal, joias combinando, canecas com nossos nomes...

Mas quando fui separando tudo, me dei conta de algo que me deixou sem reação.

Cada uma dessas coisas tinha sido comprada por mim.

Ela nunca havia tomado a iniciativa de provar, por conta própria, o quanto nos amávamos.

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