Ricardo parecia ter enlouquecido.
Enquanto mantinha Lívia presa…
também começou a esmagar completamente a família Monteiro.
A situação financeira da família dela já era instável há muito tempo.
A cadeia de capital estava à beira do colapso.
Da última vez, conseguiram sobreviver apenas porque, através de Lívia, se apoiaram no Grupo Vasconcelos.
E os demais concorrentes, por respeito ao nome de Ricardo, haviam recuado.
Mas agora—
o próprio Ricardo retirou o investimento.
E, ao perceberem a mudança de cenário…
todos os outros voltaram a atacar.
Em pouco tempo—
a família Monteiro entrou em colapso.
O pai de Lívia ligava sem parar.
Mas nunca obtinha resposta.
Tomado pela raiva, arremessou o celular contra a parede.
Lívia acordou com dores pelo corpo inteiro.
Olhou ao redor, assustada—
e só relaxou quando percebeu que Ricardo não estava ali.
Ele a mantinha presa.
Obrigava-a, todos os dias, a pedir desculpas a Aurora.
Obrigava-a a “pagar” pelo bebê que havia morrido.
Se demonstrasse qualquer resistência—
era espancada.
Lívia olhou para uma foto de Aurora que havia sido deixada ali.
Seus olhos se encheram de ódio.
— Aurora… tudo isso é culpa sua!
— Tudo o que estou sofrendo… é por sua causa!
Na foto, Aurora sorria, radiante.
Lívia pegou uma pedra ao lado—
e riscou violentamente o rosto dela.
— Aurora… eu vou te matar!
— Ricardo… Aurora… vocês dois merecem morrer!!!
O barulho chamou a atenção do segurança.
— Fique quieta!
Diante do bastão elétrico na mão dele—
Lívia fingiu se submeter.
Mas, depois que Ricardo saiu novamente—
ela olhou para a chave que havia conseguido pegar.
E sorriu.
— Aurora… eu não vou deixar isso assim.
Na calada da noite—
aproveitando um momento de descuido—
ela conseguiu fugir.
Assim que conseguiu um celular—
recebeu uma ligação do pai.
— O que aconteceu entre você e o Ricardo?!
— Ele está destruindo a nossa empresa! Já estamos à beira da falência, e mesmo assim ele não para!
Ao ouvir o vento forte do outro lado da linha—
um pressentimento ruim tomou conta dela.
— Pai… não faça nada impulsivo… eu vou falar com o Ricardo…
Mas— do outro lado— a voz veio pesada.
— O papai te decepcionou…
E então— o telefone caiu.
O som do vento cessou.
E o silêncio tomou conta.
— Pai?!
Lívia gritou, desesperada.
Mas não houve resposta.
Logo depois— a notícia apareceu:
#Presidente da família Monteiro se joga de prédio#
Lívia segurava uma faca.
E a cravou repetidamente nas fotos de Ricardo e Aurora.
— Ricardo… Aurora… vocês vão pagar por isso!!!
— Eu vou fazer vocês irem junto com o meu pai!!!
Desde o último incidente— Gabriel não se afastava mais de Aurora.
— Gabriel… você não precisa ficar tão tenso assim.
Aurora tentou tranquilizá-lo enquanto jantavam fora.
— O Ricardo já não aparece há dias.
— E a comida daqui é ótima… experimenta.
Mas Gabriel não conseguia relaxar.
Havia uma sensação estranha em seu peito.
Como se algo ruim estivesse prestes a acontecer.
— Senhor… seus pratos.
A garçonete colocou a comida na mesa.
Gabriel franziu a testa.
— Esse prato não é nosso… você se enganou.
Mas a mulher não respondeu.
Seu olhar se fixou diretamente em Aurora.
E então— debaixo da bandeja— ela puxou uma faca.
— Auro, cuidado!
No mesmo instante— a porta do restaurante foi aberta com força.
Ricardo entrou— e viu aquela cena.
O brilho frio da lâmina refletiu nos olhos assustados de Aurora.
— Aurora Nogueira, morre!
Lívia avançou com a faca.
No mesmo instante— Gabriel e Ricardo correram ao mesmo tempo.
Gabriel puxou Aurora para os braços.
E Ricardo— se colocou na frente dela.
A lâmina atravessou seu corpo.
Aurora ficou paralisada.
Mesmo protegida nos braços de Gabriel, ainda não conseguia reagir.
O restaurante inteiro entrou em pânico.
Lívia tentou puxar a faca para atacar novamente— mas foi derrubada por um segurança que acabara de chegar.
— Chamem uma ambulância!
— Tem alguém ferido!
O caos tomou conta do lugar.
— Auro… você está bem?
Gabriel a segurava com força, a voz cheia de preocupação.
Só então Aurora voltou a si.
Ela imediatamente começou a verificar se ele estava machucado.
— Eu estou bem… — Gabriel a abraçou com cuidado, tentando acalmá-la.
Ao ver que Aurora estava ilesa— e Ricardo ferido— Lívia enlouqueceu.
Tentou arrancar a faca do corpo dele para atacar novamente— mas Gabriel percebeu.
E a jogou no chão, imobilizando-a.
Mesmo assim— Lívia começou a rir.
Um riso distorcido.
— Foi tudo por culpa de vocês!
— Foi por causa de vocês que eu cheguei a isso!
Quando Ricardo voltou a si— já estava no hospital.
Ele tentou se levantar imediatamente.
O olhar procurava desesperadamente—
Aurora.
Mas não havia ninguém.
Apenas vazio.
Uma enfermeira entrou ao ouvir o movimento.
— Por favor, não se mexa. Os pontos podem abrir.
Ricardo a interrompeu, ansioso:
— Uma mulher veio me ver?
A enfermeira pensou por um momento.
— Sim… veio.
O coração dele relaxou na mesma hora.
Então ela veio… Aurora veio.
Ele fechou os olhos por um instante.
Talvez… ela estivesse começando a perdoá-lo.
Talvez aquele golpe… não tivesse sido em vão.
Mas— nos dois dias seguintes— Aurora nunca mais apareceu.
Apenas o pai dela mandava alguém levar suplementos.
Na terceira vez— Ricardo não aguentou mais.
— Onde está a Aurora?
A pessoa apenas respondeu, indiferente:
— Desculpe, só vim entregar isso. Não conheço ninguém com esse nome.
Ricardo perdeu o controle.
Varreu tudo da mesa para o chão.
— Façam ela vir me ver!
O homem se assustou.
Murmurou algo como “maluco” e saiu apressado.
À tarde— a porta do quarto se abriu.
Ricardo levantou a cabeça rapidamente.
Mas, ao ver quem era—
seu rosto esfriou.
— Por que você…? Cadê a Auro?
Gabriel sentou-se calmamente ao lado da cama.
— Você salvou a Aurora.
— O professor Carlos disse que ela não quer te ver.
— Então eu vim no lugar dela.
Ricardo o encarou, frio:
— Foi você quem não deixou ela vir?
Gabriel respondeu com tranquilidade:
— Eu não sou você.
— Eu não forço a Aurora a fazer nada que ela não queira.
Ricardo soltou uma risada fria.
— Eu salvei a Auro.
— E a Lívia nunca mais vai aparecer.
— Eu vivi anos com ela… tivemos um filho…
— Com o que você pode competir comigo?
Gabriel olhou para ele.
Como se estivesse olhando para alguém digno de pena.
— Você ainda tem coragem de falar desse filho?
Ele já sabia de tudo.
Aurora havia contado.
— Se você não tivesse voltado a se envolver com a Lívia…
— se não tivesse machucado a Aurora tantas vezes por causa dela…
— você acha que ela teria abortado um bebê de cinco meses?
— Você diz que a ama…
— então como conseguiu assinar o divórcio sem nem perceber?
Ricardo ficou agitado:
— Foi culpa da Lívia! Foi por causa dela que tudo isso aconteceu!
Gabriel balançou a cabeça.
— Não.
— Tudo isso é culpa sua.
— A Lívia foi só uma desculpa.
— Ela não te obrigou a ficar com ela.
— Não te obrigou a sentir saudade dela enquanto era casado.
— E também não te obrigou a assinar aquele divórcio.
Ele olhou diretamente nos olhos de Ricardo.
Como se estivesse dando o veredito final.
— Ricardo Vasconcelos…
— foi você quem destruiu a própria felicidade.
Ricardo ficou em silêncio.
A dor no rosto dele era evidente.
Mas Gabriel ainda acrescentou:
— E, sinceramente… eu deveria te agradecer.
Ele fez uma pausa.
— Se não fosse você… eu nunca teria a chance de ficar ao lado da Aurora.