Ela foi direto ao destino.
Nas ruas onde o aroma de vinho e canela pairava no ar… caminhava hesitante.
Mas não tinha coragem de entrar na empresa dele.
Aquele mundo fechado… onde só existia Mateus.
Mas, felizmente… quando a neve do norte caía suavemente sobre seus ombros… ela o viu.
Ele saía do prédio, rodeado por colegas.
Depois de se despedir deles… virou-se — e a viu.
Por um instante, ficou surpreso.
Mas logo… voltou à calma.
Helena percebeu seu olhar.
Levantou a mão, nervosa, tentando cumprimentar…
Mas ele apenas assentiu levemente.
Como se estivesse diante de uma desconhecida.
Ela… não teve coragem de se aproximar.
E, por muito tempo… só ousou segui-lo de longe.
Quando ele quase perdeu o ônibus, ela correu para ajudar… mas viu que ele mesmo acenava para o motorista.
Quando ele encontrou um bêbado na rua, ela pegou um galho para protegê-lo… mas viu que ele já havia pegado uma pedra e reagido.
Quando alguém tentou furar fila, ela se preparou para intervir… mas ele já estava discutindo por conta própria.
Ao ver tudo isso… o medo dentro de Helena só aumentava.
Aquele Mateus… que sempre cresceu sob sua proteção… já não precisava mais dela.
A sensação de tentar segurar algo com força… e ainda assim vê-lo escapar pelos dedos… era insuportável.
Finalmente, ela não aguentou mais.
Correu da multidão… e segurou o pulso dele com força.
“Mateus… Mateus…”
Ela o segurava… mas não sabia o que dizer.
Pedir desculpa?
Ele não precisava.
Implorar?
Ele não perdoaria.
Mesmo assim… sua mão apertava cada vez mais.
Sabia o que viria… mas ainda assim insistia.
Como esperado—
Mateus se soltou com força.
Seus olhos… cheios de irritação.
“O que você está fazendo? Se encostar em mim de novo, eu chamo a polícia!”
Helena respirava trêmula.
Segurando a dor no peito, falou com a voz rouca:
“Desculpa… Mateus… eu só senti sua falta…”
“Mas eu não quero te ver.”
Ele respondeu frio.
Virou-se para ir embora.
Mas ela o seguiu novamente.
“Mateus, me escuta…”
“Não temos nada para conversar. Se você continuar me seguindo, eu vou sair daqui. Vou para um lugar onde ninguém me encontre.”
Ele a encarou com frieza.
O olhar dele era como gelo.
Dizia claramente:
ele faria isso.
O rosto de Helena ficou vermelho de emoção.
Seus lábios tremiam, tentando se conter.
“Não… não vai embora… Mateus. Eu errei… eu realmente errei… eu só queria saber como você está… por favor, não desaparece de novo…”
“Então não me incomoda. Nunca mais.”
O sinal abriu.
A multidão começou a se mover.
Com sapatos elegantes brilhando sob a luz…
Mateus caminhou, confiante, entre as pessoas.
Aquele garoto que precisava de proteção…
já não existia mais.
Agora… ele era a melhor versão de si mesmo.
Helena ficou parada, vendo-o se afastar.
Mas não teve coragem de segui-lo.
Continuou como antes… como alguém que observa de longe uma felicidade que não pode mais alcançar.
Até que o visto expirou.
Sem conseguir renová-lo… e se recusando a ir embora… foi detida.
Antes de ser levada… correu até a frente da empresa dele.
Apenas para vê-lo uma última vez.
“Mateus… adeus…”
Ela sorriu, com lágrimas nos olhos.
Sem resistir à agressividade dos policiais… apenas olhava para ele, com apego.
O coração dele… vacilou por um instante.
Mas foi passageiro.
Ele seguiu em frente.
Três semanas depois… foi promovido a supervisor regional.
A empresa organizou uma grande festa.
Quando a noite caiu… fogos de artifício explodiram no céu, refletindo nas janelas de vidro.
Na luz que se desfazia… ele achou ver uma figura familiar.
Mas apenas sorriu de leve… e continuou recebendo os parabéns.
Talvez Helena tivesse voltado.
Mas o futuro entre eles… não existia mais.
Eu sou eu.
A melhor versão de mim mesmo.
FIM