《Eles Me Deixaram Morrer Pelo Meu Dinheiro》Capítulo 18

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Sérgio respondeu:

"Agora não é recomendável."

Ela virou.

"Eu não perguntei."

Augusto falou:

"Mariana."

"Não."

"Escuta."

"Eu já escutei demais."

Ela caminhou até a porta.

Rafael bloqueou apenas com o corpo, sem tocá-la.

"Com licença."

Ele respondeu:

"Se quiser sair, eu não posso impedir."

"Então sai."

"Mas preciso acompanhar."

Ela riu de raiva.

"Claro."

Augusto se aproximou.

"Por favor."

A palavra a fez parar.

Não era comum ouvi-lo pedir.

"Fica."

Mariana virou.

"Por você?"

"Por mim."

"Ou pelo plano?"

Augusto respondeu sem hesitar:

"Por você."

Silêncio.

"Se você sair agora e Caio mudar a rota, eu não consigo garantir nada."

"Você nunca consegue garantir."

"Eu sei."

Ela ficou parada.

"Foi você mesma quem me ensinou isso."

Mariana lembrou.

Hospital.

Medicamento.

Respiração falhando.

Nenhum dinheiro havia garantido que ele sobreviveria.

Augusto continuou:

"Mas aqui eu consigo chegar o mais perto possível."

Ela olhou para os monitores.

Depois para ele.

"Quanto tempo?"

Sérgio respondeu:

"Não sabemos."

"Até acontecer."

"Sim."

Mariana fechou os olhos.

"Eu odeio essa resposta."

"Eu também."

Ela voltou para a sala.

"Se eu ficar, quero saber tudo."

Augusto assentiu.

"Sem filtro."

"Sim."

"Sem metade."

"Sim."

"Sem segredo."

"Sim."

Mariana apontou para Sérgio.

"E se alguma coisa mudar, eu descubro junto."

Sérgio respondeu:

"Combinado."

"Não combinado."

Ela corrigiu.

"É condição."

Ele assentiu.

"Condição."

As horas seguintes foram estranhas.

Silenciosas demais.

Mariana tentou ler.

Não conseguiu.

Augusto tentou descansar.

Também não.

Sérgio permanecia diante dos monitores.

Rafael fazia rondas.

À meia-noite e quarenta, nada.

À uma e vinte, nada.

À uma e cinquenta e sete, um carro passou devagar diante do prédio.

Sérgio acompanhou.

Seguiu adiante.

Mariana percebeu que estava apertando as mãos.

Augusto sentou ao lado.

"Quer café?"

Ela olhou para ele.

"Você consegue pensar em café agora?"

"Consigo."

"Como?"

"Prática."

"Isso não é normal."

"Eu sei."

Às duas e seis, Sérgio recebeu uma mensagem.

A expressão mudou.

Augusto viu.

"O quê?"

"Marcelo perdeu contato."

Mariana ficou tensa.

"Isso é ruim?"

"Pode ser."

Rafael entrou.

"Movimento na Rua Augusta."

Sérgio abriu outra tela.

Um mapa apareceu.

Dois sinais se moviam.

"São eles?"

"Possivelmente."

Augusto levantou.

Mariana também.

"Agora?"

Sérgio não respondeu.

Uma câmera externa mostrou faróis virando a esquina.

Um carro escuro.

Depois outro.

Mariana sentiu o estômago apertar.

Os veículos reduziram a velocidade.

Passaram uma vez.

Não pararam.

Augusto observou.

"Reconhecimento."

Sérgio assentiu.

"Provavelmente."

Os carros desapareceram.

Cinco minutos.

Nada.

Dez.

Nada.

Às duas e treze da manhã, reapareceram.

Dessa vez pararam.

Um de cada lado da rua.

Mariana se aproximou da tela.

A primeira porta abriu.

Caio saiu.

Ela reconheceu imediatamente.

O mesmo rosto do hospital.

Mas agora não havia camisa branca impecável.

Usava roupa escura.

Boné.

Luvas.

A segunda porta abriu.

Renato.

Ele parecia diferente.

Tenso.

Pálido.

Olhou para todos os lados.

Depois mais quatro homens saíram dos veículos.

Mariana contou.

"Seis."

Sérgio respondeu:

"Sim."

Augusto permaneceu imóvel.

Um dos homens abriu o porta-malas.

Retirou uma bolsa comprida.

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Mariana sentiu o sangue gelar.

"Isso é..."

"Sim."

Sérgio já falava pelo rádio.

"Posições."

As telas começaram a mudar.

Câmeras internas.

Corredores.

Escada.

Garagem.

Entradas laterais.

Rafael fechou uma porta metálica.

O clique ecoou pela sala.

Mariana olhou para Augusto.

Ele estava mais calmo do que nunca.

"Você sabia."

"Eu esperava."

"Não é a mesma coisa?"

"Não."

Na tela, Caio fez um gesto.

Dois homens avançaram.

Outro permaneceu perto do carro.

Renato segurou o braço do irmão.

Parecia dizer alguma coisa.

O áudio externo captou fragmentos.

"Isso está errado."

Caio se soltou.

"Agora é tarde."

Um dos homens entregou algo a ele.

Caio colocou na cintura.

Depois recebeu uma arma longa.

Mariana sentiu a garganta secar.

"Meu Deus."

Augusto não desviou os olhos da tela.

Caio puxou o mecanismo da arma.

O som metálico chegou até o microfone externo.

Sérgio falou pelo rádio:

"Confirmado. Armados."

Rafael respondeu:

"Todos em posição."

Mariana olhou para Augusto.

"Você ainda quer café?"

Ele virou para ela.

"Agora mais do que antes."

Caminhou até uma pequena bancada.

Pegou a garrafa térmica.

Serviu devagar.

Como se lá fora não houvesse seis homens armados se preparando para entrar.

Mariana observou, incrédula.

Augusto colocou a xícara sobre a mesa.

Na tela, Caio levantou a mão.

Os outros avançaram para a porta principal.

Augusto pegou o café.

Olhou para o monitor.

Então disse:

"Agora começa."

Parte 10

Escolha

"Agora começa."

Augusto mal terminou a frase quando o primeiro homem atingiu a porta de vidro do saguão.

O impacto ecoou pelo prédio inteiro.

Mariana ficou imóvel diante dos monitores.

Na tela principal, Caio apontava para a entrada enquanto dois homens avançavam com barras metálicas e outro mantinha a arma levantada.

Renato permanecia alguns passos atrás.

Parecia querer ir embora.

Mas não foi.

O segundo golpe quebrou a primeira camada do vidro.

O terceiro abriu uma passagem.

"Entraram", Rafael avisou pelo rádio.

Sérgio respondeu:

"Esperem."

Mariana virou para ele.

"Esperar o quê?"

"Todos entrarem."

Ela olhou para Augusto.

"Você vai realmente deixar os seis passarem?"

"Até o ponto certo."

"Augusto..."

"Confia em mim."

Mariana riu de nervoso.

"Essa frase perdeu completamente o valor nas últimas semanas."

Na tela, Caio atravessou o saguão.

Um dos homens tentou desligar a câmera principal.

Sérgio quase sorriu.

"Aquela é falsa."

"Tem câmera falsa?"

Mariana perguntou.

"Temos várias."

"E as verdadeiras?"

Sérgio apontou discretamente para a tela.

"Ele nunca vai encontrar."

Outro homem entrou.

Depois outro.

Por último, Renato atravessou a porta quebrada.

Sérgio contou em voz baixa:

"Um."

"Dois."

"Três."

"Quatro."

"Cinco."

"Seis."

O dedo dele tocou um comando.

As luzes do saguão apagaram.

Tudo mergulhou na escuridão.

Mariana ouviu Caio gritar através do áudio.

"Que merda é essa?"

Um segundo depois, houve um estrondo metálico.

Depois outro.

Depois mais três.

Portas de aço desceram de compartimentos escondidos no teto.

A entrada desapareceu atrás de uma barreira blindada.

A escada foi bloqueada.

O acesso ao elevador também.

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Por fim, uma divisória transparente caiu diante deles.

Vidro balístico.

Os seis homens ficaram presos numa passagem estreita.

Renato olhou em volta.

O rosto perdeu a cor.

"Caio."

"Fica quieto."

"Caio."

"Eu disse para ficar quieto."

"Isso é uma armadilha."

Caio bateu na parede transparente.

Nada aconteceu.

Um dos homens levantou a arma.

"Atira?"

Caio olhou ao redor.

"Espera."

Luzes vermelhas de emergência se acenderam.

O corredor surgiu inteiro.

Branco.

Fechado.

Sem saída.

Os seis homens pareciam animais dentro de uma vitrine.

Mariana sentiu um arrepio.

"Foi feito para isso?"

Augusto respondeu:

"Para conter invasores sem confronto imediato."

"Quantas vezes você imaginou usar?"

"Nenhuma."

"Até seus filhos aparecerem."

Ele não respondeu.

Na tela, Caio finalmente viu uma câmera.

Apontou a arma.

"Augusto!"

A voz dele ecoou pelo sistema.

"Eu sei que você está aqui!"

Augusto colocou a xícara sobre a mesa.

Sérgio olhou para ele.

"Quer responder?"

"Sim."

Um microfone foi ativado.

Augusto se aproximou.

"Estou ouvindo."

Caio congelou.

Renato fechou os olhos.

"Abre essa porta!", Caio gritou.

"Não."

"Você acha que isso é engraçado?"

"Não."

"Então abre!"

Augusto respondeu com calma:

"Você entrou armado numa propriedade protegida. Não vejo motivo para facilitar seu caminho."

Caio bateu no vidro.

"Mariana está aí?"

Augusto não respondeu.

Caio sorriu.

"Está."

Renato se aproximou.

"Caio, chega."

"Você cala a boca."

"Isso acabou."

"Não acabou."

"Olha em volta!"

Caio apontou a arma para ele.

Renato ficou imóvel.

Mariana levou a mão à boca.

"Ele apontou para o próprio irmão."

Sérgio respondeu:

"Agora está tudo sendo registrado."

"Quantas câmeras?"

"Quatorze nesse setor."

Caio voltou a olhar para o teto.

"Mariana!"

Nada.

"Eu sei que você consegue me ouvir!"

Mariana respirou fundo.

Augusto fez um gesto de não.

Ela ignorou.

"Eu estou ouvindo."

A voz dela saiu pelo sistema.

Caio ergueu o rosto.

"Finalmente."

"Vai embora."

Ele riu.

"Abre a porta."

"Não."

"Traz os documentos."

"Não existem documentos que você possa usar."

"Mentira."

"Você não entendeu nada."

"Eu entendi o suficiente."

"Não."

Mariana sentiu a voz ficar mais firme.

"Você acha que eu posso simplesmente devolver as patentes."

"Pode."

"Não posso."

"Pode, sim."

"Mesmo que eu quisesse, existe um processo."

Caio ficou irritado.

"Para de enrolar."

"Setenta e duas horas."

Renato ergueu os olhos.

Caio olhou para ele.

"O quê?"

Mariana continuou:

"Consentimento livre. Advogado independente. Validação. Prazo de setenta e duas horas."

Renato ficou completamente pálido.

"Eu falei."

Caio virou.

"Falou o quê?"

"Eu falei que tinha alguma trava."

"Você não tinha certeza."

"Agora tenho."

Caio apontou a arma para a parede.

"Então ela inicia o processo agora."

Mariana respondeu:

"Não."

"Mariana!"

"Mesmo que você me obrigasse, não funcionaria."

Caio ficou em silêncio.

Ela continuou:

"Se eu desaparecer, a estrutura muda."

Renato entendeu antes.

"Caio."

Ele não respondeu.

"Caio."

"Fala."

"Se ela desaparecer, provavelmente vai para um fundo."

Caio virou lentamente.

"Como você sabe?"

"Porque é o que eu faria."

Mariana respondeu pelo sistema:

"Vai."

Silêncio.

"Se eu morrer, vocês perdem qualquer chance de controlar essas patentes."

Um dos homens armados olhou para Caio.

"Você falou que era só pegar assinatura."

Caio respondeu:

"É."

Mariana continuou:

"Ele mentiu para vocês."

Outro homem recuou.

"Que história é essa?"

Caio apontou a arma para ele.

"Ninguém vai sair daqui."

Renato explodiu:

"Para de apontar essa arma para todo mundo!"

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