《Eles Me Deixaram Morrer Pelo Meu Dinheiro》Capítulo 12

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Mariana atendeu.

"Oi."

Do outro lado, uma voz acelerada.

"Mariana, o que está acontecendo?"

"Nada."

"Nada? Seu nome está em todos os portais."

"É uma confusão."

"Você conhece Augusto Valença?"

Mariana olhou para ele.

"Conheço."

"Desde quando?"

"É complicado."

"Você está com ele?"

"Sim."

A amiga ficou muda.

Depois quase gritou.

"Você está com ele?"

"Não desse jeito."

"Que jeito?"

"Meu Deus."

Mariana desligou.

Imediatamente outra ligação.

Depois outra.

Ela colocou o celular no silencioso.

"Isso vai destruir minha vida."

Augusto respondeu:

"Não."

Ela virou.

"Não?"

"Vai ficar ruim por alguns dias."

"Tem gente na minha porta perguntando se eu durmo com você."

Augusto fechou a boca.

Mariana apontou para o celular.

"Minha faculdade está ligando."

"Eu resolvo."

"Não."

"Mariana."

"Você não resolve minha vida."

"Eu posso reduzir o problema."

"Esse problema existe por sua causa."

"Eu sei."

A frase saiu sem defesa.

Mariana parou.

Augusto continuou:

"Eu sei."

Ela respirou fundo.

Do lado de fora, ouviram vozes se afastando.

Homens começaram a pedir que os jornalistas deixassem o corredor.

Alguns protestaram.

Algumas portas bateram.

Depois o silêncio voltou.

Mariana sentou.

"Isso foi só o começo, não foi?"

Augusto não respondeu.

Ela já sabia.

Nas horas seguintes, a história cresceu.

Muito.

A imprensa encontrou tudo o que podia sobre Mariana.

Onde estudava.

Em que hospital fazia internato.

A faculdade.

O bairro.

Uma fotografia antiga em uma festa universitária.

Uma imagem da formatura do ensino médio.

Fotos com amigos.

Seu currículo.

Até uma postagem de quatro anos antes sobre a morte da mãe reapareceu.

Mas fatos não eram suficientes.

Então começaram as invenções.

Uma conta anônima publicou:

"Ela já sabia quem ele era."

Outra:

"Não existe almoço grátis. Muito menos antibiótico."

Outra:

"Vinte e poucos anos, bilionário de quase setenta. Façam as contas."

Mariana leu até as mãos começarem a tremer.

Depois bloqueou o celular.

Cinco minutos mais tarde, abriu de novo.

Augusto observou.

"Para de ler."

"Não consigo."

"Isso não vai ajudar."

"Estão falando que eu planejei tudo."

"Eu sei."

"Tem gente dizendo que eu escolhi você no hospital."

"Eu sei."

"Como se eu tivesse ido procurar um bilionário morrendo no corredor."

"Mariana."

Ela mostrou a tela.

"Olha isso."

Augusto não quis.

Ela leu:

"Estudante teria insistido em tratamento particular enquanto empresário estava incapaz de consentir."

Augusto endureceu.

"De onde veio isso?"

"Não sei."

Ela continuou.

"Fontes ligadas à família afirmam que Augusto Valença pode ter sido influenciado durante período de vulnerabilidade."

Silêncio.

Mariana olhou para ele.

"Fontes ligadas à família."

Augusto respondeu:

"Caio."

"Ou Renato."

"Ou os dois."

Ela ficou em choque.

"Então eles estão fazendo isso de propósito."

"Sim."

"Para quê?"

"Para pressionar você."

"Eu?"

"Se você sair, eles acreditam que o plano desmorona."

Mariana levantou.

"Então eu saio."

Augusto franziu a testa.

"Não."

"Pronto."

"Mariana."

"Resolveu."

"Não."

Ela começou a andar pela sala.

"Meu nome não precisa estar em instituto nenhum."

"Não é tão simples."

"É, sim."

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"Não é."

"Você mesmo disse que não quero seu dinheiro."

"E eu acredito."

"Então tira meu nome."

Augusto ficou em silêncio.

Ela apontou para ele.

"Tira."

"Não vou fazer isso agora."

"Por quê?"

"Porque seria exatamente o que eles querem."

"Eu não me importo com o que eles querem."

"Eu me importo."

"Claro."

Mariana pegou a mochila.

"Você vive em guerra."

"Não."

"Vive, sim."

"Eu estou terminando uma."

"E colocou meu nome no meio."

"Eu tentei proteger..."

"Não fala que tentou me proteger."

Ela segurou a própria voz para não gritar.

"Eu tinha uma vida pequena, Augusto."

Ele ficou quieto.

"Pequena, apertada, cansativa e cheia de dívida."

Ela respirou fundo.

"Mas era minha."

"Continua sendo."

"Não."

Mariana mostrou o celular.

"Agora tem milhares de pessoas discutindo se eu sou golpista."

Augusto respondeu:

"Eles vão esquecer."

"E a faculdade?"

"Eu posso falar com..."

"Você não vai ligar para ninguém."

"Mariana."

"Eu não quero favores."

"Não é favor."

"É sempre favor quando vem de um bilionário."

Augusto recebeu a frase como uma pancada.

Ela percebeu.

Mas estava cansada demais para recuar.

No Grupo Valença, Caio observava o efeito das manchetes em uma sala emprestada.

Um homem diante dele digitava em um notebook.

"Está crescendo."

"Quanto?"

"O nome dela entrou nos assuntos mais comentados."

Caio sorriu.

"E a história do consentimento?"

"Alguns portais menores publicaram."

"Quero maior."

"Para isso precisa de documento."

Caio colocou uma pasta sobre a mesa.

O homem abriu.

Dentro havia uma cópia de um formulário.

"Isso é verdadeiro?"

"Parte."

"E o resto?"

"Adaptação."

O homem ficou desconfortável.

"Caio, isso parece uma declaração clínica."

"É a ideia."

"Tem assinatura."

"Digitalizada."

"Isso pode dar problema."

Caio se inclinou.

"Eu estou pagando para você pensar em problema ou resolver?"

O homem ficou calado.

Caio apontou para o documento.

O texto sugeria que Augusto apresentava confusão mental durante a internação.

Não dizia que Mariana o coagiu.

Mas, junto com a narrativa certa, parecia insinuar exatamente isso.

"Publica como vazamento."

"E se rastrearem?"

"Não vão."

"Renato sabe disso?"

Caio endureceu.

"Renato não precisa saber."

O homem assentiu.

Poucas horas depois, a falsa ficha já circulava.

Mariana recebeu durante uma aula.

Ela havia insistido em voltar à faculdade apesar de Augusto dizer que não era seguro.

Entrou na sala tentando ignorar olhares.

Não conseguiu.

Duas pessoas cochicharam.

Outra fingiu não olhar.

O professor começou a aula.

Dez minutos depois, uma colega colocou o celular sobre a mesa.

"Mariana."

Ela olhou.

A manchete dizia:

"Documento indica alteração cognitiva de Augusto Valença durante decisões tomadas após internação."

Seu coração acelerou.

Abriu.

Leu.

Havia menção à estudante que estivera presente.

Não citava diretamente que ela o obrigara a assinar.

Mas os comentários completavam o trabalho.

"Golpe."

"Ela manipulou um idoso doente."

"Prendam essa mulher."

"Devolva o dinheiro."

Mariana fechou o celular.

Levantou.

Saiu da sala.

No corredor, respirou fundo.

Não adiantou.

A primeira lágrima caiu.

Ela limpou rapidamente.

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Outra veio.

Então outra.

A amiga que ligara pela manhã apareceu.

"Mariana."

"Não."

"Espera."

"Eu preciso ir."

"A gente acredita em você."

Mariana parou.

A frase quase piorou tudo.

"Quem é a gente?"

"Eu, a Júlia, o Pedro..."

"E os outros?"

A amiga hesitou.

Mariana riu sem humor.

"Exatamente."

Ela saiu.

Quando chegou ao apartamento, Augusto estava com Helena.

Havia papéis sobre a mesa.

Mariana entrou e colocou a mochila no chão.

Os dois olharam para ela.

Augusto percebeu imediatamente.

"O que aconteceu?"

Ela abriu a notícia.

Colocou o celular diante dele.

"Isso."

Helena leu.

Seu rosto mudou.

"É falso."

"Eu sei."

"Esse documento foi adulterado."

"Eu sei."

"Vamos agir judicialmente."

Mariana balançou a cabeça.

"Não."

Augusto levantou.

"Mariana."

Ela olhou para ele.

Os olhos estavam vermelhos.

"Tira meu nome."

Silêncio.

"Do instituto."

Augusto não respondeu.

"Das patentes."

"Mariana..."

"De tudo."

Helena fechou a pasta.

"Talvez seja melhor conversarmos..."

"Não tem conversa."

Mariana olhou para Augusto.

"Eu não aguento mais."

Ele ficou parado.

"Ontem eu era uma estudante atrasada no aluguel."

A voz dela começou a falhar.

"Hoje sou chamada de amante, golpista e aproveitadora por gente que nunca viu meu rosto."

"Isso vai passar."

"Você não pode prometer."

"Posso lidar com..."

"Você não entende."

Ela gritou pela primeira vez.

"Você sempre foi Augusto Valença."

Ele se calou.

"Você entra numa sala e as pessoas têm medo de falar seu nome errado."

Ela apontou para si.

"Eu não tenho isso."

"Eu posso te proteger."

"Eu não quero viver precisando da sua proteção."

Augusto respirou fundo.

"Então o que você quer?"

Mariana respondeu imediatamente:

"Minha vida de volta."

A sala ficou em silêncio.

Helena olhou para Augusto.

Ele caminhou até uma pequena pasta que havia trazido do hospital.

Abriu.

Retirou um aparelho.

"Vem aqui."

Mariana não se mexeu.

"Não quero ver documento."

"Não é documento."

Augusto colocou o aparelho sobre a mesa.

Era um tablet.

Abriu um arquivo de vídeo.

Mariana reconheceu o corredor do hospital.

A data apareceu no canto.

A noite em que se conheceram.

"Augusto..."

"Assiste."

Ele deu início.

Caio apareceu na imagem.

O áudio era ruim, mas suficiente.

Mariana viu quando ele pegou o prontuário.

Viu quando discutiu com a equipe.

Depois veio o momento.

Caio jogou as folhas na lixeira.

Renato estava ao lado.

Não o impediu.

Alguns minutos depois, a própria Mariana apareceu.

A imagem mostrava quando ela viu os papéis.

Quando se abaixou.

Quando retirou o prontuário do lixo.

Quando correu os olhos pelos exames.

Quando olhou para Augusto no chão.

Mariana ficou imóvel.

Augusto avançou o vídeo.

Caio e Renato saíam.

Ela permanecia.

Depois o vídeo mostrava Mariana correndo.

Chamando médico.

Acompanhando equipe.

Segurando a mão de Augusto.

Ninguém poderia assistir àquilo e imaginar que ela havia chegado com algum plano.

Ela nem sabia quem ele era.

Augusto pausou.

"Olha para mim."

Mariana não queria.

Ele esperou.

Ela finalmente levantou os olhos.

"Você não tirou nada deles."

Ela ficou em silêncio.

Augusto continuou:

"Eles perderam tudo sozinhos."

Mariana respirou fundo.

"Não importa o que aconteceu de verdade se ninguém acredita."

"Então vamos fazer a verdade aparecer."

"Como?"

Augusto respondeu:

"Com tudo."

Helena abriu outra pasta.

"Temos registros médicos, horários, transações, testemunhas, gravações e o histórico de acesso."

Mariana olhou para ela.

"Gravações?"

Helena assentiu.

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