《Eles Me Deixaram Morrer Pelo Meu Dinheiro》Capítulo 11

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"Não."

"Mariana."

"Não."

Helena permaneceu calada.

Augusto continuou:

"Atendimento médico em regiões com menos recursos."

"Não."

"Programas de acesso a antibióticos."

"Augusto."

"Pesquisa para médicos jovens."

"Eu disse não."

"E sua formação."

Mariana bateu a mão na mesa.

"Chega."

A sala ficou silenciosa.

"Você enlouqueceu?"

"Não."

"Eu salvei sua vida. Não comprei uma participação nela."

"Eu sei."

"Então para."

"Escuta."

"Não quero seu dinheiro."

"Não estou tentando te pagar."

"Parece exatamente isso."

"Se eu quisesse te pagar, faria uma transferência."

"Então o que é?"

"Confiança."

Mariana riu.

"Você me conhece há uma semana."

"Conheço gente há trinta anos que tentou me deixar morrer."

Ela se calou.

Augusto prosseguiu:

"Tempo não garante caráter."

"Também não garante que eu seja a pessoa certa."

"Por isso existe Helena."

A advogada falou pela primeira vez:

"E por isso existem regras."

Mariana olhou para ela.

"Que regras?"

"Você não receberia as patentes na sua conta pessoal."

"Ótimo, porque não quero."

"O instituto teria finalidade pública."

"Continua sendo absurdo."

"Governança independente."

"Helena."

"Auditoria externa."

"Não quero ser dona de nada."

Augusto respondeu:

"Você não seria dona."

"Meu nome estaria lá."

"Sim."

"Por quê?"

"Porque quero que esteja."

"Isso não é motivo."

"É para mim."

Mariana respirou fundo.

"Você está reagindo à culpa."

Augusto franziu a testa.

"Não."

"Está."

"Não estou."

"Seus filhos te traíram e agora você quer substituir tudo por uma desconhecida que fez uma coisa boa."

Augusto ficou sério.

"Você não é substituta de ninguém."

"Então não me coloca no meio dessa guerra."

"Você já está."

Mariana recuou.

"Como?"

Helena e Augusto trocaram um olhar.

Mariana percebeu.

"O que vocês não estão me contando?"

Augusto respondeu:

"Nada ainda."

"Essa é uma péssima resposta."

Helena fechou a pasta.

"A proposta pode ser analisada com calma."

"Não preciso analisar."

"Precisa."

"Minha resposta é não."

Augusto a encarou.

"Por que?"

"Porque eu não salvei você para receber alguma coisa."

"Eu sei."

"Você continua dizendo isso."

"Porque é exatamente por isso que eu confio em você."

Mariana ficou imóvel.

Augusto se aproximou.

"Se tivesse pedido dinheiro, eu pagaria."

"Não pedi."

"Se tivesse perguntado quem eu era antes de ajudar, eu entenderia."

"Não perguntei."

"Se tivesse tentado usar meu nome depois, eu teria descoberto."

"Não tentei."

"Eu sei."

Ele colocou a mão sobre a pasta.

"É exatamente por isso que eu confio em você."

Mariana abaixou os olhos.

Por alguns segundos, não respondeu.

Helena observava os dois.

Então o celular dela vibrou.

Ela olhou para a tela.

A expressão mudou.

Augusto percebeu.

"Problema?"

Helena respondeu:

"Talvez."

"Caio?"

"Não diretamente."

Mariana levantou o rosto.

Helena guardou o aparelho.

"Alguém acessou informações sobre a reorganização patrimonial."

Augusto ficou sério.

"Quem?"

"Ainda estou verificando."

"Quanto sabem?"

Helena hesitou.

"Sabem que existem patentes."

Mariana sentiu um arrepio.

"E meu nome?"

Helena olhou para ela.

"Talvez."

Do outro lado da cidade, Caio estava sozinho em um escritório emprestado por um antigo conhecido.

O apartamento de luxo onde morava ainda era dele.

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Mas tudo que parecia realmente importante em sua vida estava sendo bloqueado um item de cada vez.

Cartões.

Acessos.

Reuniões.

Contatos.

Poder.

Renato havia saído horas antes depois de uma discussão.

Caio permaneceu diante de um notebook.

Um homem ligado ao setor administrativo do Grupo Valença enviara uma mensagem.

"Tenho algo."

Caio respondeu imediatamente.

"O quê?"

"Movimentação no fundo privado."

"Que movimentação?"

"Documentos de propriedade intelectual."

O coração dele acelerou.

"Quais?"

"Não consigo ver tudo."

"Então descobre."

"Isso pode me custar o emprego."

"Eu pago."

A resposta demorou.

Depois chegou um arquivo.

Caio abriu.

Havia poucas informações.

Nomes de três tecnologias.

Referências a licenciamento.

Uma estrutura nova em formação.

E um nome.

Instituto Reis-Valença.

Caio ficou parado.

"Reis?"

Digitou outra mensagem.

"Quem é Reis?"

O homem respondeu:

"Estou tentando descobrir."

Poucos minutos depois, chegou uma fotografia.

Era uma imagem retirada de uma câmera do hospital.

Mariana de uniforme azul.

O prontuário de Augusto nas mãos.

Caio ampliou.

Reconheceu imediatamente.

A estudante.

A garota que o enfrentara no corredor.

A mesma que dissera que Augusto poderia morrer naquela noite.

Ele ficou olhando para o rosto dela.

Então abriu outra mensagem.

"Há indicação de que Augusto pretende colocar os três ativos principais sob uma estrutura ligada a essa mulher."

Caio apertou o celular com força.

Tudo começou a se encaixar.

O hospital.

O desaparecimento de Augusto.

Os bloqueios.

A nova estrutura.

Aquela garota.

Ele ampliou novamente a fotografia de Mariana.

Ficou vários segundos em silêncio.

Depois murmurou:

"Então é ela."

Parte 6

A Nova Herdeira

"Então é ela."

Caio continuou olhando para a fotografia de Mariana na tela do celular.

Uniforme azul desbotado.

Cabelo preso de qualquer jeito.

Olheiras de quem dormia pouco.

Nada naquela imagem combinava com a mulher que, segundo as informações que ele acabara de receber, podia se tornar o centro de uma das maiores reorganizações patrimoniais do Grupo Valença.

E isso o irritava ainda mais.

"Uma estudante."

Ele ampliou a foto.

"Uma maldita estudante."

O celular vibrou.

Era Renato.

Caio atendeu sem cumprimentar.

"Você viu?"

"Vi o quê?"

"Para de fingir."

"Estou dirigindo."

"Instituto Reis-Valença."

Houve um silêncio curto.

Renato respondeu:

"Quem te passou isso?"

"Não interessa."

"Interessa, sim."

"Augusto está transferindo ativos."

"Eu sei."

Caio ficou imóvel.

"Como você sabe?"

"Porque eu não sou idiota."

"Desde quando?"

"Desde hoje à tarde."

"E não me falou?"

"Eu estava tentando entender antes de sair gritando."

Caio levantou da cadeira.

"Ele vai entregar as patentes para ela."

"Talvez."

"Talvez?"

"Você não sabe como a estrutura foi montada."

"Tem o nome dela."

"E daí?"

"E daí que ela apareceu no hospital, ele sobreviveu e uma semana depois tem um instituto com o sobrenome dela."

Renato respirou fundo.

"Caio, pensa."

"Estou pensando."

"Não parece."

Caio bateu a mão na mesa.

"Ela fez isso."

"Fez o quê?"

"Entrou na cabeça dele."

Renato ficou em silêncio.

"Você está ouvindo?"

"Estou."

"Ela viu um velho quase morto e percebeu a oportunidade."

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"Isso é uma teoria."

"É óbvio."

"Não é."

"Então explica."

Renato respondeu com calma:

"Ela pagou pelo remédio antes de saber quem ele era."

Caio parou.

"Quem te disse?"

"Tenho fontes melhores que as suas."

"Isso não prova nada."

"Prova que essa história é mais complicada."

Caio riu.

"Você já está defendendo ela?"

"Estou tentando evitar que você faça alguma coisa estúpida."

"Augusto está tirando nosso patrimônio."

"Não é nosso."

A frase saiu automática.

Caio ficou em silêncio.

Renato percebeu o erro.

Tarde demais.

"Repete."

"Você entendeu."

"Não. Repete."

"Legalmente, não é nosso."

"Ah."

Caio riu sem humor.

"Agora você virou advogado dele."

"Estou dizendo como as coisas são."

"Você estava no hospital comigo."

"Eu sei."

"Você ouviu o que eu ouvi."

"Eu sei."

"Você queria o dinheiro tanto quanto eu."

Renato baixou a voz.

"Fala menos."

"Está com medo?"

"Estou com bom senso."

Caio desligou.

Ficou alguns segundos parado.

Então abriu novamente a fotografia de Mariana.

Quanto mais olhava, mais a raiva crescia.

Se Augusto queria guerra, ele teria guerra.

Mas Caio sabia de uma coisa.

Não precisava atacar Augusto diretamente.

Bastava atacar a pessoa que agora parecia importar para ele.

Na manhã seguinte, Mariana acordou com alguém batendo na porta.

Não era uma batida normal.

Eram socos.

Secos.

Insistentes.

Ela abriu os olhos assustada.

Augusto já estava acordado.

Sentado na poltrona, segurando o celular.

"Não abre."

Mariana olhou para ele.

"Por quê?"

Outra sequência de batidas.

"Mariana Reis!"

Uma voz masculina veio do corredor.

"Mariana, você pode responder algumas perguntas?"

Ela congelou.

"Quem é?"

Augusto se levantou devagar.

"Imprensa."

"Imprensa?"

Outra voz surgiu.

"Mariana! É verdade que Augusto Valença transferiu patrimônio para você?"

Ela empalideceu.

"Como descobriram meu endereço?"

Augusto já estava ligando para alguém.

"Não abre."

"Eu não ia abrir."

Mais vozes.

"Você conhecia Augusto antes da internação?"

"Existe relacionamento amoroso entre vocês?"

"Quanto você vai receber?"

Mariana ficou completamente imóvel.

"Relacionamento amoroso?"

Augusto fechou os olhos.

"Era questão de tempo."

"Questão de tempo?"

Ela virou para ele.

"Você sabia que isso podia acontecer?"

"Sabia."

"E não falou?"

"Eu esperava ter mais alguns dias."

"Ótimo."

Ela passou a mão no rosto.

"Mais uma coisa que você resolveu esconder."

"Mariana."

"Não."

As batidas aumentaram.

Um fotógrafo parecia estar tentando encontrar ângulo pela janela do corredor.

Augusto fez uma ligação.

"Sérgio."

Pausa.

"Agora."

Desligou.

Mariana olhou para ele.

"Quem é Sérgio?"

"Segurança."

"Segurança?"

"Alguém vai tirar eles daqui."

"Você tem uma equipe de segurança para tudo?"

"Quase."

Ela riu nervosa.

"Claro que tem."

O celular dela começou a vibrar.

Uma mensagem.

Depois outra.

Depois dez.

Depois vinte.

Mariana abriu.

Seus olhos correram pela tela.

"Meu Deus."

Augusto aproximou-se.

"O quê?"

Ela mostrou.

Uma manchete ocupava a tela.

"Estudante desconhecida pode se tornar principal beneficiária de plano bilionário de Augusto Valença."

Mariana sentiu o estômago virar.

Deslizou.

Outra.

"Quem é Mariana Reis, a jovem que apareceu ao lado do império Valença?"

Outra.

"Bilionário altera estrutura patrimonial após ser salvo por estudante."

Outra.

"Nova herdeira?"

Mariana fechou a tela.

"Eu não sou herdeira."

"Eu sei."

"Então por que estão chamando assim?"

"Porque manchete precisa vender."

"Isso é absurdo."

"É."

O celular vibrou outra vez.

Uma amiga da faculdade.

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