《Depois Da Fuga, O Magnata Frio Me Coroou Rainha》Capítulo 6

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O mensageiro anônimo deixou uma pequena caixa preta sobre a recepção do estúdio antes de desaparecer na névoa da tarde paulistana.

Lúcia abriu o embrulho com cautela, revelando um par de sapatos de salto agulha incrustados de cristais e um bilhete sem assinatura.

O bilhete continha apenas uma frase curta escrita à mão: "Para a verdadeira dona da noite."

Um sorriso enigmático brotou em seus lábios; ela sabia que o destino estava preparando o cenário perfeito para o seu grande acerto de contas.

A noite caía sobre São Paulo, vestindo a metrópole com um manto de luzes trêmulas e o trânsito caótico típico da Avenida Marginal.

O imponente salão do Clube Transatlântico, situado às margens da Represa de Guarapiranga, exibia uma opulência de tirar o fôlego.

Lustres monumentais de cristais austríacos iluminavam o tapete vermelho onde a nata da alta sociedade desfilava suas joias e vestidos de grife.

Para a grandiosa gala beneficente anual, empresários, políticos e magnatas reuniam-se em busca de prestígio e novos acordos comerciais.

Em um canto mais reservado da entrada, a família Monteiro tentava desesperadamente manter o pouco de dignidade que lhes restava.

Rodrigo Monteiro vestia um terno escuro que parecia subitamente largo demais para seus ombros encurvados pelo peso da crise financeira.

Ao seu lado, Valéria tentava disfarçar as rugas com camadas grossas de maquiagem, enquanto suas mãos trêmulas seguravam uma taça de prosecco.

Camila, por sua vez, exibia-se em um vestido prateado de decote agressivo, na esperança de atrair os olhares dos investidores mais ricos.

"Lembrem-se do que combinamos", sibilou Rodrigo entre dentes, encarando a esposa e a enteada com um desespero mal disfarçado.

"Nós precisamos que o senhor Lorenzo Valente aceite pelo menos nos ouvir nesta noite, ou o Grupo Monteiro estará oficialmente falido."

Valéria engoliu em seco, assentindo com a cabeça enquanto ajeitava o colar de falsas esmeraldas que tentava imitar o luxo do passado.

"O senhor Valente já confirmou presença e dizem que ele está circulando pelo salão principal", murmurou Camila, com os olhos vidrados de ambição.

"Se eu conseguir chamar a atenção dele, tudo o que perdemos voltará para nós em dobro", acrescentou a garota, ajeitando o cabelo loiro.

No entanto, o burburinho elegante do salão de repente diminuiu de intensidade, dando lugar a murmúrios confusos e olhares curiosos na entrada.

As portas duplas de mogno maciço abriram-se lentamente, revelando uma silhueta que paralisou o movimento de centenas de convidados.

Lúcia Monteiro entrou no salão com a postura altiva de uma imperatriz, vestindo um longo vestido de seda em tom verde-esmeralda profundo.

O decote nas costas era sutil, e a fenda lateral revelava perfeitamente os sapatos de salto alto que cintilavam a cada passo calculado.

Os cabelos cortados no estilo Chanel emolduravam um rosto de beleza gélida, realçado por brincos de diamantes que pertenciam à sua falecida mãe.

Nenhum vestígio daquela garota acuada e frágil que fora escorraçada há cinco anos restava na mulher deslumbrante que acabara de chegar.

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Os sussurros espalharam-se rapidamente entre os empresários presentes, que se perguntavam quem seria aquela criatura de elegância magnética.

"Espere um minuto... aquela não é...?", gaguejou Rodrigo Monteiro, deixando a taça de cristal escapar de seus dedos trêmulos.

O vidro espatifou-se no chão de mármore com um estalido abafado, mas o patriarca nem sequer notou o barulho estridente.

Camila arregalou os olhos azuis até parecerem saltar das órbitas, enquanto sua boca abria-se em um gesto de puro terror e incredulidade.

"Não... não pode ser! Aquela maldita é a Lúcia?!", guinchou Camila, chamando a atenção raivosa de vários convidados ao redor.

Valéria empalideceu de tal forma que o pó de arroz em seu rosto parecia uma máscara mortuária diante da aparição da enteada.

"Como ela teve a ousadia de aparecer aqui? Como ela conseguiu esse convite VIP?", sussurrou Valéria com um ódio entalado na garganta.

Lúcia caminhou lentamente pelo tapete vermelho, sentindo os olhares de admiração e choque colidirem contra sua pele sem vacilar um segundo.

Ela ergueu o queixo com desdém supremo ao cruzar o campo de visão da própria família, que parecia testemunhar a volta de um fantasma.

No extremo oposto do salão, em uma área privativa cercada por seguranças particulares, a respiração de um homem travou de repente.

Lorenzo Valente estava escorado contra a balaustrada de vidro, segurando um copo de uísque com seus dedos grossos e firmes.

Seus olhos cor de âmbar, frios e impiedosos como os de um falcão, fixaram-se na figura deslumbrante que acabara de cruzar a porta.

Uma onda de reconhecimento elétrico percorreu cada terminação nervosa do corpo de Lorenzo ao reencontrar os traços daquela mulher.

A mulher que desaparecera misteriosamente de sua suíte na madrugada, deixando para trás apenas o perfume e a marca de uma noite inesquecível.

"Senhor Valente?", chamou seu assistente pessoal, percebendo a rigidez repentina nos ombros largos do magnata brasileiro.

Lorenzo não respondeu; sua mandíbula travou-se em uma linha dura, e seus olhos queimavam com uma mistura avassaladora de fúria e desejo.

Ele finalmente a encontrara, após anos de buscas discretas que haviam dado em nada na calada das noites de São Paulo.

Enquanto isso, Camila decidiu que não podia permitir que aquela intrusa roubasse a cena que ela planejara com tanta meticulosidade.

Empurrando os convidados à sua frente com falta de educação, Camila avançou na direção de Lúcia com o rosto contorcido de ódio.

"Sua vagabunda! Como ousa aparecer na nossa frente depois da vergonha que nos fez passar?", gritou Camila, apontando um dedo trêmulo.

Lúcia parou seus passos elegantes no meio do salão, virando-se lentamente para encarar a meia-irmã com um sorriso de pura piedade.

"Cuidado com o tom, Camila. As paredes deste lugar têm ouvidos finos, e você não está na sua casa decadente", respondeu Lúcia com voz gélida.

O tom de voz de Lúcia era tão cortante e seguro que fez Camila recuar um passo, engolindo em seco diante daquela aura intimidatória.

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"Você não é bem-vinda aqui! Segurança! Tirem essa impostora do meu campo de visão!", berrou Camila, chamando os seguranças do evento.

Nenhum segurança do salão se moveu, pois todos sabiam reconhecer a imponência de um traje de alta costura e o peso de um convite legítimo.

Antes que Camila pudesse fazer outra cena vexatória, o som de passos firmes e decididos ecoou pelo piso de mármore polido.

Um silêncio sepulcral e imediato caiu sobre o salão de festas, enquanto os convidados abriam caminho reverentemente para o homem que se aproximava.

Era Lorenzo Valente, caminhando com a graça letal de um predador alfa que cruzava o território para reivindicar o que era seu.

Seu terno preto sob medida ajustava-se perfeitamente aos ombros largos, e o brilho perigoso em seus olhos âmbar intimidava a todos.

Camila virou-se ao sentir a aproximação daquela figura imponente, e seus olhos brilharam com uma esperança cega e desesperada.

"Senhor Valente! Que honra... eu sou a Camila Monteiro, da alta sociedade, e esta mulher é apenas...", começou a gaguejar a loira.

Lorenzo passou por Camila como se ela fosse absolutamente invisível, ignorando por completo a mão estendida da garota humilhada.

Os passos firmes do magnata pararam exatamente a centímetros de Lúcia, cujo coração deu um salto violento dentro do peito.

Lúcia ergueu os olhos verdes para encarar o homem cujos traços marcantes ela jamais conseguira apagar de sua memória e de seu sangue.

Lorenzo esticou a mão de dedos longos e firmes, segurando a cintura fina de Lúcia com uma possessividade que desafiava o decoro público.

"Encontrei você, minha linda fugitiva", murmurou Lorenzo com sua voz grave e profunda, fazendo o ar sumir ao redor deles.

Lúcia sentiu o calor da mão dele queimar através do tecido verde do vestido, enquanto todas as respirações do salão pareciam prender-se juntas.

Os convidados assistiam boquiabertos à cena, incapazes de acreditar que o intocável e temível Lorenzo Valente demonstrava tal devoção.

Rodrigo Monteiro e Valéria congelaram no mesmo lugar, sentindo o terror gélido da ruína definitiva infiltrar-se em suas almas.

Lucas, que observava tudo de longe através de uma transmissão no tablet, sorriu travessamente ao ver o pai e a mãe finalmente face a face.

Lorenzo inclinou-se ligeiramente, aproximando os lábios da orelha sensível de Lúcia enquanto o mundo ao redor desabava em sussurros.

"Te achei, minha fugitiva.", murmurou Lorenzo com um tom rouco e carregado de promessas obscuras que fizeram a pele dela arrepiar.

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