《Depois Da Fuga, O Magnata Frio Me Coroou Rainha》Capítulo 5

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O táxi cruzou a avenida sob um céu cinzento que começava a dar indícios de uma mudança drástica na balança do poder daquela cidade.

Cinco anos passaram-se como um sopro veloz sobre os arranha-céus reluzentes de São Paulo, lavando o passado e forjando novos destinos.

No coração da Avenida Paulista, dentro de um estúdio de alta joalheria de design minimalista, o ar respirava sofisticação e talento puro.

Lúcia Monteiro ergueu-se de sua bancada de trabalho, ajeitando os óculos de grau levemente enquanto examinava um colar de esmeraldas recém-cravado.

Os cabelos, antes longos e em tom de mel, agora caíam em um corte Chanel impecável, moldando perfeitamente a sua silhueta de mulher madura e fria.

Ela já não era a jovem indefesa que fora escorraçada pela própria família; agora, era reconhecida internacionalmente como a aclamada designer Luce.

Sua marca tornara-se sinônimo de exclusividade e bom gosto entre a nata da alta sociedade brasileira, que disputava a toque de caixa suas peças.

"Mamãe, você está muito concentrada de novo. Precisa beber água", uma voz infantil e cristalina ecoou pela sala de design.

Lúcia abriu um sorriso suave, o único ponto de verdadeira ternura em sua fachada geralmente impenetrável, e virou-se para o canto do estúdio.

Ali estava Lucas, um menino de cinco anos com um rosto angelical, traços finos e um par de olhos cor de âmbar absolutamente magnéticos.

O garoto vestia uma camisa social escura em miniatura e balançava as perninhas na cadeira giratória enquanto encarava a tela de um tablet moderno.

"Meu amor, a mamãe já vai terminar", disse Lúcia, caminhando até ele e afagando carinhosamente os cachos macios do filho.

"Você deveria estar descansando os olhos, Lucas. O que tanto te prende nessa tela há horas?", perguntou ela com curiosidade genuína.

Lucas ergueu os olhos âmbar, que brilhavam com uma inteligência assustadora para a sua tenidade, e deu um sorriso travesso.

"Nada demais, mamãe. Só estava testando algumas defesas digitais de umas empresas grandes que aparecem nos jornais", respondeu o menino com naturalidade.

Lúcia inclinou-se para olhar o visor do tablet, franzindo levemente a testa ao ver sequências intermináveis de códigos binários correndo na tela.

"Lucas Monteiro, você por acaso andou invadindo sistemas corporativos de novo?", perguntou Lúcia em um tom fingido de rigor.

"Eu só disse 'olá' para ver se eles são fortes o suficiente", riu o garoto, deslizando os dedos pequenos com uma velocidade impressionante.

Com um último toque na tela, uma janela verde apareceu, exibindo o logotipo imponente de uma das maiores corporações do país.

"Pronto! Consegui entrar no sistema de segurança da Valente Corporation sem que os alarmes principais disparassem", gabou-se Lucas orgulhoso.

Lúcia sentiu o fôlego faltar por um segundo ao ler o nome da empresa na tela, lembrando-se imediatamente da abotoadura guardada em seu cofre.

"Lucas, meu querido, você não pode ficar invadindo o grupo Valente assim", murmurou Lúcia, sentindo o coração bater mais acelerado no peito.

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Aquele sobrenome trazia ecos profundos de uma noite inesquecível em que sua vida mudara para sempre, embora o magnata nunca soubesse da existência do filho.

Lucas ergueu os ombros com total displicência infantil, voltando a encarar a mãe com aqueles olhos que eram o retrato vivo de Lorenzo Valente.

"Eles precisam atualizar os firewalls, mamãe. O sistema deles é muito rígido por fora, mas tem uma portinha boba nos servidores de São Paulo."

Lúcia olhou para o filho, vendo traços tão marcantes do homem misterioso que a salvara, e sentiu um calafrio misturado a um orgulho imenso.

"Você puxou a esse tipo de genialidade a quem eu nem ouso dar nome, meu pequeno hacker", suspirou Lúcia, beijando a testa do menino.

Enquanto isso, em uma outra ponta da mesma cidade, a realidade na mansão e nos escritórios dos Monteiro era de pura desolação e pânico.

Na imponente sala da presidência do Grupo Monteiro, o clima de tensão cortava o ar como uma lâmina enferrujada e impiedosa.

Rodrigo Monteiro afundava na cadeira de couro legítimo, com os cabelos grisalhos despenteados e olheiras profundas marcando seu rosto envelhecido.

A empresa familiar, antes um colosso inabalável no setor imobiliário e financeiro, desmoronava rapidamente devido a investimentos desastrosos.

A ganância cega de Valéria e os caprichos caríssimos de Camila haviam drenado os fundos de reserva da companhia ao longo dos últimos anos.

"Senhor Monteiro, o Banco Central do Brasil recusou o nosso pedido de empréstimo emergencial", anunciou o diretor financeiro com voz trêmula.

Rodrigo bateu com os punhos cerrados sobre a mesa de mogno, sentindo a raiva e o desespero subirem por sua garganta em brasa.

"Como recusaram? Nós somos os Monteiro! Temos tradição e nome nesta cidade há décadas!", gritou o patriarca com a voz rouca e trêmula.

"O mercado inteiro sabe que estamos à beira da falência, senhor. Ninguém ousa nos emprestar um centavo sem garantias sólidas", respondeu o executivo.

Valéria entrou na sala naquele exato momento, vestindo um tailleur caro, mas com o rosto desfigurado pelo estresse e pela falta de Botox.

"Rodrigo, você precisa fazer alguma coisa! Minhas contas de crédito foram bloqueadas no shopping do Morumbi!"

A voz estridente de Valéria ecoou pelo escritório, fazendo a cabeça de Rodrigo doer ainda mais com uma intensidade quase insuportável.

"Cala a boca, Valéria! A culpa dessa ruína é sua e dessa sua filha fútil que só sabe gastar o que eu não tenho!", rugiu Rodrigo.

Camila apareceu logo atrás da mãe, choramingando histericamente e reclamando que suas amigas da alta sociedade a haviam bloqueado nas redes sociais.

A família que outrora expulsara Lúcia com crueldade e soberba provava agora o amargo veneno da própria desgraça e ruína iminente.

Rodrigo abaixou a cabeça entre as mãos, percebendo tarde demais que expulsara a única filha que realmente possuía talento e dignidade genuínas.

De volta ao estúdio de design, Lúcia ignorava o colapso financeiro de sua antiga família, focada inteiramente em sua ascensão profissional e pessoal.

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Ela caminhou até a mesa de centro, onde o correio do dia acabara de ser depositado pela assistente ao lado de revistas de moda.

Entre catálogos de pedras preciosas e faturas, um envelope prateado e de textura pesada sobressaía com letras em alto-relevo dourado.

Lúcia pegou o envelope com curiosidade, rasgando o lacre de cera para puxar o convite formal que repousava em seu interior macio.

"O que é isso, mamãe?", perguntou Lucas, inclinando a cabeça para o lado com curiosidade e limpando o tablet.

"É um convite, meu bem. Para a festa de gala anual da fundação de caridade mais importante de São Paulo", respondeu Lúcia com calma.

O bilhete impresso destacava que o evento seria patrocinado pelas maiores potências financeiras do país, incluindo o temido Grupo Valente.

Lúcia leu o nome do patrocinador principal na folha de papel, sentindo um arrepio familiar correr por sua espinha dorsal.

Ela sabia que, naquela noite de gala, cruzaria inevitavelmente o caminho daqueles que a destruíram e, possivelmente, do pai de seu filho.

Lúcia olhou para Lucas, cujos olhos âmbar brilhavam em perfeita harmonia com os seus, e depois apertou o convite com firmeza na mão.

"Acha que devemos ir, mamãe?", perguntou o menino com um sorriso travesso que lembrava perfeitamente o de um jovem lorde.

"Sim, meu amor. Nós vamos", respondeu Lúcia com um sorriso gélido e deslumbrante nos lábios.

"Chegou a hora de mostrar a esta cidade quem realmente manda aqui", continuou ela, erguendo o queixo com uma altivez inabalável.

O estúdio silenciou-se enquanto a luz da tarde banhava o rosto daquela que outrora fora chamada de ovelha negra e agora era a verdadeira rainha.

A cortina do passado estava prestes a se rasgar de vez, e os inimigos que pensavam tê-la enterrado vivos tremeriam ao ver seu retorno.

Mas antes que a grande noite chegasse, um mensageiro anônimo bateu discretamente à porta da frente do estúdio de Lúcia com uma encomenda urgente.

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