《Depois Da Fuga, O Magnata Frio Me Coroou Rainha》Capítulo 4

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Lúcia caminhou em direção à rua principal do Morumbi, pronta para enfrentar o mundo desconhecido com a coragem de uma verdadeira rainha exilada.

Mas antes que pudesse dar mais alguns passos para longe daquela mansão maldita, o céu de São Paulo desabou em uma tempestade violenta.

Nuvens negras engoliram o sol da manhã em segundos, e raios cortantes rasgaram o horizonte, seguidos de um aguaceiro implacável e gélido.

A porta da entrada principal se abriu novamente, e dois seguranças brutamontes empurraram a mala de Lúcia com força contra o chão lamacento.

Suas roupas de grife, antes impecáveis, começaram a encharcar rapidamente, colando-se à sua pele pálida e fazendo-a tremer de frio.

Camila apareceu sob a proteção do teto elegante da varanda, abrigada por um capacho de lã importada e rindo abertamente daquela cena.

"Olha só para você agora, alteza da lama!", gritou Camila por cima do barulho ensurdecedor da chuva, com um sorriso de pura escória nos lábios.

"Sem o sobrenome Monteiro, você não passa de uma mendiga qualquer tiritando na chuva! Vê se aprende a lição!"

Lúcia virou-se lentamente sob o aguaceiro, erguendo o rosto para encarar a meia-irmã com um olhar que continha o peso de mil lâminas afiadas.

A água escorria por seus cabelos de tom mel, mas seus olhos verdes faiscavam com uma altivez indomável que fez o sorriso de Camila vacilar.

Valéria postou-se logo atrás da filha, cruzando os braços com uma expressão de desdém soberbo e intocável, observando a ruína da enteada.

"Não gaste o seu fôlego com essa ingrata, Camila", a voz fria e calculista de Valéria cortou a cortina de água que despencava do céu.

"Ela escolheu o próprio destino ao cuspir no prato que sempre a alimentou. Deixe que a sarjeta ensine a essa insolente como o mundo funciona."

Lúcia não deu ao luxo de responder àquelas hienas. Suas palavras seriam uma dádiva valiosa demais para criaturas tão desprezíveis.

Ela apenas virou as costas para a fachada suntuosa da mansão, sabendo que aquele capítulo da sua vida estava encerrado para sempre.

A água da chuva lavava a lama de seus sapatos, enquanto o peso da mala arrastada pelo asfalto exigia cada gota de sua energia física.

Dias difíceis e implacáveis se seguiram àquela noite de tempestade, transformando a rotina de Lúcia em uma verdadeira prova de fogo pela sobrevivência.

Sem cartões de crédito, com as contas bancárias bloqueadas pelo pai e apenas algumas notas trocadas na bolsa, ela precisou alugar um quartinho mofado na periferia.

A princípio, o choque da expulsão e a humilhação pública pesavam como chumbo em sua mente, tirando-lhe o apetite e o sono.

No entanto, à medida que as semanas passavam e o outono paulistano trazia ventos gélidos, alterações sutis e persistentes começaram a ocorrer em seu corpo.

Primeiro foram as tonturas matinais inexplicáveis, seguidas de uma enjoo terrível ao sentir o cheiro de café ou de qualquer alimento gorduroso.

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A exaustão profunda que a dominava a qualquer hora do dia não parecia ser apenas o reflexo do estresse emocional de ter perdido tudo.

Com o coração apertado pela incerteza, Lúcia juntou suas últimas economias e decidiu caminhar até uma modesta clínica médica de bairro.

Empurrando a porta de vidro com receio, ela entrou no recinto iluminado por tons frios, sentindo o cheiro característico de antissépticos e remédios.

Uma recepcionista entediada olhou para a jovem de aparência cansada, anotando seu nome em uma prancheta de plástico desgastado pelo uso.

"Pode aguardar na segunda porta à esquerda. O Doutor Matheus já vai atendê-la", disse a atendente sem sequer erguer os olhos.

Minutos depois, Lúcia sentou-se na maca do consultório, onde um homem alto, de avental branco e olhar extremamente gentil, a aguardava.

"Olá, Lúcia. Pela sua ficha, vejo que tem sentido mal-estar constante nas últimas semanas. Vamos examinar isso com calma", disse o Doutor Matheus com voz serena.

Ele verificou sua pressão, fez algumas perguntas sobre seu histórico recente e, percebendo a palidez dela, sugeriu um exame laboratorial e um ultrassom de confirmação.

"Doutor, eu... eu não sei bem o que está acontecendo, mas meu corpo está mudando de um jeito estranho", murmurou Lúcia com os lábios trêmulos.

Matheus sorriu com empatia, ajeitando os óculos redondos sobre o nariz enquanto preparava o aparelho de imagem na mesa de exames.

"Deite-se, por favor. Pelos sintomas que relatou e pelo tempo decorrido desde o estresse que sofreu, vamos tirar todas as dúvidas agora mesmo."

Lúcia obedeceu em silêncio, sentindo o gel frio em contato com sua pele nua enquanto o pequeno transdutor deslizava suavemente por seu abdômen.

Na tela escura do aparelho, pequenos pontos de luz estática começaram a surgir, revelando o contorno minúsculo de uma nova existência perfeitamente acomodada.

De repente, um som rítmico, acelerado e constante preencheu a sala de exames, ecoando como a batida do tambor mais lindo do mundo.

"Tum-tum, tum-tum, tum-tum..."

Era o som de um coraçãozinho minúsculo que já crescia forte havia semanas, uma prova irrefutável de que ela nunca mais estaria sozinha no universo.

Lúcia sentiu as lágrimas quentes escaparem de seus olhos, escorrendo livremente pelas bochechas e molhando o papel da maca.

Ela levou as mãos à boca para abafar o soluço doloroso e libertador que rasgou sua garganta diante daquela tela milagrosa.

Matheus desligou o aparelho com cuidado, limpou a barriga dela com uma gaze e olhou para a jovem com um sorriso encorajador e sincero.

"O bebê está bem, Lúcia. Já tem cerca de dois meses de gestação. É pequeno, forte e resiliente, exatamente como a mãe", afirmou o médico.

Lúcia pegou a folha de papel impressa com a imagem em preto e branco, acariciando com a ponta dos dedos a mancha difusa que representava seu filho.

A raiva, a humilhação e a dor de ter sido expulsa de casa evaporaron naquele exato instante, substituídas por uma muralha de aço em seu coração.

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Ela já não era apenas uma vítima abandonada à própria sorte na sarjeta de São Paulo; ela agora era uma mãe pronta para a guerra.

"Eu vou proteger você... juro que vou te dar o mundo, meu amor", sussurrou Lúcia para o papel, encostando a testa na folha com devoção infinita.

Matheus observou a cena em silêncio, percebendo que aquela garota frágil escondia uma coragem colossal sob a superfície machucada pelas provações.

"Você tem com quem contar, Lúcia? Se precisar de apoio para encontrar um trabalho estável ou orientações, estarei por aqui", ofereceu-se o médico bondoso.

Lúcia levantou a cabeça, enxugou o rosto com firmeza e devolveu ao seu olhar verde todo o brilho gélido e altivo de uma verdadeira sobrevivente.

"Obrigada, Matheus. Sua ajuda significa mais do que imagina, mas eu sei exatamente o que preciso fazer a partir de agora", respondeu ela com voz firme.

Ela ajeitou o casaco simples, guardou a imagem do ultrassom na bolsa, bem ao lado da abotoadura de Lorenzo e do documento de expulsão.

Lúcia saiu da pequena clínica com a coluna erguida, deixando para trás o cheiro de remédios e abraçando a dura realidade das ruas de São Paulo.

A garoa fina caía sobre a calçada cinzenta, mas ela sentia apenas o calor protetor da vida que carregava abrigada em seu próprio ventre.

Ela caminhou até a avenida principal, acenando com firmeza para o primeiro táxi que passou por sua frente com a luz amarela ligada.

O veículo parou com um rangido de freios, e o motorista olhou para a jovem de expressão determinada que pedia uma corrida para a zona comercial.

Lúcia abriu a porta traseira sem hesitar, entrou no carro e puxou a gola do casaco para se proteger do vento que entrava pela janela.

"Para a região central, por favor", disse ela ao motorista com um tom de voz que não admitia réplicas ou questionamentos tolos.

O carro arrancou cantando pneus, cortando as ruas asfaltadas e molhadas de São Paulo em direção ao coração financeiro e impiedoso da metrópole.

Lúcia colou o rosto no vidro embaçado do veículo, observando os prédios altos e imponentes que passavam rapidamente como borrões escuros.

Ela sabia que o caminho seria árduo, solitário e repleto de armadilhas mortais armadas por aqueles que queriam vê-la completamente destruída.

Mas, enquanto apertava a imagem do ultrassom contra o peito, um sorriso frio e enigmático desenhou-se nos cantos de seus lábios pálidos.

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