《Depois Da Fuga, O Magnata Frio Me Coroou Rainha》Capítulo 1

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O vento noturno de São Paulo trazia o perfume pesado das gardênias que circundavam a imponente mansão no Morumbi.

Sob os lustres de cristal boêmio que faiscavam no salão de baile, a elite paulistana girava em valsas lentas, fingindo sorrisos e negociando alianças.

Para a maioria, era apenas mais uma noite de gala beneficente organizada pela alta sociedade.

Para Lúcia Monteiro, no entanto, aquele salão parecia uma gaiola de ouro cujos barrotes de ferro a esmagavam lentamente.

Vestida com um modelo clássico de linho cru e sem grandes adornos, ela mantinha-se discreta, encostada a uma pilastra de mármore branco.

Os cabelos longos, em tom de mel profundo, caíam em ondas suaves sobre suas costas, contrastando com a palidez natural de seu rosto.

Lúcia odiava aquelas festas onde o dinheiro comprava até a dignidade das pessoas.

Ela só estava ali porque seu pai, Rodrigo Monteiro, exigira sua presença para manter a fachada de uma família unida e perfeita perante os acionistas.

"Minha querida enteada, você está tão isolada aí neste canto", a voz melodiosa e falsa de Valéria Castro ecoou logo atrás dela.

Lúcia sentiu um arrepio incômodo na espinha, mas virou-se com a educação polida que sempre fora sua marca registrada.

Valéria, impecável em um vestido de veludo azul-marinho e joias de esmeralda legítimas, sorria com os lábios, mas seus olhos cor de avelã brilhavam com uma malícia gélida.

Ao lado da mãe, Camila Castro ostentava um vestido de lantejoulas douradas que refletia a luz de forma agressiva.

Os cabelos loiríssimos de Camila estavam penteados em cachos perfeitos, e seus olhos azuis faiscavam de pura ansiedade e excitação.

"O salão está muito cheio, Valéria. Prefiro o ar fresco daqui", respondeu Lúcia com suavidade, tentando encerrar o assunto o mais rápido possível.

"Nonsense, Lúcia! Você não pode ficar escondida como uma gata arisca em uma noite tão importante", Camila interveio, rindo de um jeito estridente que atraiu olhares curiosos de alguns empresários próximos.

Com um gesto rápido e ensaiado, Camila estendeu uma taça de cristal lapidado preenchida com champagne dourado e borbulhante.

"Brinque conosco, maninha! Pelo sucesso da nossa empresa familiar. Vamos, aceite este gole de boas-vindas."

Lúcia olhou para a taça oferecida pela meia-irmã e hesitou por um segundo.

Havia algo estranhamente forçado na insistência de Camila, um brilho de triunfo sutil nos cantos da boca daquela garota que nunca lhe dera nem um bom-dia sincero.

Mas, diante da iminência de criar uma cena constrangedora que pudesse enfurecer seu pai, Lúcia suspirou e aceitou a taça.

"Obrigada. Que seja uma boa noite", murmurou Lúcia, encostando os lábios no cristal gelado.

O líquido desceu adocicado, mas com um retrogosto levemente amargo e metálico que ela achou estranho.

Sem desconfiar do perigo mortal que acabara de ingerir, Lúcia deu mais um gole generoso, esvaziando metade da taça para satisfazer a insistência de Camila.

A alguns metros dali, Rodrigo Monteiro conversava com diretores de bancos, rindo alto e exibindo sua gravata de seda vermelha.

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Ele nem sequer olhou na direção da filha mais velha, totalmente absorvido pelo orgulho que sentia da esposa e da enteada.

Valéria e Camila trocaram um olhar cúmplice e rápido, carregado de um triunfo venenoso que escapou por pouco aos olhos dos convidados.

"Saúde, Lúcia", sussurrou Camila, erguendo a própria taça vazia com um sorriso sutilmente cruel.

A armadilha estava armada, o veneno já corria pelas veias daquela que ousava ser a legítima herdeira da linhagem Monteiro.

Passaram-se apenas alguns minutos antes que o efeito da droga começasse a se manifestar com uma violência avassaladora.

Lúcia sentiu o estômago revirar de repente, como se um ferro em brasa tivesse sido inserido em seu tronco.

Uma onda de calor insuportável subiu do peito até a cabeça, fazendo sua visão escurecer por breves segundos.

O som da valsa ao fundo começou a se distorcer, transformando-se em um zumbido metálico e ensurdecedor que ecoava em suas têmporas.

O suor frio irrompeu em sua testa, encharcando os fios de cabelo de mel que colavam-se à sua pele pálida.

Lúcia tentou respirar fundo, apoiando as mãos trêmulas na parede de mármore para não desabar ali mesmo no meio do salão.

"O que... o que foi isso?", balbuciou para si mesma, sentindo o coração disparar como se estivesse prestes a explodir.

O calor em seu corpo transformou-se em uma urgência febril e desconhecida, queimando cada terminação nervosa de sua pele.

Ela olhou ao redor, buscando desesperadamente por um rosto amigo, mas tudo o que viu foram rostos borrados e indiferentes.

Valéria e Camila já não estavam por perto; em seus lugares, havia apenas um vazio cínico e a certeza de que fora traída de forma vil.

No canto oposto do salão, em uma área semi-obscura reservada aos convidados de honra, alguém observava cada movimento de Lúcia com atenção cirúrgica.

Era uma figura imponente, recostada nas sombras de um camarote privativo elevado.

Lorenzo Valente girava distraidamente um copo de uísque puro entre os dedos grossos, enquanto seus olhos cor de âmbar faiscavam com uma intensidade perigosa.

Sua mandíbula estava travada em uma linha dura, e um sorriso irônico e sombrio brincava nos cantos de seus lábios finos.

Ele não conhecia aquela jovem de vestido de linho cru, mas havia algo na vulnerabilidade feroz dela que o fisgara no mesmo instante.

Viu quando a garota aceitou a taça das mãos daquela víbora loira e percebeu, com sua mente fria de predador, o exato momento em que o veneno começou a agir.

"Senhor Valente, deseja que eu interceda? Há algo errado com a filha mais velha dos Monteiro", murmurou seu assistente pessoal, inclinado discretamente para a frente.

Lorenzo levantou uma mão enluvada de recato, silenciando o subordinado com um único olhar gélido.

"Não. Deixe-a vir", respondeu Lorenzo com uma voz grave e magnética, que parecia vibrar diretamente no ar rarefeito daquela noite.

Lúcia, por sua vez, já não conseguia formular pensamentos coerentes.

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A cada segundo, a queimação interna se tornava mais insuportável, turvando sua consciência e nublando sua razão.

Ela sabia que se ficasse ali mais um minuto, cairia desfalecida diante de todos, entregando-se de bandeja aos lobos que a espreitavam.

Com um esforço supremo de vontade, ela reuniu o pouco de dignidade que lhe restava e deu meia-volta.

Lúcia ignorou os olhares de curiosidade e sussurros que começavam a surgir ao seu redor por causa de seu andar desajeitado.

As bochechas antes brancas agora ostentavam um tom carmesim febril, e seus lábios tremiam em um misto de pavor e repulsa.

Ela cambaleou desajeitada entre as mesas decoradas com arranjos de rosas importadas, esbarrando levemente no ombro de um garçom assustado.

"Com licença... por favor...", murmurou em um fio de voz quase inaudível, sufocada pelo próprio calor que a consumia.

As pernas de Lúcia pareciam de chumbo, pesadas e desobedientes, arrastando-se pelo piso encerado com extrema dificuldade.

Ela precisava de ar, de água, de qualquer lugar onde pudesse se esconder daquelas hienas disfarçadas de parentes.

Com um empurrão trêmulo, Lúcia conseguiu abrir uma pesada porta lateral de carvalho que dava para as galerias de serviço.

A porta rangeu suavemente antes de se fechar atrás dela, isolando-a do barulho ensurdecedor da festa chique.

Ela se viu em uma longa e penumbrosa galeria de serviço, pavimentada em pedra fria e iluminada apenas por arandelas amareladas.

Era a ala privativa dos fundos, de onde se podia acessar a escadaria de emergência que levava ao terraço e às suítes de hóspedes do último andar.

Lúcia respirou o ar um pouco mais fresco daquele corredor deserto, mas o alívio durou apenas um segundo.

O veneno em suas veias pulsava com força renovada, fazendo sua cabeça girar em um turbilhão alucinógeno e impiedoso.

"O que eles fizeram comigo... meu Deus... o que foi que elas fizeram?", soluçou baixinho, levando as mãos trêmulas à testa quente.

As lágrimas escaparam de seus olhos verdes, escorrendo pelas bochechas coradas e manchando a gola de seu vestido simples.

Ela deu mais alguns passos trôpegos pelo corredor estreito, tateando a parede fria para manter o pouco de equilíbrio que lhe restava.

À distância, ouviu passos firmes ecoando no pavimento de pedra, aproximando-se lentamente daquela mesma ala isolada.

O medo misturou-se à urgência febril, fazendo-a acelerar o passo de forma desordenada e desesperada.

Lúcia empurrou às cegas a primeira porta lateral que encontrou destrancada na penumbra daquele corredor esquecido.

A porta cedeu com um estalido suave, revelando um espaço escuro, luxuoso e completamente silencioso.

Sem saber que estava invadindo o santuário particular do homem mais perigoso de São Paulo, ela despencou para dentro.

Lúcia mal teve tempo de fechar a pesada porta de mogno antes de escorregar lentamente por ela, sentando-se no carpete macio.

As pálpebras pesavam como chumbo, e sua respiração tornou-se curta, entrecortada e extremamente ofegante.

As bochechas de Lúcia coraram com um rubor antinatural, e ela empurrou aos tropeções a porta lateral do salão de festas, correndo de forma cambaleante em direção ao corredor privado e escuro do último andar.

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