《Ele Pensou Que Eu Nunca Iria Embora… Até Eu Escolher o Pai Dele》Parte 5

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Depois daquela pergunta de Gabriel, Eduardo passou alguns dias tentando se convencer de que a melhor decisão era manter distância.

Ele sabia das consequências.

Sabia que aquela situação poderia destruir a relação entre ele e seu filho adotivo.

Sabia que muitas pessoas jamais entenderiam.

Mas havia algo que ele não conseguia ignorar.

Pela primeira vez em muitos anos, alguém havia entrado em sua vida sem se aproximar pelo poder do sobrenome Montenegro.

Isabela não sabia como agradá-lo.

Não tentava impressioná-lo.

Não tinha medo de discordar.

Ela apenas era ela mesma.

E isso era justamente o que mais confundia Eduardo.

Enquanto isso, Isabela tentava reconstruir sua própria vida.

Ela recusou qualquer ajuda financeira de Eduardo.

Quando ele ofereceu apoio para abrir novas oportunidades profissionais, ela recusou imediatamente.

"Eu não quero que as pessoas pensem que eu estou aqui por causa do seu dinheiro."

Eduardo ficou olhando para ela.

Não com irritação.

Com admiração.

"Você realmente acha que eu ajudaria uma pessoa que não acredita nela mesma?"

Isabela ficou em silêncio.

Ele continuou:

"Eu não quero comprar sua vida, Isabela. Quero que você tenha a chance de construir a sua."

Aquelas palavras eram diferentes de tudo que ela havia ouvido antes.

Gabriel sempre oferecia soluções.

Mas quase sempre esperava algo em troca.

Eduardo oferecia apoio sem exigir nada.

Algumas semanas depois, Eduardo convidou Isabela para conhecer uma parte da Grupo Montenegro que poucas pessoas conheciam.

Não era uma reunião de luxo.

Não era uma festa cheia de empresários.

Era um projeto social mantido pela empresa em São Paulo.

Um espaço que ajudava jovens de comunidades a receberem treinamento profissional.

Isabela ficou surpresa.

Ela esperava encontrar apenas riqueza.

Mas encontrou pessoas.

Histórias.

Sonhos.

"Você nunca falou sobre isso."

Eduardo olhou para os jovens trabalhando.

"Porque eu não faço isso para aparecer."

Ela observou o homem ao seu lado.

Durante muito tempo, ela acreditou que homens poderosos eram todos iguais.

Homens que usavam dinheiro para controlar.

Mas Eduardo era diferente.

Ele tinha poder.

Mas não precisava provar isso.

Naquele dia, Isabela começou a enxergar Eduardo de outra forma.

Não como uma arma contra Gabriel.

Não como uma forma de vingança.

Mas como um homem.

Um homem que carregava responsabilidades enormes e, mesmo assim, encontrava tempo para ajudar outras pessoas.

No caminho de volta, eles ficaram em silêncio por alguns minutos.

Até que Eduardo perguntou:

"Por que você deixou Gabriel fazer você acreditar que não era suficiente?"

A pergunta pegou Isabela de surpresa.

Ela olhou pela janela.

"Porque eu achei que amar alguém significava tentar mais."

Eduardo ficou quieto.

Ela continuou:

"Eu achava que, se eu fosse melhor, mais bonita, mais paciente, mais compreensiva... ele finalmente iria perceber meu valor."

A voz dela ficou baixa.

"Mas eu estava tentando convencer alguém que já tinha decidido não enxergar."

Eduardo sentiu o peso daquelas palavras.

Porque ele sabia que Isabela não estava falando apenas de Gabriel.

Ela estava falando de todos os momentos em que se sentiu pequena.

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Naquela noite, Gabriel viu algumas fotos de Isabela e Eduardo circulando nas redes sociais.

Não eram fotos de um casal exibindo riqueza.

Eram imagens simples.

Os dois conversando.

Os dois sorrindo.

Os dois participando de um evento beneficente.

Aquilo incomodou ainda mais.

Porque ele percebeu uma coisa.

Eduardo não estava tentando mostrar que havia vencido.

Ele estava mostrando que conhecia Isabela.

De uma forma que Gabriel nunca conheceu.

Valentina também viu as imagens.

E dessa vez, ela não conseguiu esconder o incômodo.

Ela encontrou Gabriel na Mansão Albuquerque.

"Você viu?"

Gabriel sabia exatamente do que ela falava.

"Sim."

Valentina cruzou os braços.

"Ela conseguiu exatamente o que queria."

Gabriel olhou para ela.

"Não."

A resposta surpreendeu Valentina.

"Não?"

Ele respirou fundo.

"Ela parece diferente."

Valentina ficou séria.

Porque aquela era a primeira vez que Gabriel defendia Isabela.

Mesmo sem perceber.

No escritório da Torre Montenegro, Eduardo analisava alguns documentos quando recebeu uma mensagem de Isabela.

Era uma mensagem simples.

"Obrigada pelo dia de hoje."

Ele ficou alguns segundos olhando para a tela.

Antes, ele teria respondido apenas de forma educada.

Mas dessa vez sorriu.

Ele digitou:

"Eu que agradeço por você ter me mostrado que ainda existem pessoas que não se impressionam com um sobrenome."

Quando Isabela leu, sentiu algo diferente.

Ela não sentiu vontade de provar nada.

Não sentiu vontade de mostrar para Gabriel o que ele havia perdido.

Ela apenas ficou feliz.

E essa sensação era nova.

Alguns dias depois, Eduardo convidou Isabela para jantar.

Não em um restaurante luxuoso.

Não em um lugar onde todos poderiam observá-los.

Ele escolheu um pequeno restaurante italiano nos Jardins.

Um lugar discreto.

Um lugar onde eles poderiam conversar.

Durante o jantar, Isabela percebeu algo.

Com Gabriel, ela sempre pensava antes de falar.

Sempre calculava suas palavras.

Sempre tentava evitar conflitos.

Com Eduardo era diferente.

Ela podia ser sincera.

Podia rir.

Podia discordar.

E ele continuava olhando para ela da mesma maneira.

Com respeito.

Depois do jantar, caminharam pelas ruas iluminadas de São Paulo.

O movimento da cidade continuava ao redor deles.

Mas, naquele momento, parecia que estavam em outro lugar.

Eduardo parou.

Isabela olhou para ele.

"O que foi?"

Ele ficou alguns segundos em silêncio.

Como se estivesse lutando contra algo dentro dele.

Então respondeu:

"Eu passei muito tempo acreditando que controlar meus sentimentos era a única forma de fazer o certo."

Ela não disse nada.

Eduardo continuou:

"Mas eu também percebi que fugir deles não muda o que existe."

Isabela sentiu o coração acelerar.

Porque pela primeira vez Eduardo não estava falando como empresário.

Nem como o homem que precisava tomar decisões difíceis.

Estava falando como alguém que sentia.

Ele estendeu a mão.

Não como uma ordem.

Não como uma promessa vazia.

Apenas como uma escolha.

Isabela olhou para aquela mão por alguns segundos.

E percebeu a diferença.

Gabriel sempre segurava sua mão quando queria mostrar que ela pertencia a ele.

Eduardo estava oferecendo a mão para saber se ela queria caminhar ao lado dele.

Ela colocou sua mão na dele.

E naquele instante, Eduardo sorriu pela primeira vez sem tentar esconder.

Era um gesto simples.

Mas para Isabela significava tudo.

Porque pela primeira vez, alguém não estava escolhendo o que ela podia oferecer.

Estava escolhendo quem ela era.

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