《Ele Pensou Que Eu Nunca Iria Embora… Até Eu Escolher o Pai Dele》Parte 2

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A manhã seguinte chegou silenciosa sobre São Paulo.

A luz atravessava as janelas do apartamento onde Isabela havia passado os últimos meses ao lado de Gabriel Montenegro.

Por alguns segundos, ela ficou parada na cama, tentando entender onde estava.

Então as lembranças voltaram.

A festa.

As risadas.

A garrafa de uísque.

O olhar frio de Gabriel.

E depois...

Eduardo Montenegro.

Isabela fechou os olhos.

Ela lembrava de cada detalhe daquela noite.

Lembrava da forma como Eduardo a olhou.

Não como uma mulher inferior.

Não como alguém que precisava provar seu valor.

Mas como alguém que merecia ser ouvida.

Ela levantou devagar.

Pela primeira vez em muito tempo, não sentiu vontade de procurar Gabriel.

Não sentiu vontade de explicar.

Não sentiu vontade de pedir desculpas por algo que não tinha feito.

Seu celular estava cheio de mensagens.

Todas de Gabriel.

"Me liga quando acordar."

"Precisamos conversar."

"Você exagerou ontem."

Isabela olhou para a tela por alguns segundos.

Antes, aquelas mensagens seriam suficientes para fazer seu coração acelerar.

Antes, ela teria corrido até ele.

Mas naquele dia era diferente.

Ela finalmente percebeu algo doloroso.

Gabriel não estava preocupado com ela.

Ele estava preocupado em recuperar o controle.

Ela respondeu apenas uma mensagem.

"Precisamos conversar."

Poucos minutos depois, Gabriel chegou ao apartamento.

Ele entrou sem bater.

Como sempre fazia.

Porque durante anos ele acreditou que aquele lugar também pertencia a ele.

E que Isabela sempre estaria esperando.

Quando viu o rosto dela, percebeu que havia algo diferente.

Ela estava calma.

E isso incomodou.

"Você está estranha."

Isabela respirou fundo.

"Eu estou cansada."

Gabriel soltou uma pequena risada.

"Cansada de quê? De uma noite ruim?"

Ela ficou olhando para ele.

Aquele homem ainda não entendia.

Ainda achava que tudo era apenas uma discussão comum.

Como todas as outras.

"Gabriel, acabou."

O sorriso desapareceu lentamente do rosto dele.

"O quê?"

"Nosso relacionamento acabou."

Por alguns segundos, ele apenas ficou olhando.

Depois balançou a cabeça.

"Não faça isso."

Isabela franziu a testa.

"Fazer o quê?"

"Esse jogo."

Ela ficou em silêncio.

Gabriel se aproximou.

"Você está tentando me fazer sentir culpa."

A frase atingiu Isabela como um choque.

Mesmo naquele momento, ele ainda acreditava que ela estava tentando chamar atenção.

Que aquela decisão era apenas uma forma de fazê-lo correr atrás dela.

"Você realmente acha isso?"

Gabriel suspirou.

"Isabela, eu conheço você."

Ele falou com segurança.

"Você fica magoada, se afasta por alguns dias e depois volta."

Cada palavra dele mostrava exatamente o problema.

Ele não acreditava que ela pudesse ir embora.

Ele acreditava que ela era uma certeza.

Uma pessoa que sempre estaria disponível.

Isabela pegou algumas caixas que já estavam separadas.

Gabriel olhou para aquilo.

"Você está falando sério?"

"Sim."

"Você vai sair?"

"Sim."

Ele riu sem acreditar.

"Por causa de uma festa?"

Isabela olhou para ele.

"Não foi por causa de uma festa."

Sua voz ficou mais firme.

"Foi por causa de tudo que aconteceu antes dela."

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Gabriel tentou responder.

Mas ela continuou.

"Foi por todas as vezes que eu precisei implorar por atenção."

"Foi por todas as vezes que você escolheu qualquer pessoa antes de mim."

"E foi porque ontem você mostrou que não me respeitava."

Pela primeira vez, Gabriel ficou sem resposta.

Mas ainda havia arrogância no olhar dele.

Porque uma parte dele ainda esperava que ela desistisse.

Ele viu Isabela sair daquele apartamento.

E ficou parado.

Esperando que ela voltasse.

Porque era isso que sempre acontecia.

Nos dias seguintes, Gabriel descobriu uma coisa que nunca imaginou.

Isabela realmente tinha ido embora.

Ela voltou para um pequeno apartamento em Vila Mariana.

Um lugar simples.

Muito diferente da cobertura luxuosa onde vivia com ele.

Mas ali ela conseguia respirar.

Ali ninguém fazia ela se sentir pequena.

Mariana Oliveira Costa, sua melhor amiga, percebeu a mudança imediatamente.

"Você parece diferente."

Isabela sorriu levemente.

"Eu estou tentando lembrar quem eu era antes dele."

Mariana segurou sua mão.

"Você demorou muito para perceber."

Isabela baixou o olhar.

"Eu achei que amar alguém significava aguentar tudo."

"Mas eu estava errada."

Enquanto isso, no universo dos Montenegro, Gabriel tentava continuar sua rotina.

Mas algo estava incomodando.

Ele ligava.

Isabela não atendia.

Mandava mensagens.

Ela não respondia.

Ele passou a olhar o celular várias vezes por dia.

Uma atitude que nunca tinha tomado antes.

Porque sempre foi ela quem procurava.

Sempre foi ela quem insistia.

Sempre foi ela quem tinha medo de perder.

Agora era ele.

E isso o deixava furioso.

Na Mansão Montenegro, Gabriel encontrou Valentina durante um almoço familiar.

Ela percebeu imediatamente que havia algo errado.

"Ela ainda está fazendo drama?"

Gabriel mexeu no copo.

"Ela saiu de casa."

Valentina sorriu discretamente.

"Ela vai voltar."

A certeza dela era parecida com a de Gabriel.

"Mulheres como ela não abandonam uma vida dessas."

Gabriel ficou em silêncio.

Mas aquela frase incomodou.

Porque pela primeira vez ele começou a se perguntar:

E se ela realmente não voltasse?

No outro lado da cidade, Eduardo Montenegro tentava fazer o mesmo.

Esquecer.

Ele mergulhou no trabalho.

Reuniões.

Contratos.

Decisões milionárias.

Tudo para ocupar a mente.

Mas sempre que ficava sozinho, lembrava daquela noite.

O olhar de Isabela.

A tristeza escondida atrás da raiva.

O beijo inesperado.

E principalmente a expressão dela quando ele descobriu quem ela era.

Eduardo sabia que precisava manter distância.

Gabriel era mais do que um funcionário.

Era seu filho.

Mesmo que não fosse ligado pelo sangue.

Ele tinha escolhido cuidar dele.

Não poderia destruir tudo por uma emoção passageira.

Mas havia uma pergunta que continuava incomodando:

Quem era realmente Isabela Martins Ribeiro?

Porque naquela noite ele tinha visto apenas uma parte dela.

Uma mulher ferida.

Uma mulher tentando parecer forte.

Eduardo pediu ao seu assistente Ricardo Almeida Torres que buscasse algumas informações.

Não por curiosidade.

Ele dizia para si mesmo que era apenas responsabilidade.

Mas sabia que não era completamente verdade.

Algumas horas depois, Ricardo deixou uma pasta sobre sua mesa.

"É sobre a Isabela."

Eduardo ficou parado por alguns segundos antes de abrir.

Ali estavam informações que ele nunca imaginou.

A história da família dela.

Sua trajetória.

Seus sonhos.

As dificuldades que enfrentou.

Ele descobriu que Isabela não era uma garota tentando entrar no mundo dos Montenegro.

Ela era uma mulher que havia passado anos tentando sobreviver em um mundo que nunca abriu espaço para ela.

Eduardo virou a última página.

E pela primeira vez percebeu que aquela mulher que entrou em sua vida por uma noite...

Talvez carregasse uma história muito maior do que ele imaginava.

Naquele momento, o telefone tocou.

Era uma mensagem.

Uma única frase.

E quando Eduardo leu o nome de quem havia enviado, sua expressão mudou completamente.

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