localização atual: Novela Mágica Moderno Romance O Chefe Que Eu Ensinei a Andar Capítulo 10

《O Chefe Que Eu Ensinei a Andar》Capítulo 10

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Teresa fechou a porta e voltou sem correr. Ajoelhou-se diante do pé de Massimo, tocou o tendão e pediu que repetisse.

Antes de chamar a equipe, ela comparou o movimento com os registros da primeira semana. Na época, Massimo mal conseguia ativar o quadril depois das injeções. Agora o músculo respondia sem compensação dos ombros.

— Quero filmar — disse Teresa.

— Meu pé tem direito de imagem.

— Seu pé assinou o contrato quando mexeu.

Massimo posicionou o telefone, repetiu o movimento e errou. Na segunda tentativa, o calcanhar deslizou. Na terceira, levantou do piso por um segundo.

Dario entrou após ouvir a chamada. Ficou parado na porta, os olhos fixos no sapato.

— Diga alguma coisa — Massimo ordenou.

— A senhora Teresa vai mandar fazer de novo.

— Homem inteligente.

O neurologista chegou com a fisioterapeuta oficial. Teresa entregou a gravação e afastou-se para que repetissem testes independentes. Massimo procurava o rosto dela depois de cada comando.

Quando confirmaram avanço neurológico, ele estendeu a mão. Teresa aproximou-se.

— Isto muda o prognóstico — disse o médico.

Dario saiu para avisar Camila e preparar novamente as barras.

Massimo apertou os dedos dela.

— Muda o cronograma. O prognóstico ela já mudou.

Os dedos contraíram. O calcanhar avançou três centímetros.

— Outra vez.

— Você acabou de mandar parar.

— Mudei de ideia.

— Finalmente uma qualidade minha pegou em você.

Teresa ergueu os olhos.

— Outra vez.

O movimento reapareceu. Ela registrou, mediu e ligou para a equipe. Massimo assistia ao próprio pé como se fosse uma arma que voltara a funcionar.

Os meses seguintes reorganizaram a casa. Dario assumiu a segurança, afastou funcionários ligados a Domênico e instalou registros externos. Camila acompanhou o processo. Massimo delegou negócios legais a um conselho auditado e fechou empresas que não sobreviveriam à luz.

— Está desmontando o império? — Teresa perguntou.

— Estou descobrindo qual parte fica em pé sem sangue.

— E a outra?

— Entrego aos promotores antes que usem contra você.

Teresa não agradeceu. Corrigiu uma cláusula de proteção de testemunhas e devolveu a pasta.

A reabilitação avançou de barras para andador, de andador para duas bengalas. Massimo odiava cada equipamento e dava nome ofensivo a todos. Teresa escrevia os apelidos no prontuário informal.

Na primeira caminhada diante da família, ele atravessou seis metros e caiu no sétimo. Domênico assistia por videoconferência da audiência, projetado numa tela que Camila esquecera ligada.

Massimo viu o rosto do primo e tentou levantar sem ajuda. O joelho falhou.

Teresa desligou a tela.

— Ele não participa desta sessão.

— Quero que veja.

— Você ainda anda para humilhar alguém. Quando andar por você, chegamos ao jardim.

Massimo jogou a bengala no chão. O objeto bateu longe.

— Saia.

Teresa recolheu a bengala e a colocou ao alcance.

— Até amanhã.

Ele não pediu que ficasse. Às três da madrugada, enviou uma mensagem: "Andei até a porta sozinho."

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Teresa respondeu: "Imprudente."

Outra mensagem chegou: "Sete passos."

Ela digitou: "Filma da próxima vez."

Pela manhã, Massimo mostrou o vídeo. A postura estava ruim, o joelho travado, mas ele havia chegado.

— O que ganhou? — Teresa perguntou.

— A porta.

— Melhor que Domênico.

Ele segurou a cintura dela.

— E você.

— Eu já estava aqui.

— Continua.

O julgamento começou no quinto mês. Teresa depôs sobre doses e prontuários; a defesa tentou apresentá-la como funcionária interessada no dinheiro e amante que manipulava um homem vulnerável.

— Recebeu R$ 250 mil? — perguntou o advogado.

— Recebi o valor contratado por noventa dias de trabalho.

— Depois iniciou relação íntima com o paciente.

— Depois de encerrar o contrato.

— Ele pagou sua universidade.

— Meu trabalho pagou.

Massimo assistiu da primeira fila usando uma bengala. Quando o advogado perguntou se Teresa permanecera pela fortuna, ele tentou levantar. Camila segurou a manga dele.

— Deixa ela responder.

Teresa aproximou-se do microfone.

— Permaneci depois do pagamento, quando a opção mais segura era ir embora. Os registros mostram a data. Minha vida pessoal não altera a concentração da ampola, o áudio ou a linha de freio.

O juiz mandou o advogado avançar. Domênico perdeu o sorriso no banco dos réus.

Foi condenado por tentativa de homicídio, fraude, coação e associação criminosa. Reyes firmou acordo de colaboração; os executores receberam penas menores após confessar.

No mesmo mês, a universidade aprovou a permanência de Teresa no doutorado. Ela apresentou um estudo de caso anonimizado sobre interferência medicamentosa na recuperação motora.

Seis meses depois da chegada à mansão, Dario abriu as portas do jardim. Funcionários se alinharam perto das janelas. Camila segurava o celular, pronta para filmar.

Massimo esperava na entrada. Sem cadeira. Sem andador. Sem bengala.

Teresa ajustou o cinto de segurança ao redor da cintura dele e deixou as mãos próximas.

— Não toca a menos que eu peça — disse.

— Você me paga para evitar queda, não para impressionar a casa.

— O contrato acabou.

— Então cobro caro por queda voluntária.

Ele olhou para o caminho de pedra que atravessara apoiado nela durante a fuga. A marca de bala permanecia na coluna da varanda.

— Quantos metros? — perguntou.

— Até onde sua forma continuar boa.

Massimo deu o primeiro passo. Calcanhar, planta, ponta. O segundo veio com tremor. No quarto, a mão dele procurou apoio no ar e encontrou apenas espaço.

Teresa caminhava ao lado, sem tocar.

No oitavo passo, o joelho esquerdo dobrou. Massimo corrigiu antes da queda. No décimo segundo, atravessou o ponto onde as lanternas haviam encontrado os dois.

Dario bateu palmas uma vez. Os outros acompanharam. Massimo manteve os olhos em Teresa.

— Não olha para mim — ela disse. — Olha o caminho.

— Você é o caminho.

— Frase bonita não corrige postura.

Ele riu e avançou. Vinte passos. Trinta. A respiração ficou pesada, porém o tronco permaneceu alinhado.

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No fim do jardim, Massimo parou diante de Teresa. Ela verificou se os joelhos sustentavam e só então relaxou as mãos.

— Conseguiu.

— Nós conseguimos.

— Seus músculos. Seu trabalho.

— Sua voz dizendo "de novo" até eu odiar e precisar dela.

Ele estendeu a mão. Teresa olhou para a palma aberta que antes dava ordens, oferecia dinheiro e segurava barras.

— O que está pedindo? — perguntou.

— O resto. Dias ruins, sessões, seu doutorado, minhas audiências. Uma casa que não precise de passagem secreta.

Teresa colocou a mão na dele.

— Sem contrato?

— Sem prazo.

— Sem mandar na minha vida.

— Vou falhar nessa parte algumas vezes.

— Eu mando repetir.

Massimo puxou-a para perto e beijou-a sob o olhar da casa inteira. Quando se afastou, as pernas ainda tremiam. Teresa manteve uma mão em sua cintura.

— Cansou?

— Muito.

— Cadeira?

— Depois.

Ele deu mais um passo, parou diante dela e ofereceu a mão novamente.

Antes da cerimônia no jardim, Massimo havia treinado aquela distância em segredo com a equipe oficial. Caiu duas vezes, rasgou a manga e proibiu Dario de contar. Na terceira tentativa, recusou-se a começar enquanto Teresa não fosse chamada.

— Queria surpreender você — admitiu.

— Surpresa é inimiga de protocolo.

— Dario disse a mesma coisa.

Teresa examinou a manga rasgada e encontrou apenas um arranhão. Massimo esperou, de pé, até que ela terminasse. O homem que antes escondia dormência agora relatava cada dor antes de dar o próximo passo.

No caminho de volta à casa, ele aceitou a cadeira quando o joelho perdeu estabilidade. Teresa caminhou ao lado, com a mão sobre o ombro dele. Andar havia deixado de ser prova de poder. Sentar também deixara de ser derrota.

— Desta vez, Teresa, eu fico de pé se você ficar comigo.

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