localização atual: Novela Mágica Moderno Romance O Chefe Que Eu Ensinei a Andar Capítulo 9

《O Chefe Que Eu Ensinei a Andar》Capítulo 9

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Teresa acompanhou a ambulância até o Hospital Santa Helena. Entregou aos médicos horários, doses, esforço físico e queda de consciência. Depois ficou fora da sala, com terra nos tênis e sangue de Dario na manga.

Camila chegou às quatro da manhã. Trazia o notebook, duas garrafas de água e a notícia de que Domênico fora autuado por tentativa de homicídio, associação criminosa e fraude médica.

— Dario gravou tudo — disse.

— O telefone de Massimo também pegou parte.

— Melhor. Duas fontes.

Teresa olhou a porta fechada.

— Ele sobrecarregou a coluna.

— Você tirou um homem paraplégico por quarenta e dois degraus durante um ataque.

— Eu deixei que levantasse diante de Domênico.

Camila empurrou uma garrafa para ela.

— Tente controlar menos o que já aconteceu.

— Conselho estranho vindo de advogada.

O cirurgião saiu ao amanhecer. As fixações estavam intactas. Massimo sofrera exaustão, desidratação e queda de pressão. Ficaria internado por observação.

— A recuperação motora mostrou resposta acima do esperado — disse o médico. — O esforço foi imprudente, porém revela potencial.

Teresa não comentou a palavra "imprudente". Entrou no quarto depois da autorização.

Massimo abriu os olhos.

— Domênico?

— Preso.

— Dario?

— Levou pontos e já está irritando enfermeiro.

— Você?

Teresa mostrou o cotovelo ralado.

— Orgulho ferido.

Ele procurou a mão dela sobre o lençol.

— Eu desmaiei.

— Com estilo péssimo.

— Andei.

— Três passos e uma queda.

— Você contou.

— Conto tudo.

Uma fisioterapeuta do hospital entrou com crachá de especialista e currículo que a família solicitara. Explicou protocolo, descanso e nova avaliação.

Teresa recolheu a própria bolsa clínica.

Massimo acompanhou o movimento.

— Aonde vai?

— Você está internado e tem equipe. Meu contrato termina em nove dias.

— O dinheiro foi transferido.

— Vi a mensagem.

— Seu doutorado está pago.

— Está.

Ele soltou a mão dela.

— Então pode voltar para São Paulo.

Teresa fechou a bolsa.

— Posso.

— É isso que quer?

Ela reconheceu a pergunta que fizera no escritório. Massimo olhava para a janela, onde a primeira chuva fria do inverno riscava o vidro.

— Ainda precisa de terapia — Teresa respondeu.

— A profissional nova tem mais experiência.

— Experiência não conhece suas manias.

— Isso não é resposta.

Teresa sentou novamente.

— Fiquei pelo paciente que alguém estava envenenando.

— Domênico está preso.

— O processo continua.

— Camila cuida.

Ele virou o rosto. A voz saiu baixa.

— Fique por mim.

Teresa apertou a alça da bolsa.

— Sem salário, contrato ou dívida?

— Fique porque estou pedindo.

Era a primeira vez que Massimo Pascale formulava um desejo sem embrulhá-lo em ordem. A mão dele permaneceu aberta sobre o lençol.

Teresa colocou a própria mão ali.

— Eu já sabia a resposta antes de você perguntar.

Massimo puxou-a com cuidado. Teresa apoiou o joelho na borda da cama e beijou-o. Sem tiro, degrau ou porta abrindo. A mão dele deslizou pela nuca; ela segurou a barba curta entre os dedos.

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Quando se afastaram, a fisioterapeuta do hospital ainda esperava junto à porta, tentando fingir que examinava a prancheta.

— Dou cinco minutos — disse.

— Dez — Massimo respondeu.

Teresa apertou a mão dele.

— Cinco.

Ele olhou para a profissional.

— Ela manda.

O motorista desaparecido foi localizado duas semanas depois. Depôs por vídeo da Flórida e admitiu que Domênico o pagara para abandonar o carro após um mecânico cortar parcialmente a linha de freio. O plano previa ferimento e incapacidade, não morte imediata; o desvio na estrada quase ultrapassara o cálculo.

Dr. Reyes entregou o token, e a segunda enfermeira confirmou que recebeu ameaça contra o filho. Os registros formaram uma linha que ligava medicação, certificado, pagamentos e sucessão.

Teresa voltou ao doutorado. Passava manhãs na universidade, tardes na mansão e noites corrigindo artigos ao lado de Massimo.

Um mês depois, ela tentou sair do quarto após uma discussão sobre descanso.

— Chega por hoje — disse.

— Mais uma repetição.

— Seu quadril perdeu alinhamento.

— Teresa.

— Massimo.

Ela chegou à porta. Atrás, ouviu tecido roçar.

Massimo estava sentado na maca, olhando para a perna direita.

O pé havia se movido sozinho até o chão.

O retorno à mansão ocorreu sob ordem médica. Teresa redesenhou o cronograma para conciliar aulas e terapia. Massimo reclamou de todos os horários e cumpriu cada um.

Nas semanas seguintes, o pedido para ela ficar ganhou consequências práticas. Teresa manteve o quarto separado, pagou despesas pessoais e recusou o carro exclusivo. Massimo aprendeu a perguntar antes de enviar segurança e a ouvir "não" sem transformar a resposta em negociação.

Uma noite, ele apareceu na cozinha usando o andador. Teresa corrigia um capítulo da tese.

— Preciso de ajuda — disse.

Ela fechou o computador. Era a primeira vez que ele usava a frase sem sarcasmo.

— Com o quê?

— Banho.

No banheiro, Massimo explicou que os ombros doíam. Teresa realizou a transferência, cobriu as pernas e lavou suas costas. O gesto repetia o trabalho do primeiro dia, agora sem confronto.

— Está me olhando — ele disse.

— Avaliando pele.

— Mentirosa.

Teresa sorriu e beijou seu ombro antes de entregar a esponja.

— O resto você consegue.

Ele segurou o pulso dela, de leve, na mesma posição da primeira manhã. Desta vez, abriu a mão imediatamente.

— Obrigado.

Teresa fechou a porta pelo lado de fora e permaneceu perto, como fizera no primeiro banho.

A volta de Teresa ao doutorado provocou fofocas. Colegas reconheceram o sobrenome do paciente e perguntaram se a pesquisa seria comprada. Ela apresentou comprovantes, contrato e autorização ética antes que a coordenação solicitasse.

Massimo apareceu no campus para a reunião, usando cadeira e sem seguranças dentro da sala. A coordenadora perguntou se ele financiaria o projeto.

— Não — respondeu. — Ela não aceita meu dinheiro quando pode vencer sozinha.

Teresa olhou para ele.

— Às vezes aceita café.

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— Café ruim da máquina. Tenho testemunhas.

A matrícula foi mantida. No estacionamento, Massimo entregou uma chave a Teresa.

— O que é?

— Sala de estudo na mansão. Só sua. Eu bato antes de entrar.

— Isso é presente caro?

— É uma porta com fechadura.

Teresa aceitou. Naquela sala, escreveu metade da tese enquanto Massimo treinava passos no corredor. Ele batia duas vezes quando precisava de pausa; ela aparecia com cronômetro e água.

Os dois aprenderam uma rotina que não dependia de crise. O perigo diminuía, e a escolha de permanecer precisava sobreviver aos dias comuns.

No hospital, Teresa também recebeu ordem formal para se afastar do atendimento durante a investigação. O conselho alegou conflito após o beijo visto por Dario.

Ela assinou a suspensão, entregou o prontuário à nova fisioterapeuta e ficou do lado de fora durante a primeira sessão. Massimo recusou começar até Teresa entrar apenas como visitante.

— Não uso relação para interferir no tratamento — ela disse.

— Então fica na cadeira e não fala.

Teresa permaneceu em silêncio por quatro minutos. Quando ele compensou o quadril, levantou uma sobrancelha. Massimo corrigiu sozinho.

Após a alta, a equipe manteve responsabilidade clínica. Teresa ajudava fora do horário, como parceira, e registrava cada limite. O pedido de Massimo para que ficasse precisava caber numa vida em que ela continuava profissional, aluna e dona das próprias decisões.

Quando o pé de Massimo voltou a se mover, a equipe repetiu exames de imagem e eletromiografia. Os resultados confirmaram recuperação de vias nervosas preservadas. Teresa assistiu à avaliação do outro lado do vidro, proibida de intervir.

Massimo executou cada comando e procurou o rosto dela depois de cada resposta. A médica perguntou se ele sentia o toque na planta do pé.

— Sinto.

Teresa ergueu dois dedos atrás do vidro. Ele respondeu com o mesmo gesto.

A recuperação não avançou em linha reta. Houve dias de espasmo, febre e dor. Massimo voltou à cadeira após cada crise e retomou as barras na manhã seguinte. Teresa aprendeu a comemorar centímetros e a não transformar regressão em derrota.

O primeiro passo sem apoio aconteceu numa terça-feira vazia. Massimo largou a barra antes da ordem e alcançou Teresa do outro lado. Ela o segurou apenas depois que os dois pés pararam.

— Um — disse.

— Foi perfeito.

— Foi um.

— Então de novo.

Teresa voltou ao doutorado dois dias depois do pedido de Massimo. Entrou na sala com olheiras, o cotovelo enfaixado e a tese atrasada. A orientadora fechou a porta e pediu a verdade que pudesse constar num relatório.

Teresa entregou boletim, contrato e declaração do hospital. Não mencionou o beijo. A orientadora leu tudo e estendeu o prazo por trinta dias.

— Você quer continuar o curso?

Teresa abriu o notebook.

— Quero terminar o que comecei.

À tarde, mostrou a Massimo o novo cronograma. Ele tentou oferecer equipe, motorista e secretário. Teresa aceitou apenas transporte nos dias em que a segurança exigisse.

— Você dificulta ajuda — ele disse.

— Eu escolho a ajuda.

Massimo assentiu e anotou os horários das aulas. Na semana seguinte, esperou no carro sem entrar no campus, respeitando o limite combinado. Teresa encontrou café no suporte e nenhum envelope.

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