localização atual: Novela Mágica Moderno Romance O Chefe Que Eu Ensinei a Andar Capítulo 7

《O Chefe Que Eu Ensinei a Andar》Capítulo 7

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Teresa fechou a porta baixa e empurrou a trava. O primeiro golpe veio do outro lado antes que ela terminasse.

— Desce — disse.

Massimo apoiou uma mão no corrimão e outra no ombro dela. A perna direita arrastava; a esquerda respondia em espasmos.

— Não puxa pelo braço — Teresa orientou. — Transfere peso e senta no próximo degrau.

— Vão levar uma hora.

— Se quebrar a coluna, levam você num saco.

Ele desceu. Teresa ficou abaixo, joelhos flexionados, faixa presa ao próprio antebraço. A cada degrau, Massimo soltava o ar junto ao ouvido dela.

No sexto, ele escorregou. Teresa travou as pernas e recebeu o corpo dele contra o peito. A parede arrancou pele de seu cotovelo.

— Peguei.

— Solta. Reposiciona.

— Para de dar aula.

— Você gosta quando mando.

Massimo riu uma vez, sem fôlego.

— Situação ruim para descobrir.

O barulho na porta ficou distante. Os invasores haviam encontrado a sala, mas ainda procuravam o mecanismo da passagem.

No décimo quinto degrau, Massimo tentou apoiar o pé direito. O joelho sustentou parte do peso e cedeu.

— De novo — Teresa disse.

— Agora?

— Seu corpo conhece urgência. Pé inteiro. Empurra.

Ele obedeceu. Subiu o quadril por um segundo, permitindo que Teresa ajustasse a posição.

— Isso foi força real — ela disse.

— Guarda a comemoração.

— Vou cobrar na sessão.

No vigésimo terceiro, a respiração de Massimo falhou. Teresa sentou ao lado dele, conferiu pulso e pupilas.

— Não pode parar — ele disse.

— Posso por sessenta segundos.

— Eles chegam.

— E encontram um homem consciente, não um desmaiado.

Ele encostou a cabeça na parede. Teresa limpou suor da têmpora com a manga.

— Você devia ter ido embora — Massimo murmurou.

— Já discutimos.

— Minha família transforma tudo em dívida.

— Eu não sou sua família.

Os olhos dele abriram.

— Isso deveria ajudar?

Teresa manteve dois dedos no pulso.

— Significa que escolhi estar aqui sem sobrenome, contrato ou ordem.

Massimo aproximou o rosto. A mão dele segurou a nuca dela com menos força que nas barras.

O estrondo da porta superior interrompeu. Vozes entraram na passagem.

— Acabou o minuto — Teresa disse.

Ela se levantou e puxou a faixa. Massimo apoiou-se nela, mais alto desta vez. Desceram os degraus restantes usando parede e corrimão.

A adega cheirava a madeira úmida. Garrafas antigas ocupavam nichos cobertos de pó. Teresa encontrou uma cadeira de transporte dobrada, mas a roda estava quebrada.

— Jardim fica atrás daquela porta — Massimo apontou. — Trinta metros.

— Plano novo. Você anda com apoio.

— Minhas pernas não sustentam.

— Sustentaram no degrau.

— Por um segundo.

— Colecionamos segundos.

Teresa passou o braço dele sobre os ombros e prendeu a faixa na cintura dos dois. Massimo colocou a bengala na mão livre.

O primeiro passo arrastou a ponta do sapato. O segundo dobrou o joelho. No terceiro, ele caiu contra uma prateleira e garrafas tilintaram.

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— Não vou conseguir.

Teresa segurou o rosto dele.

— Olha para mim. Pé direito, bengala, esquerdo. Só isso.

— Eles chegam antes.

— Então vão ver você andando.

Massimo respirou pelo nariz e repetiu a sequência. Teresa contava junto ao ouvido. Pé. Bengala. Esquerdo.

O luar entrava por uma fresta na porta da adega. Atrás, lanternas apareceram no alto da escada.

— Mais quatro — Teresa disse.

Massimo avançou. O corpo inteiro tremia. No último metro, o joelho falhou e ele a prendeu contra a porta. Os rostos ficaram separados por um sopro.

— Ainda acha que sou rude? — perguntou.

— Mais que antes.

Ele beijou Teresa. Curto, urgente, a boca quente depois da pedra fria. Ela segurou a camisa dele e respondeu até uma voz gritar dentro da adega.

Teresa abriu a porta. Os dois caíram no jardim e rolaram sobre a grama molhada.

Sirene soou além dos muros.

Massimo tentou levantar usando a grade. Teresa apoiou a cintura dele.

— Senta.

— Só quando acabar.

Lanternas varreram as árvores. Três homens surgiram perto da entrada do jardim.

Um facho de luz parou no rosto dos dois.

— Achei eles — alguém gritou.

Na passagem, a lesão antiga lembrava cada movimento. Teresa verificava sensibilidade a cada seis degraus. Massimo mentiu duas vezes sobre dormência; ela percebeu pelo modo como ele arrastava o calcanhar.

— Se perder sensibilidade, fala.

— Se falar, você para.

— Se esconder, eu arrasto você de volta.

Ele confessou formigamento. Teresa ajustou a faixa e mudou o apoio, usando o próprio quadril como ponto de estabilidade.

As mãos de Massimo tremiam sobre os ombros dela. A proximidade deixou de ser constrangimento; virou mecanismo de sobrevivência.

Na adega, encontraram uma porta emperrada pela umidade. Teresa tentou a maçaneta, Massimo usou a bengala como alavanca e os dois empurraram juntos.

— No três — ela disse.

— Sei a contagem.

— Milagre clínico.

A madeira abriu com estalo. Ar frio entrou, junto com o som de sirenes ainda distantes.

Antes de sair, Massimo retirou do bolso um anel com selo Pascale e o colocou na mão dela.

— Se nos separarem, mostra a Dario. Ele obedece ao portador.

Teresa fechou os dedos ao redor do metal.

— Você transforma tudo em símbolo de poder.

— Hoje é só uma chave.

Ela devolveu o anel ao dedo dele.

— Então abre o jardim comigo.

Na adega, Teresa encontrou uma torneira antiga e molhou um pano para o rosto de Massimo. Ele apoiou as costas nas garrafas, tentando recuperar força.

— Se ficar aqui, nos alcançam — disse.

— Se sair sem conseguir sustentar, caímos no jardim.

— Você transforma fuga em consulta.

— E mantém o paciente vivo.

Ela testou quadríceps e sensibilidade. O lado esquerdo respondia melhor que no início do contrato. Teresa usou caixas vazias para criar apoio intermediário e treinou a sequência duas vezes antes de caminhar.

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Cada tentativa arrancou suor e palavrões. Na terceira, Massimo percorreu quatro metros.

— Viu? — ela perguntou.

— Vi você prestes a quebrar a coluna.

— Minha coluna não é o foco.

— É para mim.

Massimo puxou-a pela faixa e verificou o cotovelo ferido. Rasgou parte da própria camisa para cobrir a pele.

— Está destruindo roupa cara — Teresa disse.

— Você está sangrando numa passagem da minha família.

O gesto levou mais tempo que o necessário. Teresa deixou que ele terminasse o nó. Depois apoiou o braço dele sobre os ombros e retomou a caminhada.

Quando a porta do jardim abriu, o beijo veio antes que ambos decidissem falar. As lanternas interromperam.

No meio da descida, Massimo perdeu a bengala. Ela caiu dez degraus e desapareceu no escuro. Teresa amarrou a corda ao corrimão e criou um apoio para a mão dele.

— Não olha para baixo — disse.

— Ordem clínica?

— Pedido bem formulado.

Ele obedeceu. Quando as pernas falharam novamente, Massimo avisou antes da queda. Teresa redistribuiu o peso, e os dois desceram sentados por quatro degraus.

Vozes chegaram ao alto. Domênico mandava dividir a equipe entre passagem e jardim.

Teresa enviou o áudio assim que uma barra de sinal apareceu perto da adega. Camila respondeu com um único símbolo de confirmação. A prova já estava fora da casa antes do beijo e das lanternas.

Perto da saída, Massimo perdeu força nas mãos. Teresa enrolou a faixa nos próprios antebraços e criou um apoio para que ele avançasse sem agarrá-la pelo pescoço.

— Está doendo? — ele perguntou ao ver o corte dela.

— Depois.

— Resposta ruim.

— Aprendi com você.

Massimo parou, obrigando Teresa a encará-lo.

— Não esconda lesão para me tirar daqui.

Ela mostrou o cotovelo e permitiu que ele verificasse o movimento. Só retomaram quando ambos concordaram que era superficial. O cuidado já circulava nos dois sentidos.

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