localização atual: Novela Mágica Moderno Romance O Chefe Que Eu Ensinei a Andar Capítulo 4

《O Chefe Que Eu Ensinei a Andar》Capítulo 4

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Teresa pegou uma das taças e a colocou sobre o aparador sem beber.

— Dario me mostrava a saída de emergência.

Domênico observou o corredor vazio.

— Ele leva segurança a sério.

— Alguém precisa.

O sorriso dele permaneceu.

— Massimo descansa?

— Prontuário médico.

— Sou da família.

— Continua sendo prontuário.

Teresa passou por ele. Quando chegou ao quarto, Massimo lia mensagens com o telefone apoiado no colo.

— Quem assume as empresas se você não voltar? — perguntou.

Os polegares dele pararam.

— Isso não é fisioterapia.

— A administração tem chave da farmácia, alguém altera suas doses e seu primo acompanha cada segundo em pé.

Massimo colocou o telefone na mesa.

— Domênico assumiu interinamente depois do acidente. Se eu for declarado incapaz, permanece. Se eu morrer, o conselho confirma.

— Motivo bastante.

— Alguém falou com você.

— Observei.

— Quem?

Teresa cruzou os braços.

— Se eu entregar qualquer pessoa que tenta ajudar, ninguém fala comigo outra vez.

— Esta é minha casa.

— E seu sistema de segurança deixou alguém dobrar uma dose.

Ele fechou as mãos nos apoios. A voz caiu.

— Teresa.

— Não.

Massimo girou a cadeira, bloqueando a porta.

— Você não entende o risco.

— Entendo que a fonte confiou em mim. Protejo essa confiança.

Os dois ficaram imóveis. Depois Massimo recuou a cadeira e liberou a passagem.

— Está se tornando parte do problema.

— Estou mantendo você vivo para reclamar.

Naquela noite, Teresa entrou no escritório clínico usando a chave fornecida pelo contrato. Abriu prontuários digitais e físicos lado a lado. As divergências formavam padrão: doses maiores antes das avaliações, lacunas após pequenos avanços, sedativos adicionados nas semanas em que as enfermeiras pediram desligamento.

A segunda profissional havia escrito "paciente excessivamente sonolento". A nota desaparecera da versão digital.

Teresa fotografou cada página com régua de data e salvou cópias em nuvem. Uma assinatura do Dr. Reyes surgia às duas e quarenta da madrugada, quando o médico estava em congresso no Recife.

Outra entrada usava o certificado de administração da casa.

Ela abriu o histórico de acesso. O usuário "DPascale" consultara o arquivo minutos antes de cada alteração.

A porta rangeu.

Domênico entrou e fechou-a com a ponta do sapato.

— Trabalhando até tarde?

Teresa minimizou a tela.

— Revisão de medicação.

— Encontrou algo interessante?

— Eu deveria?

Ele aproximou-se da mesa. O perfume seco preenchia o espaço pequeno.

— Registros de hospital confundem quem não participou das primeiras decisões.

— Sou licenciada há seis anos.

— E doutoranda com mensalidades atrasadas.

Teresa manteve as mãos sobre o teclado.

— Investigou minha conta?

— Verificamos todos que dormem perto de Massimo.

— Eu durmo no corredor oposto.

— Distância curta nesta casa.

Domênico tocou a pasta física.

— Houve complicações depois da cirurgia. Reyes ajustou doses por telefone.

— Vou perguntar a ele sobre os horários.

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— Faça isso. Perguntas trazem respostas desconfortáveis. Algumas pessoas não gostam de ser interrogadas dentro da própria casa.

— Isso é conselho?

— Preocupação.

Teresa levantou-se. Domênico permaneceu entre ela e a porta.

— As três enfermeiras encontraram os mesmos registros?

O sorriso dele diminuiu.

— Elas não tinham sua curiosidade.

— Então saíram por quê?

— Massimo quebra pessoas. Você vai descobrir.

Teresa pegou o telefone. Domênico segurou a borda da mesa, sem tocar nela.

— R$ 250 mil mudam uma vida — disse. — Também compram silêncio por muito menos.

— O meu saiu caro.

— Seu doutorado tem preço exato.

Ele se afastou da porta. Teresa saiu sem correr e encontrou Dario no patamar. O segurança viu o rosto dela, depois a porta fechada.

— Preciso falar com Massimo.

— Está no escritório principal.

Domênico abriu a porta atrás dela.

— Prima, leve isto a ele.

Entregou uma pasta de reuniões, como se nada tivesse acontecido.

Teresa entrou no escritório de Massimo sem bater. Espalhou fotografias dos prontuários sobre a mesa.

— Estão mantendo você fraco.

Massimo leu cada folha. A mão direita fechou lentamente.

— Domênico encontrou você?

— Trancou a porta e avaliou quanto custa meu silêncio.

Massimo apertou um botão. Dario apareceu.

— Traga meu primo.

Teresa segurou o pulso dele.

— Ainda não.

— Ele ameaçou você.

— E acabou de confirmar que tem medo da prova. Se atacar agora, ele apaga o resto.

Massimo olhou a mão dela em seu pulso. Teresa soltou.

— Minha fisioterapeuta encontrou fraude médica dentro da minha casa — ele disse a Dario. — Ninguém toca nela.

Dario assentiu.

Do lado de fora, uma chave girou. A maçaneta desceu, mas a porta não abriu.

Alguém os havia trancado por fora.

O confinamento no escritório durou sete minutos, tempo suficiente para Dario conferir câmeras. O corredor ficara vazio durante a quebra da chave. Um funcionário recém-contratado desaparecera pela garagem.

Teresa pediu cópia da imagem. O homem usava luvas e carregava uma caixa de farmácia. Domênico aprovara sua contratação dois dias antes.

Massimo queria fechar os portões. Teresa exigiu que preservassem a saída e rastreassem o veículo sem alertar Domênico.

— Está conduzindo minha segurança agora? — ele perguntou.

— Estou impedindo que você avise o suspeito com sirene.

Dario concordou. Massimo olhou dos dois para a porta quebrada.

— Todos se uniram contra mim.

— Primeira equipe funcional da casa — Teresa respondeu.

À tarde, ela visitou a segunda enfermeira, Lúcia Farias, num apartamento perto de Guarulhos. Lúcia só abriu depois de Camila mostrar identificação.

Contou que encontrara doses diferentes e fotografara uma ampola. Um homem a seguiu até a escola do filho. No dia seguinte, recebeu acordo de R$ 80 mil e uma passagem para Curitiba.

— Por que voltou? — Teresa perguntou.

— Minha mãe ficou doente. E eu cansei de olhar janela.

Lúcia entregou a fotografia original. O lote combinava com a ampola atual e fora comprado por clínica de fachada ligada a Domênico.

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Na saída, um carro os seguiu por oito quarteirões. Dario alterou a rota, entrou num estacionamento de shopping e bloqueou o perseguidor entre duas viaturas avisadas por Camila.

O motorista abandonou o veículo. No porta-luvas, a polícia encontrou fotos de Teresa, Lúcia e Massimo nas barras.

Antes de confrontar os registros, Teresa visitou a farmácia da casa. Cada prateleira tinha etiqueta, porém duas caixas possuíam lacres refeitos com fita transparente. Ela fotografou o número dos lotes e pediu que Dario chamasse perícia.

Celeste admitiu que Domênico entrava ali sem registro. Trazia vinho para os funcionários e dispensava todos da cozinha durante reuniões.

— Ele dizia que Massimo precisava dormir — contou.

— E quem aplicava?

— Um enfermeiro particular. Nunca dizia o nome.

As câmeras mostraram o homem usando o mesmo relógio do funcionário que quebrara a chave. Dario reconheceu-o como ex-segurança de Domênico.

Massimo ouviu a descoberta na sala de terapia. Tentou levantar antes de Teresa ajustar a faixa.

— Senta.

— Quero falar com ele.

— Seu primo quer exatamente isso: você irritado, em pé sem apoio e parecendo incapaz de decidir.

Massimo bateu na barra.

— Ele usa meu corpo como prova contra mim.

— Então damos outra prova.

Teresa ligou a câmera e gravou toda a sessão sem sedação. Massimo sustentou peso, respondeu a comandos e explicou decisões empresariais com clareza. O vídeo seguiu para o conselho junto com o laudo.

Domênico perdeu a primeira votação por um voto. Naquela noite, trancou Teresa no escritório.

O conselho respondeu ao vídeo pedindo avaliação independente. Teresa convidou dois neurologistas sem ligação com a família. Ambos confirmaram capacidade mental e potencial motor.

Domênico tentou permanecer na sala. Massimo apontou para a porta.

— Minha fisioterapeuta escolhe quem acompanha.

Teresa não corrigiu o possessivo. Durante a marcha assistida, Massimo apertou seu ombro e avançou o pé. O movimento apareceu diante de testemunhas que Domênico não controlava.

Após a avaliação, Teresa encontrou um bilhete sob a bolsa: "O próximo prontuário será o seu." Ela lacrou o papel, chamou Dario e continuou a sessão sem contar a Massimo até que a prova estivesse segura.

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