localização atual: Novela Mágica Moderno Romance O Chefe Que Eu Ensinei a Andar Capítulo 3

《O Chefe Que Eu Ensinei a Andar》Capítulo 3

PUBLICIDADE

Massimo leu o rótulo sem tirar a cabeça da maca.

— Reyes não altera dose sem avisar.

— Hoje alterou ou alguém usou o nome dele.

Teresa fotografou a ampola, lacrou-a num saco e ligou para Camila. A advogada pediu que não acusasse ninguém até confirmar o lote.

— Meu corpo recebeu a acusação — Massimo disse, ouvindo do travesseiro.

Teresa desligou.

— Você fica no quarto até o efeito passar.

— Tenho reunião.

— Remarca.

— Vinte pessoas vieram do centro.

— Podem admirar a paisagem.

Ele tentou sentar. O braço falhou, e Teresa apoiou a mão em seu peito.

— Não testa limite sedado.

Massimo cobriu os dedos dela com a própria mão.

— Você manda muito.

— Está descobrindo só agora?

Ele soltou a mão, mas a ponta dos dedos demorou na pele dela.

Dr. Reyes chegou uma hora depois. Tinha cabelos grisalhos, pasta de couro e uma irritação contida ao ver a ampola.

— Prescrevi metade disso por via oral.

— Quem possui acesso ao armário? — Teresa perguntou.

— Eu, a enfermagem e a administração da casa.

— Qual enfermagem? As três saíram.

Reyes fechou a pasta.

— O senhor Pascale teve períodos de dor intensa. Algumas decisões foram tomadas por telefone.

— Mostre a ordem de hoje.

— Preciso consultar o sistema.

— Consulte aqui.

Massimo observou os dois. Reyes abriu o tablet; a conexão falhou duas vezes. Na terceira, apareceu uma ordem assinada às cinco e dez, horário em que o médico estava numa cirurgia registrada no hospital.

— Clonaram seu certificado — Teresa disse.

Reyes empalideceu.

— Vou acionar a equipe de tecnologia.

— Acione a polícia também — Massimo respondeu.

O médico evitou seus olhos.

— Primeiro precisamos confirmar.

— Saia.

Reyes guardou o tablet e partiu. Teresa acompanhou-o até o corredor e anotou a placa do carro.

Durante a noite, Massimo recuperou força. Teresa trouxe sopa e encontrou uma pasta aberta no colo dele. O relatório da colisão mostrava o carro rompendo a mureta numa estrada litorânea entre Ubatuba e Paraty.

— Você estava na serra errada — ela disse.

— A casa da minha mãe fica em Paraty.

— Lembra da batida?

Ele virou uma página.

— Lembro de entrar no carro. Acordei três dias depois com titânio na coluna.

— Traumas apagam intervalos.

— Meu motorista dirigia aquela estrada havia quinze anos. Pediu demissão na semana seguinte, mudou para a Flórida e não respondeu à família.

Teresa sentou na cadeira próxima.

— A polícia o ouviu?

— Disse que um animal atravessou a pista.

— Laudo mecânico?

— Sumiu da pasta.

Ela colocou a notificação acadêmica entre as páginas por engano ao procurar caneta. Massimo a puxou antes que Teresa recuperasse.

— Cancelamento de matrícula.

— Devolve.

— Foi por isso que aceitou.

— Você já sabia que eu precisava do dinheiro.

— Não sabia que faltavam quatorze dias.

PUBLICIDADE

Teresa arrancou o papel da mão dele.

— Meu problema continua fora da sua fisioterapia.

— Posso resolver amanhã.

— Eu resolvo trabalhando.

Massimo fechou a pasta.

— Então é isso que faço para você? Trabalho?

— Hoje você foi um paciente sedado contra a prescrição.

Ele ficou em silêncio. Teresa pegou a bandeja vazia e caminhou para a porta.

— Por que está me contando sobre o motorista? — perguntou.

— Você não tem motivo para mentir.

— Tenho R$ 250 mil de motivos.

— Precisava aceitar o serviço. Nunca quis estar nesta casa.

A frase alcançou Teresa antes da porta. Ela manteve a mão na maçaneta.

— Agora estou.

Na manhã seguinte, Teresa pediu o laudo mecânico diretamente à seguradora. O arquivo indicava corte parcial na linha de freio, atribuído a impacto posterior. Um engenheiro havia solicitado nova análise; o pedido fora cancelado por representante da família.

Domênico entrou na sala durante a sessão.

— Ótimo vê-lo de pé — disse.

Massimo segurava as barras. Teresa percebeu os olhos do primo no cronômetro.

— Quanto tempo até andar sem apoio?

— Não dou prazo — ela respondeu.

— A diretoria precisa planejar.

— Planeje sem usar o quadril dele como calendário.

Domênico sorriu.

— Direta. Entendo por que Massimo gosta de você.

Massimo sentou.

— Minha fisioterapeuta não responde ao conselho.

O "minha" ficou no ar por tempo demais. Teresa limpou as barras sem olhar para ele.

À noite, Dario parou Teresa perto da cozinha. Verificou as duas pontas do corredor.

— Cuidado com quem confia nesta casa.

— Isso inclui você?

— Principalmente.

— Quem cancelou a análise do freio?

Dario apertou o maxilar.

— Nem todos querem o senhor Pascale andando.

Passos surgiram atrás deles. Dario se afastou antes que Teresa perguntasse mais.

Domênico apareceu no fim do corredor, segurando duas taças de vinho. Olhou de Dario para Teresa e sorriu.

— Interrompi alguma coisa?

Teresa passou o dia seguinte rastreando o motorista, Álvaro Mendes. Encontrou um endereço antigo em Santos, uma empresa aberta na Flórida e uma transferência recebida dois dias depois da colisão.

Massimo observou a pesquisa do outro lado da mesa.

— Você invade a vida de todo paciente?

— Só dos que esquecem uma tentativa de homicídio entre duas sessões.

— Ainda não sabemos.

— A linha de freio sabe.

Camila conseguiu o laudo completo. Fotografias mostravam corte limpo antes da ruptura causada pelo impacto. Um e-mail do engenheiro pedia perícia criminal; a resposta de Domênico classificava o defeito como dano posterior.

Massimo ampliou a assinatura do primo.

— Ele cuidava do seguro.

— E assumiu a empresa na mesma noite.

Dario trouxe um mapa dos deslocamentos. O carro deveria seguir para a capital, porém recebeu instrução por mensagem para usar a estrada costeira. A mensagem partira de um telefone corporativo da administração.

Massimo segurou o mapa até o papel amassar.

— Meu primo sabia que eu visitaria minha mãe. Mudou a rota depois que entrei no carro.

PUBLICIDADE

Teresa alisou o mapa sobre a mesa.

— Precisamos do motorista vivo e falando.

— Meus homens encontram.

— Polícia encontra.

— A polícia arquivou.

— Então Camila reabre com prova. Seus homens assustam testemunha.

Massimo levantou a voz pela primeira vez. Teresa não se moveu. Quando terminou, ela colocou o telefone de Camila diante dele.

— Pode gritar ou pode ligar.

Ele ligou.

Camila pediu a reabertura do inquérito e levou o laudo a um perito independente. Teresa acompanhou a inspeção do carro, guardado num depósito da seguradora. O veículo conservava terra seca no chassi e a lateral esmagada.

O perito retirou a linha de freio e mostrou o corte sob lupa.

— Ferramenta fina. Feito antes da batida.

Massimo assistiu por vídeo da mansão. A câmera permaneceu apontada para a peça enquanto o perito lacrava a prova.

— Álvaro saberia? — Teresa perguntou.

— O pedal perderia pressão aos poucos. Um motorista experiente perceberia antes da curva.

Camila cruzou os braços.

— Então ele recebeu dinheiro para continuar.

Na volta, Teresa encontrou Massimo diante das janelas. Ele segurava uma fotografia antiga: dois primos adolescentes ao lado do primeiro caminhão da família.

— Eu dei emprego a Domênico quando ninguém confiava nele — disse.

Teresa deixou o laudo sobre a mesa.

— Isso explica por que teve acesso. Não transforma você em culpado.

— Coloquei a chave na mão dele.

— E agora tira.

Massimo rasgou a procuração temporária e chamou o conselho. Domênico atendeu no viva-voz, polido, perguntando se Teresa estava presente.

— Está — Massimo respondeu. — E vai ouvir tudo.

Naquela noite, Massimo chamou Teresa ao terraço. Não havia guardas próximos. Ele colocou sobre a mesa uma fotografia do motorista com a própria família e pediu que ela prometesse proteção antes de qualquer abordagem.

— Está pedindo, não ordenando? — ela perguntou.

— Não se acostume.

Teresa enviou a solicitação a Camila. Massimo esperou a confirmação e só então guardou a foto. O controle ainda aparecia nos dedos batendo na mesa, porém ele deixou a investigação seguir por mãos alheias.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia