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《O Chefe Que Eu Ensinei a Andar》Capítulo 2

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Teresa destrancou a porta antes de responder. Deixou-a encostada, fora do alcance de curiosos, e travou os freios da cadeira.

— Primeiro, você me explica o que consegue fazer sozinho.

— Já expliquei que ninguém entra.

— Perguntei sobre banho, roupa e transferência.

Massimo apertou os apoios.

— Consigo cuidar de mim.

— Ótimo. Mostra.

Ele aproximou a cadeira do banco, retirou os pés dos suportes e tentou usar os braços para elevar o corpo. O quadril desviou; a roda tocou o mármore e a cadeira girou dois centímetros.

Teresa colocou a mão aberta diante do peito dele, sem empurrar.

— Para.

— Sai da frente.

— Se cair, pode romper a fixação. Faixa de transferência ou prancha?

— Nenhuma.

— Então ficamos aqui até o almoço.

Massimo lançou um olhar para o espelho. A barba curta escondia parte do maxilar contraído.

— Faixa.

Teresa explicou cada toque antes de fazê-lo. Passou a faixa ao redor da cintura, posicionou os joelhos junto aos dele e pediu que usasse os braços na contagem.

— Um, dois...

Ele tentou no dois.

— Volta.

— Eu estava pronto.

— Eu não.

— Você disse dois.

— Eu disse um, dois. O movimento é no três.

— Regra idiota.

— Funciona em hospitais do mundo inteiro.

Na segunda tentativa, chegaram ao banco. Teresa cobriu as pernas dele com uma toalha e virou-se enquanto Massimo retirava a camisa. O tecido caiu no chão.

— Preciso avaliar a pele — ela disse.

— Não precisa olhar.

— Lesão por pressão não respeita orgulho.

Ele pegou a toalha, cobriu o colo e permitiu. Teresa examinou as áreas de contato, anotou uma marca avermelhada no quadril e ensinou uma descarga de peso.

Quando terminou, deixou sabonete e esponja ao alcance. Massimo olhou para a mão direita, que tremia pelo esforço da transferência.

— Pode sair.

— Puxador de emergência, aqui. Eu fico do outro lado.

— Não vai me lavar?

Teresa segurou a maçaneta.

— Quando você não conseguir. Hoje consegue. Leve o tempo que precisar.

O silêncio durou tanto que ela esperou outra provocação.

— As outras faziam tudo — ele disse.

— Talvez quisessem terminar rápido.

Ela saiu e permaneceu perto da porta. Vinte minutos depois, Massimo chamou apenas seu sobrenome. Teresa entrou, ajudou na volta para a cadeira e encontrou o rosto dele menos fechado.

Na manhã seguinte, as barras paralelas receberam os dois. Massimo segurou o metal e elevou o tronco com os braços.

— Ativa o abdômen. Peso na perna direita. Agora sobe.

Ele ficou de pé por quatro segundos e caiu de volta no assento.

— De novo — Teresa disse.

— Fiz.

— Fez errado.

Ele levantou os olhos.

— Sabe quem eu sou?

— Sei quem está compensando o quadril esquerdo e jogando tudo nos ombros. De novo.

— Já mandei homem desaparecer por menos.

— E algum deles ensinou seu glúteo a trabalhar?

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Dario virou o rosto para esconder uma reação. Massimo agarrou as barras.

— Saia — ordenou ao segurança.

Dario fechou a porta.

— Está com medo agora? — Massimo perguntou.

— Estou apavorada desde o portão.

— Não parece.

— Tenho mais medo de você continuar nessa cadeira enquanto todo mundo finge que três repetições ruins são suficientes.

Ele sustentou o olhar e se ergueu. Teresa manteve as mãos próximas da cintura. O quadril alinhou; o joelho direito tremia, mas não cedeu.

— Isso — ela disse. — Segura.

Oito segundos.

Massimo sentou devagar. O suor havia escurecido a camisa.

— Melhor?

— Menos ruim.

Ele soltou uma respiração que quase virou riso.

A primeira semana encontrou ritmo entre banhos, transferências, exercícios e discussões. Teresa anotava cada dose, cada hora de sono e cada resposta muscular. Massimo reclamava dos relatórios e lia todos quando ela saía.

Na quinta-feira, ele perguntou sobre o doutorado durante uma série de resistência.

— Pesquisa o quê?

— Reaprendizagem motora depois de trauma medular incompleto.

— Conveniente.

— Comecei antes de você tentar descer uma serra sem freio.

A faixa de resistência estalou. Massimo parou.

— Quem disse que não havia freio?

Teresa percebeu a escolha das palavras e puxou a prancheta.

— Você disse acidente de carro.

— E você disse "sem freio".

— Força de expressão.

Ele não insistiu, mas passou o restante da sessão observando-a.

Depois do almoço, Teresa encontrou um curativo pequeno no braço dele.

— Injeção de quê?

— Analgésico.

— Quem aplicou?

— Dr. Reyes veio cedo.

O prontuário indicava dose oral, sem injeção. Teresa mediu reflexos e força. O quadril esquerdo, que respondera pela manhã, mal resistia à gravidade.

— Está sonolento?

— Não.

Massimo errou a trava da cadeira e deixou a mão cair.

— Deita. Agora.

— Temos barras.

— Você perdeu força em quatro horas.

Ele tentou levantar mesmo assim. As pernas cederam; Teresa entrou por baixo do braço, girou o corpo e o conduziu até a maca.

O peito dele bateu contra o ombro dela. A mão de Massimo fechou na cintura de Teresa para não cair. Os rostos ficaram próximos.

— Não me solta — ele disse.

— Não vou.

Ela o deitou, conferiu pressão e procurou a bandeja de medicamentos. Uma ampola vazia estava escondida sob gazes.

O rótulo trazia uma dose duas vezes maior que a prescrita.

Teresa ergueu a ampola.

— Quem aumentou isso?

No fim da semana, Teresa chamou um terapeuta ocupacional externo para revisar adaptações. Massimo recusou a visita até ela lembrar que abrir frasco, vestir camisa e transferir-se sem ajuda faziam parte de voltar ao comando.

O profissional instalou alças discretas, trocou puxadores e ensinou técnicas que Massimo executou em silêncio. Depois que ele saiu, Massimo fechou sozinho o último botão da camisa.

— Demorou quatro minutos — disse.

— Ontem precisou de mim.

— Não registre como vitória.

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Teresa escreveu na prancheta: "abotoamento independente".

— Apaga.

— Prontuário não negocia com ego.

Massimo tentou arrancar a folha. Teresa ergueu-a acima do alcance e acabou presa entre a cadeira e a mesa quando ele avançou. As mãos dele seguraram a borda dos dois lados do corpo dela.

— Você usa altura baixa de forma desleal — disse.

— Você acabou de provar mobilidade de ombro excelente.

Por um instante, nenhum recuou. Teresa percebeu a respiração dele diminuir. Massimo soltou a mesa e abriu passagem.

Naquela noite, ela revisou o diário das três profissionais anteriores. A primeira descrevera vergonha e explosões; a segunda, sonolência crescente; a terceira anotara uma perda súbita de força depois de injeção não prescrita. O padrão começava antes da ampola atual.

Teresa copiou as datas e conferiu visitantes. Domênico aparecia na casa em todas elas.

A terceira sessão na sala de reabilitação avançou até a tarde. Teresa fez Massimo transferir-se da cadeira para a beira da cama e vestir o próprio casaco. Os braços dele tremiam depois de sustentar o peso tantas vezes, mas ele recusava descanso.

— Você quer impressionar quem? — ela perguntou.

— Ninguém.

— Então para de olhar a porta toda vez que Domênico passa.

Massimo soltou o zíper e começou de novo.Teresa只体失平衡时扶肋骨.完成后,套扔回,呼吸沉.

— As outras faziam por mim.

— E você continuava dependente delas.

Ele ficou quieto. Teresa mostrou como usar uma alça presa ao tecido e pediu nova repetição. Dessa vez, Massimo levou metade do tempo.

Ao final, ele percebeu que Teresa mancava. A bolha no calcanhar abrira durante as transferências.

— Senta — ordenou.

— Quem é o fisioterapeuta aqui?

— Senta, Teresa.

Ele puxou a caixa de primeiros socorros e entregou gaze. Não tocou no pé, apenas esperou que ela fizesse o curativo.

— Você cuida de todo mundo e esconde quando sangra — disse.

— Comentário ousado vindo de quem mentiu sobre dormência.

Massimo aceitou a resposta. Quando ela terminou, empurrou a cadeira ao lado dela até o quarto, diminuindo o ritmo para acompanhar seus passos.

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