Teresa destrancou a porta antes de responder. Deixou-a encostada, fora do alcance de curiosos, e travou os freios da cadeira.
— Primeiro, você me explica o que consegue fazer sozinho.
— Já expliquei que ninguém entra.
— Perguntei sobre banho, roupa e transferência.
Massimo apertou os apoios.
— Consigo cuidar de mim.
— Ótimo. Mostra.
Ele aproximou a cadeira do banco, retirou os pés dos suportes e tentou usar os braços para elevar o corpo. O quadril desviou; a roda tocou o mármore e a cadeira girou dois centímetros.
Teresa colocou a mão aberta diante do peito dele, sem empurrar.
— Para.
— Sai da frente.
— Se cair, pode romper a fixação. Faixa de transferência ou prancha?
— Nenhuma.
— Então ficamos aqui até o almoço.
Massimo lançou um olhar para o espelho. A barba curta escondia parte do maxilar contraído.
— Faixa.
Teresa explicou cada toque antes de fazê-lo. Passou a faixa ao redor da cintura, posicionou os joelhos junto aos dele e pediu que usasse os braços na contagem.
— Um, dois...
Ele tentou no dois.
— Volta.
— Eu estava pronto.
— Eu não.
— Você disse dois.
— Eu disse um, dois. O movimento é no três.
— Regra idiota.
— Funciona em hospitais do mundo inteiro.
Na segunda tentativa, chegaram ao banco. Teresa cobriu as pernas dele com uma toalha e virou-se enquanto Massimo retirava a camisa. O tecido caiu no chão.
— Preciso avaliar a pele — ela disse.
— Não precisa olhar.
— Lesão por pressão não respeita orgulho.
Ele pegou a toalha, cobriu o colo e permitiu. Teresa examinou as áreas de contato, anotou uma marca avermelhada no quadril e ensinou uma descarga de peso.
Quando terminou, deixou sabonete e esponja ao alcance. Massimo olhou para a mão direita, que tremia pelo esforço da transferência.
— Pode sair.
— Puxador de emergência, aqui. Eu fico do outro lado.
— Não vai me lavar?
Teresa segurou a maçaneta.
— Quando você não conseguir. Hoje consegue. Leve o tempo que precisar.
O silêncio durou tanto que ela esperou outra provocação.
— As outras faziam tudo — ele disse.
— Talvez quisessem terminar rápido.
Ela saiu e permaneceu perto da porta. Vinte minutos depois, Massimo chamou apenas seu sobrenome. Teresa entrou, ajudou na volta para a cadeira e encontrou o rosto dele menos fechado.
Na manhã seguinte, as barras paralelas receberam os dois. Massimo segurou o metal e elevou o tronco com os braços.
— Ativa o abdômen. Peso na perna direita. Agora sobe.
Ele ficou de pé por quatro segundos e caiu de volta no assento.
— De novo — Teresa disse.
— Fiz.
— Fez errado.
Ele levantou os olhos.
— Sabe quem eu sou?
— Sei quem está compensando o quadril esquerdo e jogando tudo nos ombros. De novo.
— Já mandei homem desaparecer por menos.
— E algum deles ensinou seu glúteo a trabalhar?
Dario virou o rosto para esconder uma reação. Massimo agarrou as barras.
— Saia — ordenou ao segurança.
Dario fechou a porta.
— Está com medo agora? — Massimo perguntou.
— Estou apavorada desde o portão.
— Não parece.
— Tenho mais medo de você continuar nessa cadeira enquanto todo mundo finge que três repetições ruins são suficientes.
Ele sustentou o olhar e se ergueu. Teresa manteve as mãos próximas da cintura. O quadril alinhou; o joelho direito tremia, mas não cedeu.
— Isso — ela disse. — Segura.
Oito segundos.
Massimo sentou devagar. O suor havia escurecido a camisa.
— Melhor?
— Menos ruim.
Ele soltou uma respiração que quase virou riso.
A primeira semana encontrou ritmo entre banhos, transferências, exercícios e discussões. Teresa anotava cada dose, cada hora de sono e cada resposta muscular. Massimo reclamava dos relatórios e lia todos quando ela saía.
Na quinta-feira, ele perguntou sobre o doutorado durante uma série de resistência.
— Pesquisa o quê?
— Reaprendizagem motora depois de trauma medular incompleto.
— Conveniente.
— Comecei antes de você tentar descer uma serra sem freio.
A faixa de resistência estalou. Massimo parou.
— Quem disse que não havia freio?
Teresa percebeu a escolha das palavras e puxou a prancheta.
— Você disse acidente de carro.
— E você disse "sem freio".
— Força de expressão.
Ele não insistiu, mas passou o restante da sessão observando-a.
Depois do almoço, Teresa encontrou um curativo pequeno no braço dele.
— Injeção de quê?
— Analgésico.
— Quem aplicou?
— Dr. Reyes veio cedo.
O prontuário indicava dose oral, sem injeção. Teresa mediu reflexos e força. O quadril esquerdo, que respondera pela manhã, mal resistia à gravidade.
— Está sonolento?
— Não.
Massimo errou a trava da cadeira e deixou a mão cair.
— Deita. Agora.
— Temos barras.
— Você perdeu força em quatro horas.
Ele tentou levantar mesmo assim. As pernas cederam; Teresa entrou por baixo do braço, girou o corpo e o conduziu até a maca.
O peito dele bateu contra o ombro dela. A mão de Massimo fechou na cintura de Teresa para não cair. Os rostos ficaram próximos.
— Não me solta — ele disse.
— Não vou.
Ela o deitou, conferiu pressão e procurou a bandeja de medicamentos. Uma ampola vazia estava escondida sob gazes.
O rótulo trazia uma dose duas vezes maior que a prescrita.
Teresa ergueu a ampola.
— Quem aumentou isso?
No fim da semana, Teresa chamou um terapeuta ocupacional externo para revisar adaptações. Massimo recusou a visita até ela lembrar que abrir frasco, vestir camisa e transferir-se sem ajuda faziam parte de voltar ao comando.
O profissional instalou alças discretas, trocou puxadores e ensinou técnicas que Massimo executou em silêncio. Depois que ele saiu, Massimo fechou sozinho o último botão da camisa.
— Demorou quatro minutos — disse.
— Ontem precisou de mim.
— Não registre como vitória.
Teresa escreveu na prancheta: "abotoamento independente".
— Apaga.
— Prontuário não negocia com ego.
Massimo tentou arrancar a folha. Teresa ergueu-a acima do alcance e acabou presa entre a cadeira e a mesa quando ele avançou. As mãos dele seguraram a borda dos dois lados do corpo dela.
— Você usa altura baixa de forma desleal — disse.
— Você acabou de provar mobilidade de ombro excelente.
Por um instante, nenhum recuou. Teresa percebeu a respiração dele diminuir. Massimo soltou a mesa e abriu passagem.
Naquela noite, ela revisou o diário das três profissionais anteriores. A primeira descrevera vergonha e explosões; a segunda, sonolência crescente; a terceira anotara uma perda súbita de força depois de injeção não prescrita. O padrão começava antes da ampola atual.
Teresa copiou as datas e conferiu visitantes. Domênico aparecia na casa em todas elas.
A terceira sessão na sala de reabilitação avançou até a tarde. Teresa fez Massimo transferir-se da cadeira para a beira da cama e vestir o próprio casaco. Os braços dele tremiam depois de sustentar o peso tantas vezes, mas ele recusava descanso.
— Você quer impressionar quem? — ela perguntou.
— Ninguém.
— Então para de olhar a porta toda vez que Domênico passa.
Massimo soltou o zíper e começou de novo.Teresa只体失平衡时扶肋骨.完成后,把套扔回,呼吸沉.
— As outras faziam por mim.
— E você continuava dependente delas.
Ele ficou quieto. Teresa mostrou como usar uma alça presa ao tecido e pediu nova repetição. Dessa vez, Massimo levou metade do tempo.
Ao final, ele percebeu que Teresa mancava. A bolha no calcanhar abrira durante as transferências.
— Senta — ordenou.
— Quem é o fisioterapeuta aqui?
— Senta, Teresa.
Ele puxou a caixa de primeiros socorros e entregou gaze. Não tocou no pé, apenas esperou que ela fizesse o curativo.
— Você cuida de todo mundo e esconde quando sangra — disse.
— Comentário ousado vindo de quem mentiu sobre dormência.
Massimo aceitou a resposta. Quando ela terminou, empurrou a cadeira ao lado dela até o quarto, diminuindo o ritmo para acompanhar seus passos.