《Meu Noivo Milionário Riu de Mim e Disse Que Eu Só Recusava Seus Presentes Para Parecer Diferente das Outras Interesseiras》Capítulo 7

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Henrique não publicou a fotografia imediatamente. Durante uma semana, observou a rotina da nova agência, consultou antigos funcionários do Grupo Ferraz e procurou alguém disposto a dizer que Caio interferira na concorrência. Encontrou Marcelo Nunes, supervisor demitido por vender dados de fornecedores. Marcelo não possuía prova, mas conhecia palavras que pareciam técnicas. Em troca de dinheiro, gravou um áudio afirmando que recebera "orientação superior" para favorecer a proposta de Lívia.

O áudio apareceu num perfil anônimo junto da foto do beijo no galpão. A legenda dizia: "Contrato primeiro, romance depois. Coincidência?" Em horas, páginas replicaram. A declaração de conflito, antes prova de transparência, virou indício de que havia algo a esconder.

Lívia estava numa fábrica acompanhando testes quando Paula mostrou a postagem. Por um momento, o chão industrial pareceu distante. Não era apenas sua reputação. Doze pessoas agora dependiam da agência; fornecedores haviam investido no projeto; mulheres que a defenderam publicamente poderiam parecer enganadas.

— Marcelo nunca participou da banca — Lívia disse após verificar a lista.

— Mas trabalhou na empresa. Para internet, basta — Paula respondeu.

Caio ligou. Lívia não atendeu na primeira vez, não por desconfiança, mas porque precisava organizar a própria reação antes de ouvir a dele. Na segunda, colocou no viva-voz com Paula presente.

— O jurídico identificou Marcelo — Caio disse. — Ele foi demitido há oito meses. Não tinha acesso à seleção.

— Quero os registros completos.

— Já autorizei preservação, mas não posso enviar direto a você sem procedimento.

— Obrigada por dizer não.

Paula lançou um olhar curioso. Caio compreendeu.

— Você precisa que cada passo seja defensável. Eu também.

O Grupo Ferraz contratou perícia externa. Lívia ofereceu seus computadores e e-mails voluntariamente, com cópia forense acompanhada por advogada. Não pediu tratamento especial. Durante três dias, clientes suspenderam reuniões. Uma marca cancelou proposta. Comentários voltaram a chamá-la de "intrusa de luxo".

Caio apareceu no galpão depois do expediente. Trazia duas sacolas de supermercado.

— Nada de restaurante? — Lívia perguntou.

— Você disse que queria economizar este mês. Comprei ingredientes. Dividimos a nota.

Ele mostrou o recibo. Lívia riu apesar do cansaço.

— Você é absurdamente literal.

— Tenho medo do seu setor de compliance afetivo.

Cozinharam numa pequena copa, queimaram alho e comeram massa em pratos de papel. Depois, sentados no chão do estúdio, Lívia perguntou:

— Você se arrepende de ter se aproximado?

— Não.

— Sua empresa está sendo acusada de fraude por minha causa.

— Não por sua causa. Um homem pagou uma mentira porque não aceita perder controle. Se eu me afastar para proteger aparência, ensino que a mentira funciona.

— E se ficar me prejudicar mais?

— Então você decide. Eu não usarei lealdade para obrigá-la a suportar exposição.

Ela apoiou a cabeça no ombro dele.

— Fica.

— Fico.

A perícia levou doze dias. Encontrou o pagamento de uma empresa de consultoria ligada a Henrique para Marcelo. Descobriu também que o áudio fora editado: a expressão "orientação superior" pertencia a uma conversa sobre segurança de armazém. Câmeras mostravam Marcelo entrando no escritório de Henrique. O advogado de Lívia pediu medida protetiva e abriu processo por difamação, perseguição e fraude digital.

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Antes que a Justiça agisse, Henrique apareceu na casa dos pais. Teresa permitiu a entrada porque ainda acreditava que o filho procurava ajuda. Ele chegou com olhos fundos, terno amarrotado e uma pasta de recortes.

— Preciso que vocês fiquem do meu lado — disse.

Álvaro fechou a porta da biblioteca.

— Você pagou Marcelo?

— Paguei uma investigação.

— Ele falsificou um áudio.

— Porque ninguém dizia a verdade. Caio comprou o acesso a ela.

Teresa se levantou.

— Lívia não pertence a você.

— Ela era minha noiva!

— Era. O verbo importa.

Henrique derrubou a pasta. Fotografias espalharam-se pelo tapete: Lívia entrando no galpão, saindo da casa de Augusto, jantando com Caio.

Álvaro percebeu a extensão da vigilância e chamou o segurança. Henrique gritou que o pai escolhera rivais em vez do próprio sangue. Teresa chorava, mas não cedeu.

— Amar você não significa entregar outra mulher à sua obsessão — disse. — Procure tratamento. Até lá, não volte.

Henrique saiu levando a certeza de que perdera tudo por causa de Lívia. Era mais fácil odiá-la que admitir uma sequência de escolhas.

A ordem judicial chegou naquela tarde: ele deveria manter distância, remover publicações e entregar dispositivos para perícia. A polícia encontrou no notebook planilhas com horários de Lívia e minutas de novas acusações. A investigação empresarial também avançou. E-mails mostravam que Henrique autorizara a alteração dos laudos ambientais, tentando acelerar a assinatura com os Ferraz.

O conselho da Valença Urbanismo o demitiu por unanimidade. Álvaro votou a favor.

Lívia recebeu a notícia sem satisfação. Sentou-se no escritório novo, diante da parede ainda sem quadros, e sentiu apenas exaustão.

— Eu achei que, quando alguém finalmente provasse, eu ficaria aliviada — disse a Caio.

— Talvez seu corpo ainda esteja esperando o próximo ataque.

— Como faço ele entender que acabou?

— Você não faz. A Justiça cria limites. Ele decide se aprende.

Lívia iniciou terapia. Não porque Henrique a chamara de sensível, mas porque não queria que o medo continuasse administrando sua vida depois que ele perdesse acesso. Aprendeu a reconhecer alerta sem obedecer a todos os alarmes. Voltou a pegar ônibus sozinha, primeiro acompanhada à distância por Paula, depois sem ninguém. Comprou um vestido vermelho que teria evitado durante o noivado porque Henrique o considerava chamativo.

Caio a viu com o vestido numa exposição de design. Seu olhar demorou, mas ele perguntou apenas:

— Posso dizer que você está linda ou o comentário vai irritar?

— Pode dizer.

— Você está linda.

Na saída, ele lhe entregou um envelope.

— Não é presente caro. É uma inscrição para uma residência de design em Lisboa. Não paguei. Só encontrei o edital e imprimi porque o prazo termina amanhã.

Lívia leu. O programa durava três meses. Durante o noivado, recusara oportunidades fora do país porque Henrique dizia que distância esfriava relações.

— Se eu passar, vou embora três meses.

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— Eu sei.

— E você está me incentivando?

— Quero você perto. Também quero que sua vida não encolha para caber perto de mim.

Ela se inscreveu naquela noite.

Duas semanas depois, recebeu a aprovação com bolsa integral.

Henrique soube pela mesma internet que usara para atacá-la. Sozinho num apartamento alugado, leu a notícia e percebeu que a mulher que acusara de buscar atalhos estava prestes a atravessar o oceano por mérito próprio.

Pela primeira vez, a narrativa que construíra apresentou uma rachadura que nem ele conseguiu ignorar.

Antes da viagem, Lívia ainda precisou enfrentar um medo menos visível. Na agência, reuniu a equipe e explicou que ficaria disponível apenas para decisões estratégicas; Paula teria autoridade final durante sua ausência. Uma funcionária perguntou se ela não temia perder espaço depois de tudo o que construíra. Lívia temia. Durante anos, confundira indispensabilidade com segurança. Henrique elogiava o fato de ela resolver tudo, mas usava cada compromisso como argumento para que não viajasse. Se a agência sobrevivesse sem ela, isso não diminuiria sua importância. Provaria que havia criado uma estrutura, não outra prisão.

Caio a levou ao aeroporto, mas não carregou a mala até que ela pedisse. No portão, entregou-lhe um envelope vazio.

— Para quê?

— Para você colocar uma coisa que queira me contar quando voltar. Não precisa ser declaração. Pode ser bilhete de metrô, reclamação ou nada.

— E se eu mudar tanto que não quiser voltar para você?

O rosto dele denunciou o golpe, porém Caio não disfarçou com ironia.

— Vai doer. Ainda assim, prefiro que você descubra quem é a ter uma versão menor de você ao meu lado.

Lívia o abraçou. A coragem daquela resposta não estava em parecer invulnerável, mas em não transformar medo em cerca. Quando atravessou o controle de segurança, olhou para trás. Caio permanecia ali, sem gesticular para que voltasse, sem filmar, sem converter despedida em espetáculo.

No avião, ela abriu o envelope. Havia uma frase minúscula no canto: "Espaço também pode ser cuidado." Lívia guardou o cartão e, pela primeira vez, partiu sem sentir que liberdade era uma traição.

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