《Meu Noivo Milionário Riu de Mim e Disse Que Eu Só Recusava Seus Presentes Para Parecer Diferente das Outras Interesseiras》Capítulo 6

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A fotografia fora tirada um ano antes, numa praia. Henrique cortara a imagem de modo que o braço de Lívia parecesse ainda preso à cintura dele. Na legenda, escreveu sobre amor, perdão e "pressões externas que confundem pessoas sensíveis". Não citou Caio nem os Ferraz, mas respondeu a um comentário com uma frase calculada: "Difícil competir quando interesses familiares e contratos entram no caminho."

Ao acordar, Lívia tinha quatro mil novos seguidores, mensagens de desconhecidos e dois pedidos de entrevista. Alguns a chamavam de oportunista; outros diziam que ela trocara um herdeiro por outro. Havia montagens com seu vestido simples, o relógio e a casa de Augusto. A história perfeita para a internet dispensava datas.

Paula convocou uma reunião. O contrato das embalagens poderia ser contaminado. A gerente do Grupo Ferraz recomendou silêncio institucional até o jurídico analisar. Augusto queria divulgar imediatamente os critérios da concorrência, mas Lívia pediu tempo.

— Se o Grupo Ferraz me defender, vão dizer que a nova família comprou minha versão.

— E se não fizermos nada, deixam você sozinha — Augusto respondeu.

— Não estou sozinha. Só preciso ser eu a falar.

Caio ficou calado. Mais tarde, perguntou o que ela pretendia.

— Contar tudo. O restaurante, o relógio, as parcelas, a invasão no prédio.

— Você não deve detalhes íntimos ao público.

— Eu sei. Mas quero escolher quais detalhes deixam de ser arma.

Lívia gravou um vídeo no estúdio da agência, sem maquiagem profissional nem cenário luxuoso. Colocou sobre a mesa os comprovantes do relógio, o resultado anonimizado da concorrência, a declaração de conflito e o registro da portaria. Não chorou. Também não fingiu indiferença.

— Durante dois anos — começou — eu recusei presentes caros porque não queria que dinheiro confundisse uma relação. Economizei onze meses para comprar um relógio para meu noivo. Na noite em que fui entregá-lo, ouvi esse homem dizer aos amigos que minha recusa era uma estratégia para parecer menos interesseira. Terminei. Minha mãe se casará com Augusto Ferraz, relação que começou três anos antes de meu noivado. Minha agência venceu uma seleção cuja primeira etapa não tinha nomes. Não troquei um homem rico por outro. Escolhi sair de uma relação em que minha dignidade era tratada como golpe.

Ela mostrou documentos sem expor endereços. Terminou dizendo:

— Mulheres não precisam provar pobreza para merecer respeito, nem rejeitar oportunidades para parecer honestas. E um homem não pode transformar o fim de um relacionamento numa campanha para recuperar controle.

O vídeo alcançou um milhão de visualizações em seis horas. Otávio, o amigo presente no restaurante, publicou uma confirmação. Disse que ouvira as palavras de Henrique e se envergonhava de ter rido. Teresa enviou declaração à advogada de Lívia e pediu que fosse usada. A maré mudou, mas não se tornou limpa. Agora desconhecidos idealizavam Lívia, exigiam que Caio aparecesse e transformavam trauma em torcida romântica.

Henrique respondeu com um comunicado da empresa, negando perseguição e chamando os documentos de "recortes". Álvaro retirou a publicação em vinte minutos. Pai e filho discutiram diante do conselho. Henrique acusou Álvaro de sacrificar a própria família para agradar aos Ferraz.

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— Estou tentando impedir que você afunde a empresa por não aceitar um não — Álvaro disse.

— Ela me provocou. Apareceu com Caio em todos os lugares.

— Ela apareceu na vida dela. Você é que continua entrando sem convite.

No mesmo dia, o comitê do Grupo Ferraz rescindiu o contrato por fraude documental e encaminhou o laudo ao Ministério Público. As ações da Valença caíram. Bancos pediram garantias. Henrique interpretou cada consequência como ataque pessoal de Lívia.

Ele foi à televisão. Num programa de economia, afirmou que Caio usava estrutura corporativa para eliminar um rival amoroso. A apresentadora perguntou sobre as datas da auditoria. Henrique se confundiu. Disse que o relatório começara após o término; o documento público mostrava o contrário. O trecho viralizou.

Caio poderia processá-lo por difamação. Preferiu divulgar uma nota técnica assinada pelo comitê independente. À noite, foi ao apartamento de Lívia porque ela o convidara. Levou comida de um restaurante simples e deixou os recipientes na bancada.

— Você está com raiva? — ela perguntou.

— Muita.

— Não parece.

— Aprendi cedo que volume não melhora decisão.

— Ele falou de você por minha causa.

— Ele falou porque escolheu. Não carregue a autoria das escolhas dele.

Lívia percebeu que fazia isso desde o noivado: ajustava roupa, palavras e ambições para evitar reações de Henrique; depois se culpava quando a reação vinha mesmo assim.

— Eu beijei você e, no dia seguinte, tudo explodiu — disse.

— Uma coisa boa não causou uma coisa ruim.

Caio abriu os talheres e perguntou se ela queria conversar ou assistir a uma série ruim. Escolheram a série. Sentaram-se em lados opostos do sofá no início; no segundo episódio, Lívia apoiou a cabeça no ombro dele. Caio não transformou o gesto em avanço. Apenas ficou.

Nas semanas seguintes, o trabalho de Lívia ganhou visibilidade. Empresas procuraram a agência por causa do projeto, mas Paula recusou clientes interessados apenas no escândalo. Lívia foi convidada a falar sobre acessibilidade em design. Descobriu que sua voz podia existir fora da história romântica.

Henrique foi afastado da diretoria enquanto uma investigação interna analisava os laudos. Álvaro propôs terapia e licença. O filho recusou, afirmando que todos queriam declará-lo louco. Teresa mudou-se temporariamente para um hotel. Pela primeira vez, a família Valença parou de fechar o círculo ao redor dele.

Um mês depois, Sônia e Augusto se casaram numa cerimônia no jardim. Lívia entrou com a mãe. Caio acompanhou o pai, mas não buscou a mão de Lívia diante das câmeras. Durante a recepção, perguntou:

— Posso dançar com você?

— Pode.

Dançaram sem anúncio. Lívia sentiu os olhares e, por alguns segundos, quis se afastar. Caio percebeu.

— Quer parar?

Ela examinou o salão. Não devia um espetáculo ao público nem invisibilidade a Henrique.

— Não. Quero terminar a música.

Depois, Augusto chamou Lívia para uma conversa reservada. Entregou-lhe uma chave.

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— Não é de uma casa — explicou antes que ela recusasse. — É do antigo galpão da empresa na Vila Leopoldina. Está vazio. Sua mãe contou que você e Paula procuram espaço maior. Quero oferecer aluguel pelo valor de mercado, com contrato e opção de compra. Você pode dizer não.

Lívia girou a chave nos dedos.

— Por que valor de mercado?

— Porque você quer construir uma empresa, não receber uma mesada. Mas o imóvel não está anunciado. A oportunidade é meu presente. As condições serão trabalho de vocês.

Ela levou a proposta a Paula, que comparou preços e descobriu que era boa, mas não artificial. Aceitaram após revisão independente. O galpão virou plano de expansão para uma agência especializada em design inclusivo.

Na inauguração, meses depois, Lívia colocou na parede o primeiro desenho feito com o lápis de Caio e o caderno que lhe dera aberto na página do porto. Não como altar romântico, mas como lembrança de uma troca equilibrada.

Quando todos foram embora, Caio ajudou a recolher copos. Lívia o observou carregar caixas com o terno pendurado numa cadeira.

— Você sabe que temos equipe para isso — disse.

— Sei. Também sei carregar copo.

Ela se aproximou.

— Eu quero tentar.

Caio pousou a caixa.

— Tentar o quê?

— Nós. Devagar. Sem esconder, mas sem transformar em anúncio.

O sorriso dele apareceu primeiro nos olhos.

— Quais são os termos?

— Eu pago metade dos jantares. Presentes acima de um valor combinado precisam ser conversados. Se eu disser que preciso de espaço, você não interpreta como desafio.

— Aceito. Meu termo: você não precisa empobrecer seus sonhos para provar que não está comigo por dinheiro.

Lívia estendeu a mão.

— Fechado.

Caio apertou-a solenemente. Depois perguntou se podia beijá-la.

Ela disse sim.

Do lado de fora do galpão, dentro de um carro parado, Henrique fotografou os dois através da janela. Seu rosto não mostrava tristeza. Mostrava cálculo.

Ele acabara de encontrar a história que usaria para tentar destruí-los pela última vez.

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