O silêncio dentro da Mansão Montenegro parecia impossível de quebrar.
Depois que Bianca olhou para Valéria, todos chegaram à mesma conclusão.
A pessoa que havia ajudado Sérgio estava diante deles.
Alexandre sentiu uma mistura de raiva e tristeza.
Durante anos, ele confiou na esposa.
Durante anos, acreditou que Valéria era a pessoa que mais protegia sua família.
Agora, tudo parecia desmoronar.
Gabriel olhou para a irmã.
"Valéria, diga alguma coisa."
Ela permaneceu parada.
As lágrimas escorriam pelo rosto.
"Eu não sabia sobre a injeção."
Disse ela.
Mas ninguém respondeu.
Porque naquele momento a dúvida já havia criado uma distância entre todos.
Alexandre caminhou lentamente até a janela da sala.
A chuva batia forte no vidro.
Ele tentou organizar os pensamentos.
Sérgio manipulou Bianca.
Manipulou Gabriel.
Manipulou Valéria.
Mas ainda existia uma pergunta.
Valéria era uma cúmplice?
Ou também era uma vítima?
O delegado Rafael Moura pediu calma.
"Nós ainda não podemos condenar ninguém apenas por uma suspeita."
Mas a família já estava quebrada.
Valéria olhou para Alexandre.
"Você acredita que eu faria isso com seu pai?"
Ele demorou para responder.
E aquela demora machucou mais do que qualquer palavra.
"Eu não sei mais no que acreditar."
Disse Alexandre.
Valéria fechou os olhos.
A resposta destruiu o pouco que restava entre eles.
Enquanto todos discutiam, Sofia permaneceu em silêncio.
Ela observava a mesa onde estavam os documentos do avô.
Desde o começo, ela sentia que algo não estava certo.
Seu avô sempre pensava em todos os cenários.
Ricardo nunca deixaria uma situação tão importante depender apenas de uma pasta.
Ou de uma gravação.
A menina voltou ao escritório dele.
Alexandre percebeu.
"Sofia, onde você vai?"
Ela respondeu:
"Preciso procurar uma coisa."
O escritório permanecia igual.
A cadeira de Ricardo.
Os livros.
Os documentos.
Tudo lembrava o homem que sempre cuidou dela.
Sofia fechou os olhos.
Tentou lembrar dos últimos momentos antes de Ricardo ser levado ao hospital.
Então percebeu algo.
Quando ele entregou a chave, ele havia tocado no relógio antigo sobre a mesa.
Ela se aproximou.
Atrás do relógio havia uma pequena abertura.
Dentro dela estava um cartão de memória.
Sofia ficou surpresa.
Ela correu para chamar o pai.
Alexandre chegou rapidamente.
"O que você encontrou?"
Ela entregou o cartão.
"Meu avô escondeu isso."
O delegado Rafael chamou os técnicos.
O arquivo foi aberto.
Era uma gravação de Ricardo.
Mas diferente da primeira.
A voz dele estava mais tranquila.
Como se estivesse deixando uma mensagem para alguém que ele amava.
"Se você está ouvindo isso, significa que algo aconteceu comigo."
Alexandre ficou emocionado.
Sofia segurou sua mão.
Ricardo continuou:
"Antes de qualquer julgamento, descubram toda a verdade."
Todos ficaram atentos.
A voz do patriarca continuou.
"Valéria cometeu erros. Ela tentou proteger alguém que não merecia proteção."
Alexandre olhou para a esposa.
Valéria começou a chorar.
Mas Ricardo continuou:
"Porém, se Valéria estiver envolvida, entendam uma coisa."
Houve uma pausa.
"Ela também é uma vítima."
O silêncio tomou conta da sala.
Alexandre olhou para Valéria.
Ela levou a mão ao rosto.
As lágrimas caíam sem controle.
Ricardo continuou:
"Sérgio conhece os pontos fracos das pessoas. Ele usa medo, culpa e amor contra elas."
O delegado Rafael ficou sério.
Porque aquela gravação mudava completamente a investigação.
Ricardo sabia.
Ele já tinha percebido que Sérgio manipulava todos ao redor.
A voz dele continuou:
"O verdadeiro perigo nunca foi alguém da minha família."
"Foi o homem que entrou nela usando confiança."
A gravação terminou.
Por alguns segundos, ninguém falou.
Alexandre se aproximou de Valéria.
Ela abaixou a cabeça.
"Eu tentei proteger meu irmão."
Disse ela.
"Mas eu estava errada."
Alexandre ficou em silêncio.
Ainda havia dor.
Ainda havia mágoa.
Mas agora ele entendia.
Valéria não era a mente por trás de tudo.
Ela era uma pessoa presa pelas ameaças de Sérgio.
Gabriel respirou fundo.
"Pela primeira vez, papai estava certo."
Todos olharam para ele.
"Ele sabia que Sérgio usaria qualquer pessoa para conseguir o que queria."
O delegado Rafael recebeu uma atualização da equipe.
Sérgio Almeida Vidal havia sido oficialmente identificado como principal responsável pelo esquema.
A polícia preparou a prisão.
Com todas as provas reunidas, a ordem foi emitida.
Naquela noite, equipes foram até a residência de Sérgio.
Mas quando chegaram, encontraram apenas silêncio.
A casa estava vazia.
Os armários abertos.
Documentos espalhados.
O computador desligado.
Ele havia fugido.
O delegado entrou no escritório particular de Sérgio.
Na mesa havia apenas uma folha de papel.
Uma frase escrita à mão.
"Ninguém conhece o verdadeiro jogo até a última peça cair."
Rafael segurou o papel.
Seu rosto ficou sério.
"Ele sabia que iríamos chegar."
Alexandre recebeu a notícia na mansão.
Sofia percebeu a preocupação no rosto do pai.
"Ele escapou?"
Alexandre confirmou.
"Sim."
A menina olhou para a janela.
Ela sabia que aquela história ainda não tinha terminado.
Porque seu avô havia deixado pistas.
E cada pista levava a uma verdade maior.
Naquela mesma madrugada, enquanto a polícia procurava Sérgio por todo o estado de São Paulo, uma câmera de segurança registrou um carro deixando a cidade.
Dentro dele, alguém segurava uma pasta com os últimos documentos do Grupo Montenegro Saúde.
E Sérgio Almeida Vidal ainda tinha uma última carta para jogar.