A notícia de que Gabriel Vasconcelos Montenegro era o principal suspeito caiu como uma bomba dentro da família.
No Hospital São Gabriel Paulista, Alexandre permaneceu parado diante das imagens da câmera.
Ele olhava para a tela sem conseguir acreditar.
O homem entrando no depósito de medicamentos era seu irmão.
Seu próprio irmão.
Durante toda a vida, Alexandre e Gabriel tiveram diferenças.
Enquanto Alexandre assumiu responsabilidades dentro do Grupo Montenegro Saúde, Gabriel sempre preferiu ficar longe dos negócios da família.
Ele era conhecido como impulsivo.
Mas nunca como alguém capaz de machucar o próprio pai.
O delegado Rafael Moura interrompeu o silêncio.
"Precisamos encontrar Gabriel imediatamente."
Alexandre fechou os olhos por alguns segundos.
"Antes de acusar meu irmão, eu preciso ouvir a versão dele."
Rafael respondeu:
"Alexandre, as provas apontam para ele."
Mas Alexandre não queria aceitar.
Não era apenas uma investigação.
Era sua família.
Poucas horas depois, a polícia encontrou Gabriel próximo a um estacionamento na região da Vila Mariana.
Ele estava sentado dentro do carro.
O rosto machucado.
A camisa suja.
Parecia alguém que havia passado por uma situação violenta.
Quando viu Alexandre se aproximando, Gabriel saiu do veículo.
Os dois irmãos ficaram frente a frente.
Durante alguns segundos, nenhum dos dois conseguiu falar.
Então Alexandre rompeu o silêncio.
"Você entrou no depósito de medicamentos do hospital."
Gabriel respirou fundo.
"Sim."
A resposta surpreendeu todos.
Alexandre ficou decepcionado.
"Então você admite?"
Gabriel olhou para o irmão.
"Eu admito que estive lá. Mas não pelo motivo que você está pensando."
O delegado se aproximou.
"Então explique."
Gabriel passou a mão pelo rosto.
"Eu recebi uma mensagem do nosso pai."
Alexandre ficou confuso.
"Do papai?"
Gabriel pegou o celular.
"Ele me pediu para ir ao hospital."
Mostrou a tela.
A mensagem dizia:
"Venha para o hospital. Alguém está alterando meu tratamento."
Alexandre pegou o aparelho.
Mas a expressão dele mudou.
A mensagem parecia ter sido enviada por Ricardo.
"Quando você recebeu isso?"
Perguntou.
Gabriel respondeu:
"Às 21h50."
Dra. Helena pegou o telefone.
Ela analisou o horário.
"Isso é estranho."
Alexandre olhou para ela.
"Por quê?"
A médica respondeu:
"Porque Ricardo já estava inconsciente nesse momento."
O silêncio voltou.
Se Ricardo não podia enviar a mensagem, quem tinha enviado?
Gabriel percebeu a reação de todos.
"Foi por isso que eu fui até lá."
O delegado cruzou os braços.
"Mas por que entrou no depósito?"
Gabriel hesitou.
Ele sabia que aquela parte seria difícil de explicar.
"Porque quando cheguei ao hospital, vi uma movimentação estranha."
Ele continuou:
"Eu sabia que meu pai desconfiava de alguma coisa. Ele sempre me disse para observar os detalhes."
Alexandre ficou olhando para o irmão.
"Você sabia que ele estava investigando algo?"
Gabriel abaixou o olhar.
"Eu sabia que ele estava preocupado com a empresa."
A resposta aumentou ainda mais a tensão.
Alexandre se aproximou.
"Por que você nunca me contou?"
Gabriel levantou a voz.
"Porque você nunca quis ouvir!"
Todos ficaram em silêncio.
Gabriel continuou.
"Você sempre achou que eu era o irresponsável da família. O filho que não servia para nada."
Alexandre ficou magoado.
"Isso não é verdade."
"É sim."
Disse Gabriel.
"Enquanto você estava sentado nas reuniões, fingindo que tudo estava bem, o nosso pai estava descobrindo que alguém roubava milhões da empresa."
Aquelas palavras atingiram Alexandre.
Porque eram exatamente os documentos que ele havia encontrado na pasta verde.
Gabriel continuou:
"Quando cheguei no hospital, tentei descobrir quem tinha mexido no tratamento dele."
O delegado perguntou:
"E por que você apagou as imagens?"
Gabriel ficou surpreso.
"Eu não apaguei."
Rafael mostrou o relatório.
"Seu acesso aparece no sistema."
Gabriel balançou a cabeça.
"Alguém usou meu cartão."
Alexandre observou o irmão.
"Você espera que eu acredite nisso?"
Gabriel respondeu com tristeza.
"Eu esperava que meu irmão acreditasse."
A frase ficou pesada.
Sofia, que observava tudo em silêncio, se aproximou.
Ela olhou para Gabriel.
"Você queria salvar o meu avô?"
Gabriel olhou para a menina.
"Sim."
Sofia percebeu algo.
Ele não parecia um homem tentando esconder culpa.
Parecia alguém desesperado.
Naquele momento, o delegado recebeu uma ligação.
Ele se afastou por alguns segundos.
Depois voltou com uma nova informação.
"Encontramos mais uma coisa."
Todos olharam para ele.
"Gabriel foi atacado antes de chegar ao hospital."
Alexandre franziu a testa.
"Atacado por quem?"
Rafael respondeu:
"Ainda não sabemos."
Gabriel levantou a camisa e mostrou um ferimento no braço.
"Quando eu estava procurando informações no depósito, alguém apareceu atrás de mim."
Ele respirou fundo.
"Eu só lembro de sentir uma pancada."
Alexandre começou a perceber que talvez a história fosse mais complicada.
Nem todas as peças se encaixavam.
Mas uma pergunta permanecia:
Quem enviou a mensagem usando o nome de Ricardo?
A polícia recolheu o celular de Gabriel para uma análise mais profunda.
Um técnico conseguiu recuperar arquivos apagados.
Entre eles, havia uma mensagem que Gabriel tinha recebido naquela noite.
A tela apareceu no computador da investigação.
O remetente fez todos ficarem em silêncio.
Alexandre se aproximou devagar.
Ele reconheceu o número.
Era impossível.
O nome que apareceu na tela era:
Valéria Almeida Vasconcelos.
A esposa de Alexandre.
A mulher que dizia não saber nada sobre aquela história.
E naquele momento, uma nova suspeita nasceu dentro da família Montenegro.