《Minha Neta Gritou Antes Que Meu Marido Recebesse A Injeção》Parte 2

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A manhã seguinte chegou silenciosa sobre o Jardim Europa, mas dentro da Mansão Montenegro ninguém conseguiu encontrar paz.

A casa, que durante anos foi símbolo de poder e sucesso, parecia diferente naquela manhã. Os corredores enormes estavam cheios de tensão. Funcionários caminhavam em silêncio, evitando olhar diretamente para os membros da família.

Ricardo Vasconcelos Montenegro continuava internado no Hospital São Gabriel Paulista, cercado por médicos e investigadores.

Mas antes de sair do hospital, Alexandre não conseguia esquecer a chave que Sofia segurava nas mãos.

Ele sabia que seu pai nunca faria algo sem motivo.

Ricardo era conhecido por planejar cada passo.

Até mesmo quando parecia perder o controle, ele sempre tinha uma estratégia.

Alexandre entrou no carro com Sofia ao seu lado.

Durante todo o caminho até a mansão, a menina permaneceu em silêncio.

Ela segurava a pequena chave dourada como se fosse algo precioso.

"Filha, você tem certeza de que o seu avô pediu para abrir essa pasta?"

Perguntou Alexandre enquanto dirigia.

Sofia olhou pela janela.

"Tenho, pai. Ele estava preocupado."

"Preocupado com o quê?"

A menina demorou alguns segundos para responder.

"Com pessoas próximas."

Alexandre sentiu um arrepio.

Aquela resposta ficou ecoando em sua cabeça.

Quando chegaram à Mansão Montenegro, foram diretamente para o escritório de Ricardo.

Era o lugar onde poucas pessoas tinham permissão para entrar.

A sala ficava no segundo andar, com uma grande estante de madeira escura, quadros antigos da família e uma vista completa do jardim.

Ricardo sempre dizia que aquele era o único lugar onde conseguia pensar longe dos interesses da empresa.

Alexandre fechou a porta.

Sofia ficou ao lado dele.

Na parede atrás da mesa havia um quadro antigo.

Alexandre retirou o quadro e encontrou uma pequena fechadura escondida.

A chave dourada encaixou perfeitamente.

O mecanismo fez um pequeno barulho.

Depois, uma parte da parede se abriu.

Dentro havia um cofre.

Alexandre ficou imóvel.

Ele nunca soube da existência daquele compartimento.

"Meu pai escondia isso de todos?"

Perguntou em voz baixa.

Sofia apenas observava.

Alexandre digitou a senha que apenas Ricardo poderia ter escolhido.

Depois de algumas tentativas, o cofre abriu.

Dentro havia três coisas.

Uma pasta verde.

Um celular antigo.

E vários documentos organizados cuidadosamente.

Alexandre pegou a pasta primeiro.

Na capa estava escrito:

"Auditoria Interna - Grupo Montenegro Saúde."

Ele começou a abrir os documentos.

A cada página, sua expressão mudava.

Eram relatórios financeiros.

Notas fiscais.

Contratos de compra.

Planilhas de hospitais administrados pela família.

Mas havia algo errado.

Valores completamente diferentes apareciam nos documentos.

Equipamentos médicos comprados por milhões de reais tinham preços muito acima do mercado.

Algumas máquinas hospitalares estavam registradas com valores três ou quatro vezes maiores.

Alexandre passou a mão pelo rosto.

"Não pode ser."

Sofia se aproximou.

"O que aconteceu, pai?"

Ele tentou esconder a preocupação.

"Seu avô estava investigando alguém dentro da empresa."

Continuou analisando os documentos.

Ricardo havia marcado vários nomes.

Em vermelho, uma empresa aparecia repetidamente.

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Biocrest Gestão Hospitalar.

Alexandre conhecia aquela empresa.

Era uma das principais fornecedoras do Grupo Montenegro Saúde.

Mas então encontrou algo que fez seu coração acelerar.

O nome do responsável estava em vários contratos.

Sérgio Almeida Vidal.

Alexandre ficou parado.

Sofia percebeu a mudança no rosto dele.

"Você conhece esse homem?"

Ele não respondeu imediatamente.

Porque conhecia.

Conhecia muito bem.

Sérgio era irmão de Valéria Almeida Vasconcelos.

Sua esposa.

Durante anos, ele acreditou que Sérgio era apenas um empresário parceiro da família.

Um homem que ajudava no crescimento do grupo.

Mas agora todos aqueles documentos estavam mostrando outra realidade.

Alexandre continuou lendo.

Ricardo havia escrito algumas observações pessoais.

"Alguém dentro da minha própria família está protegendo Sérgio."

A frase fez Alexandre congelar.

Ele releu várias vezes.

Sua respiração ficou pesada.

A primeira pessoa que apareceu em sua mente foi Valéria.

Sua esposa.

A mulher com quem dividia a vida há mais de quinze anos.

A mãe dos seus filhos.

"Não."

Disse ele sozinho.

Sofia olhou para o pai.

"O que foi?"

Alexandre fechou a pasta rapidamente.

"Nada."

Mas sua expressão dizia o contrário.

Naquele momento, o telefone antigo dentro do cofre chamou sua atenção.

Era um aparelho simples, daqueles que Ricardo usava anos atrás antes de trocar por modelos modernos.

Alexandre pegou o celular.

A bateria ainda funcionava.

Havia apenas um arquivo de áudio salvo.

Data:

Dois dias antes do desmaio.

Ele tentou abrir.

Mas o arquivo estava protegido.

Sofia segurou o braço do pai.

"Talvez o vovô tenha deixado isso para você."

Alexandre olhou para a tela.

Depois colocou o celular sobre a mesa.

"Eu preciso entender tudo antes."

Mas naquele instante, passos foram ouvidos no corredor.

Alexandre rapidamente guardou os documentos.

A porta abriu.

Era Valéria.

Ela entrou sorrindo, mas parou ao perceber o clima estranho no escritório.

"O que vocês estão fazendo aqui?"

Alexandre observou a esposa.

Durante anos, aquele rosto representou segurança.

Agora ele tentava descobrir se havia algo escondido atrás daquele olhar.

"Encontramos uma coisa que meu pai deixou."

Valéria ficou pálida por um segundo.

Foi rápido.

Mas Alexandre percebeu.

"O que vocês encontraram?"

Perguntou ela.

Ele não respondeu.

Apenas observou a reação dela.

"Por que você está tão preocupada?"

Valéria desviou o olhar.

"Eu só estou preocupada com Ricardo."

Mas Alexandre percebeu.

Ela sabia que existia algo naquele escritório.

A pergunta era:

O quê?

Antes que pudesse continuar, o celular antigo sobre a mesa acendeu sozinho.

Todos olharam.

O arquivo protegido começou a tocar.

Uma voz conhecida encheu o escritório.

Era Ricardo.

A gravação parecia ter sido feita poucos dias antes.

A voz dele estava séria.

Cansada.

Mas determinada.

"Se eu cair, não confie em ninguém ao seu redor."

O silêncio tomou conta da sala.

Alexandre olhou para Valéria.

Sofia segurou a mão do pai.

E, pela primeira vez, Alexandre percebeu que o maior perigo talvez nunca tivesse vindo de fora da família Montenegro.

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