《Fingi Estar Paralítico Para Testar Meus Filhos — Os Dois de Sangue Foram Embora, e o "Intruso" Ficou》Capítulo 5

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Ninguém aplaudiu. O espanto foi silencioso.

Renato apareceu na sala apoiado numa bengala apenas para sustentar a encenação diante da imprensa. Helena caminhava ao lado. Rafael vinha atrás com a pasta de provas; Laura carregava o notebook copiado do pai.

Marcelo ficou de pé.

— Pai…

— Continue — disse Renato. — Quero ouvir como pretende vender minhas ações usando uma digital borrada.

Caio tentou sair. Dois agentes da polícia civil fecharam a porta.

Lígia projetou as transferências da Salus. Quarenta e oito milhões haviam saído do grupo. Marcelo assinara. Caio recebera.

— Era investimento — afirmou Marcelo.

— Em quê? — perguntou Renato.

— Expansão internacional.

— Uma empresa sem funcionários expandiu o quê?

Caio apontou para o irmão.

— Ele fez os contratos. Eu só recebi o que me devia.

— Você sabia de tudo — retrucou Marcelo.

Em menos de um minuto, os parceiros começaram a se destruir.

Marcelo apontou para Rafael.

— Foi ele quem acessou as contas. Sempre quis tomar nosso lugar.

Caio percebeu a saída e concordou.

— A senha era dele. O adotado sabia que nunca receberia nada e resolveu pegar antes.

Rafael colocou sobre a mesa o laudo da cirurgia, registros de entrada e a perícia dos endereços digitais.

— Eu estava anestesiado quando minha senha aprovou os pagamentos. O acesso saiu do escritório do Marcelo.

— Documento se compra — rebateu Marcelo.

Renato levantou a mão.

— Chega.

Abriu uma gravação antiga da festa em que adotara Rafael legalmente. Teresa aparecia segurando o menino de doze anos. Marcelo e Caio, ainda crianças, estavam ao lado.

— Eu assinei que ele era meu filho — disse Renato. — Mas passei anos permitindo que vocês tratassem a adoção como favor revogável. Hoje tentam usar o preconceito que eu tolerei para esconder um crime.

Rafael não sorriu. A defesa pública vinha tarde e diante de uma plateia conveniente.

— Não quero que acreditem em mim porque ele me chama de filho — afirmou ao conselho. — Quero que leiam a perícia.

Os conselheiros leram. A prova resistia sem depender do afeto de ninguém.

Renato compreendeu a diferença: Marcelo e Caio sempre exigiam privilégios por serem filhos. Rafael exigia critérios para não depender de ser reconhecido como um.

Renato ouviu até o fim.

— Vocês passaram a vida competindo pela minha aprovação. No primeiro momento em que acharam que eu não podia falar, trabalharam juntos para me roubar.

Marcelo tentou aproximar-se.

— Eu mantive a empresa viva enquanto você nos tratava como estagiários.

— E decidiu me manter sedado.

Helena colocou a seringa lacrada sobre a mesa. O laboratório identificara uma dose capaz de causar parada respiratória num paciente debilitado.

Marcelo olhou para Paulo, que já estava detido.

— Eu pedi que ele evitasse uma recuperação inesperada. Não mandei matar ninguém.

— Obrigado pela confissão — disse a delegada.

Caio levantou as mãos.

— Eu não sabia da medicação.

— Mas sabia da fraude — respondeu Rafael. — E me chamou de parasita enquanto usava o dinheiro do pai para sustentar sua mentira.

O pai a encarou.

— Você trouxe ela pra isso?

— Eu vim porque o vô precisava de alguém que não estivesse calculando quanto valia cada respiração dele.

Marcelo olhou para a filha como se fosse uma desconhecida.

Renato anulou a votação, afastou os dois filhos e nomeou Lígia presidente interina. A polícia levou Paulo e Sérgio. Marcelo permaneceu livre enquanto a investigação avançava. Caio entregou o passaporte.

Do lado de fora, repórteres cercaram Renato.

— O senhor fingiu uma deficiência para testar a família?

— Fingi estar incapaz para investigar um crime. Minha família fez o resto sem ajuda.

A frase virou manchete.

Naquela noite, Marcelo entrou escondido na mansão usando uma chave antiga. Encontrou Renato no escritório.

— Vai mesmo me deserdar?

— Você tentou me interditar, roubar e drogar. O testamento é sua preocupação?

— Eu dei vinte anos àquela empresa.

— E tirou quarenta e oito milhões.

Marcelo bateu na mesa.

— Porque você nunca daria nada enquanto estivesse vivo!

Renato se levantou.

— Eu lhe dei um cargo que não merecia porque tinha meu sobrenome.

Marcelo respirou pesado.

— Caio vai fazer acordo e jogar tudo em mim.

— Provavelmente.

— E você vai deixar?

— Vou deixar a Justiça ouvir os dois.

Ao sair, Marcelo parou na porta.

— Você quer parecer vítima, mas criou isso. Fez a gente disputar cada migalha de atenção.

A frase encontrou lugar porque continha verdade.

Renato não a usou como desculpa para o filho. Também não conseguiu ignorá-la.

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