《Fingi Estar Paralítico Para Testar Meus Filhos — Os Dois de Sangue Foram Embora, e o "Intruso" Ficou》Capítulo 4

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A Clínica Santa Augusta cheirava a desinfetante barato e comida requentada. As fotografias do site mostravam jardins que não existiam. No corredor, seis idosos assistiam a uma televisão desligada.

Marcelo assinou a internação em nove minutos.

— Quarto individual? — perguntou a recepcionista.

— O plano básico basta.

O homem que podia comprar o prédio inteiro foi colocado num quarto estreito ao lado da lavanderia.

Marcelo não entrou para se despedir. Caio mandou um emoji de mãos em oração no grupo da família.

Renato chegou pelo acesso de funcionários depois que o boneco já estava na cama. Helena instalou as câmeras. Gustavo manteve uma equipe num apartamento próximo.

Nas primeiras vinte e quatro horas, nenhum filho ligou.

Rafael, porém, não saiu. Entrou como auxiliar de manutenção usando o crachá de um funcionário aliado e passou a noite numa cadeira ao lado da cama. Quando uma cuidadora deixou a bandeja no corredor, ele alimentou dois idosos antes de levar a sopa ao pai.

— O Marcelo disse que eu estava criando escândalo — contou. — Falou que um filho de verdade respeitaria a decisão da família.

— E o que respondeu?

— Que filho de verdade não abandona o pai numa clínica que não daria nem para o cachorro.

Renato baixou os olhos.

— Eu devia ter impedido que eles chamassem você de menos filho.

— Devia. Mas não usa a culpa pra me transformar em príncipe agora. Eu quero justiça, não coroação.

Laura apareceu de ônibus. Trouxe água, frutas e uma manta. Ao fechar a porta, Renato sentou.

Ela levou as mãos à boca.

— Eu sabia. Quer dizer, eu esperava. Mas… o senhor tá andando.

— Estou.

— Por que está fazendo isso?

Renato contou sobre a Salus, o laudo falso e a medicação.

— Meu pai sabe?

— Seu pai criou metade do plano.

Laura ficou branca.

— Não.

— Eu também disse isso quando vi os documentos.

Ela caminhou até a janela gradeada.

— Ele sempre falou que tudo o que fazia era pela família.

— Frase perigosa. Geralmente significa que alguém decidiu o que a família deve aceitar.

Laura concordou em ajudar. Voltaria a tratar o avô como incapaz diante de todos e copiaria os arquivos do computador de Marcelo.

Na segunda noite, Paulo entrou no quarto com uma seringa. Helena o recebeu.

— A medicação não está na prescrição.

— Ordem do responsável legal.

— Qual medicamento?

— Um sedativo leve.

Renato permaneceu imóvel. Paulo injetou o conteúdo no acesso do soro, sem saber que Helena o havia desconectado. A câmera captou o rótulo raspado.

— Ele vai dormir até quando? — perguntou Helena.

— Até depois da assembleia.

— E se a pressão cair?

Paulo deu de ombros.

— Aos sessenta e oito, acontece.

Quando saiu, Renato abriu os olhos.

— Agora temos tentativa de homicídio.

— Temos uma frase e uma seringa. Precisamos do conteúdo.

Helena guardou o material num saco lacrado.

Na manhã da assembleia, Marcelo apresentou a tutela, o laudo e a suposta assinatura do pai. Pediu aprovação da venda de ações à Salus.

Lígia levantou uma objeção.

— O estatuto exige presença do fundador para mudança de controle.

— Meu pai não pode comparecer.

— Então a votação deve esperar.

Marcelo sorriu.

— Meu pai comparecerá por vídeo.

Uma tela acendeu. Mostrava Renato deitado, imóvel, na clínica. A transmissão era gravada, mas os conselheiros não sabiam.

Caio sentou na última fileira, confiante.

Marcelo começou a votar usando a procuração falsa.

No momento em que declarou a proposta aprovada, a imagem da tela mudou.

Renato abriu os olhos.

Depois se sentou.

— Essa reunião ainda não acabou — disse.

O rosto de Marcelo perdeu toda a cor.

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