《O Anel Que Trouxe Minha Esposa de Volta》Parte 6

PUBLICIDADE

Gabriel Augusto Almeida não conseguiu esquecer a expressão de Ricardo Montenegro naquele dia.

Não era apenas raiva.

Não era apenas medo.

Era culpa.

Pela primeira vez em dez anos, Gabriel percebeu que talvez o homem que esteve ao seu lado durante o pior momento da sua vida também pudesse ser alguém que escondia a verdade.

Depois da conversa na mansão Montenegro, ele voltou imediatamente para o escritório de Eduardo Martins.

Precisava entender tudo antes de tomar qualquer decisão.

Eduardo já estava esperando com novos documentos espalhados sobre a mesa.

"Gabriel, eu encontrei algo importante."

Gabriel se aproximou.

"O que foi?"

Eduardo colocou algumas folhas na frente dele.

"Eu investiguei a empresa de segurança ligada ao pagamento feito antes do acidente de Helena."

Gabriel ficou atento.

"E?"

"O pagamento não foi feito para proteger Helena."

Eduardo fez uma pausa.

"Foi feito para encontrar ela."

Gabriel sentiu um peso no peito.

"Encontrar?"

Eduardo confirmou.

"Alguém estava procurando Helena antes da morte oficial dela."

O silêncio tomou conta da sala.

Gabriel passou a mão pelo rosto.

Tudo começava a fazer sentido.

Helena não estava apenas com medo.

Ela estava fugindo.

"Existe mais uma coisa."

Eduardo abriu outro arquivo.

"Eu consegui acesso a registros antigos de uma clínica particular."

Gabriel olhou para o documento.

"O que tem aí?"

Eduardo apontou para uma assinatura.

"Uma mulher com o nome de Helena Ribeiro apareceu aqui três dias depois do acidente."

Gabriel parou de respirar por um instante.

"Isso é impossível."

"Eu também pensei."

Eduardo continuou:

"Mas o registro existe."

Gabriel pegou o papel com mãos trêmulas.

A data.

O nome.

Tudo estava ali.

Três dias depois da morte.

Helena tinha sido registrada em uma clínica.

Ele se levantou rapidamente.

"Ela estava viva."

Eduardo não respondeu.

Porque aquela era a única conclusão possível.

Gabriel saiu do escritório sem saber para onde ir.

Ele dirigiu pelas ruas de São Paulo sem perceber o caminho.

Sua mente estava cheia de lembranças.

Helena sorrindo.

Helena segurando Sofia bebê.

Helena dizendo que tudo ficaria bem.

Durante dez anos, ele chorou uma mulher que talvez nunca tivesse partido.

Naquela noite, voltou para casa e encontrou Sofia sentada no sofá.

Ela segurava a fotografia da mãe.

Quando viu o pai, levantou imediatamente.

"Pai, você descobriu alguma coisa?"

Gabriel ficou parado.

Ele queria contar.

Queria dizer que talvez a mãe dela estivesse viva.

Mas tinha medo.

Medo de criar uma esperança que poderia ser destruída novamente.

Ele sentou ao lado dela.

"Filha, você lembra daquela mulher que viu quando era pequena?"

Sofia ficou séria.

"Lembro."

"Você lembra de mais alguma coisa?"

A menina pensou por alguns segundos.

Depois respondeu:

"Ela estava chorando."

Gabriel segurou a mão dela.

"Ela falou alguma coisa?"

Sofia olhou para a fotografia.

"Ela disse que precisava voltar."

O coração de Gabriel apertou.

"Voltar para onde?"

A menina respondeu baixinho:

"Para mim."

Naquela noite, Gabriel tomou uma decisão.

Ele não iria mais apenas investigar.

PUBLICIDADE

Ele iria encontrar Helena.

Nos dias seguintes, Eduardo continuou procurando informações.

Cada descoberta mostrava uma nova parte do plano.

Helena tinha preparado uma fuga.

Ela tinha mudado documentos.

Tinha escondido dinheiro.

Tinha criado uma identidade diferente.

Mas algo deu errado.

Alguém descobriu.

Eduardo encontrou uma anotação em um antigo arquivo.

Era uma frase escrita pela própria Helena.

"Se eles descobrirem onde estou, Sofia estará em perigo."

Gabriel sentiu um aperto no peito.

Ela não fugiu porque queria abandonar a família.

Ela fugiu porque estava tentando proteger a filha.

Mas por que nunca voltou?

Por que deixou Gabriel sofrer durante dez anos?

Essa pergunta ainda machucava.

Eduardo finalmente encontrou uma pista.

Um endereço antigo.

Um bairro simples na zona oeste de São Paulo.

Vila Madalena.

Um lugar onde uma mulher chamada Clara Ribeiro tinha morado durante alguns anos.

Mas havia algo estranho.

A fotografia do documento era muito parecida com Helena.

Gabriel olhou várias vezes.

Não havia dúvida.

Era ela.

"Ela mudou de nome."

Eduardo confirmou.

"Sim."

Gabriel sentiu os olhos encherem.

"Ela estava viva esse tempo todo."

Eduardo ficou em silêncio.

"Mas por que ela não procurou você?"

Essa pergunta ficou no ar.

Gabriel também não sabia responder.

Talvez Helena tivesse medo.

Talvez alguém estivesse vigiando.

Talvez ela acreditasse que ficar longe era a única forma de proteger Sofia.

Mas uma coisa era certa.

Ela estava viva.

Naquela mesma noite, Gabriel voltou para casa.

Ele ficou olhando Sofia dormir.

A filha segurava o velho anel da mãe.

Ele percebeu algo que nunca tinha entendido antes.

Mesmo sem lembrar claramente da mãe, Sofia nunca deixou de sentir que ela existia.

Como se uma parte dela soubesse a verdade.

Na manhã seguinte, Gabriel recebeu uma ligação de Eduardo.

A voz do investigador estava diferente.

"Gabriel, encontrei o endereço atual."

O coração dele acelerou.

"De Helena?"

"Sim."

Gabriel ficou em silêncio.

Depois de dez anos.

Depois de tantas perguntas.

Depois de tantas lágrimas.

Ele finalmente poderia ver sua esposa novamente.

"Me manda o endereço."

Eduardo hesitou.

"Gabriel..."

"O que foi?"

"Antes de você ir, precisa saber uma coisa."

Gabriel ficou preocupado.

"Fala."

Eduardo respirou fundo.

"Helena não está sozinha."

O coração dele parou.

"Como assim?"

"Ela tem vivido com outra pessoa."

Gabriel sentiu uma dor inesperada.

Mas antes que pudesse perguntar qualquer coisa, Eduardo completou:

"Uma pessoa que aparece em todos os documentos dela dos últimos anos."

Gabriel apertou o telefone.

"Quem?"

Eduardo demorou alguns segundos para responder.

"Alguém que tem ligação direta com a família Montenegro."

Naquela tarde, Gabriel voltou para casa mais confuso do que nunca.

Ele precisava entender.

Precisava descobrir por que Helena tinha desaparecido.

Mas antes de conseguir pensar em qualquer coisa, a campainha tocou.

Sofia correu até a porta.

"Pai, chegou alguém."

Gabriel caminhou até a entrada.

Quando abriu a porta, ficou completamente imóvel.

Uma mulher estava parada do outro lado.

Ela tinha lágrimas nos olhos.

O rosto que ele tentou esquecer durante dez anos estava diante dele.

Helena.

A mulher olhou para Gabriel.

Depois olhou para Sofia.

Sua respiração falhou.

Com a voz tremendo, ela deu um passo à frente.

"Minha filha..."

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia