《O Anel Que Trouxe Minha Esposa de Volta》Parte 4

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Gabriel Augusto Almeida passou a noite inteira acordado depois de receber aquela mensagem.

As palavras continuavam aparecendo na tela do celular.

"Ou sua filha vai desaparecer assim como a mãe dela desapareceu."

Ele tentou se convencer de que era apenas uma ameaça.

Uma tentativa de assustá-lo.

Mas depois de tudo que tinha descoberto, era impossível ignorar.

O registro alterado do hospital.

O dinheiro pago antes do acidente.

O nome da família Montenegro aparecendo nas investigações.

Tudo apontava para uma verdade que ele ainda não conseguia aceitar.

Helena tinha escondido algo.

E alguém estava disposto a fazer qualquer coisa para impedir que ele descobrisse.

Na manhã seguinte, Gabriel levou Sofia para a escola.

Durante todo o caminho, ele observou a filha pelo espelho do carro.

Ela parecia tranquila.

Mas ele sabia que aquela menina carregava perguntas demais para sua idade.

Quando chegaram ao portão da escola, Sofia não saiu imediatamente.

Ela segurou a mochila e ficou olhando para o pai.

"Pai?"

Gabriel virou para ela.

"Sim, filha?"

Ela hesitou.

"Eu queria contar uma coisa."

O coração dele apertou.

"Pode falar."

Sofia respirou fundo.

"Eu acho que já vi a mamãe depois que ela morreu."

Gabriel ficou completamente imóvel.

Por alguns segundos, não conseguiu reagir.

Ele tentou manter a calma.

"Sofia, o que você quer dizer?"

A menina olhou para baixo.

"Quando eu era pequena."

Ela apertou os dedos.

"Eu tinha uns quatro anos. Eu estava no quarto, de noite."

Gabriel sentiu um arrepio.

"Você lembra disso?"

Sofia confirmou.

"Eu acordei e vi uma mulher perto da porta."

Ele ficou em silêncio.

"E como ela era?"

A menina levantou os olhos.

"Ela parecia a mamãe."

Gabriel sentiu a respiração prender.

"Você tem certeza?"

Sofia balançou a cabeça.

"Eu era pequena, mas eu lembro do rosto dela."

Ela ficou com os olhos cheios de lágrimas.

"Ela olhou para mim e começou a chorar."

Gabriel se aproximou.

"O que ela falou?"

Sofia respondeu baixinho:

"Ela disse que sentia muito por não poder ficar comigo."

Aquelas palavras destruíram Gabriel por dentro.

Durante anos, ele achou que Sofia não tinha lembranças da mãe.

Achou que ela era pequena demais para guardar qualquer memória.

Mas talvez Helena tivesse tentado voltar.

Talvez alguém tivesse impedido.

Gabriel segurou as mãos da filha.

"Por que você nunca me contou isso?"

Sofia abaixou a cabeça.

"Porque eu achei que você ia ficar triste."

Ele abraçou a filha.

Naquele momento, Gabriel entendeu uma coisa.

Sofia não estava inventando histórias.

Ela estava tentando encontrar a mãe há anos.

Depois que deixou a filha na escola, Gabriel ligou para Eduardo Martins.

Ele precisava de respostas.

"Eduardo, preciso que você descubra tudo sobre o antigo estúdio da Helena."

O investigador ficou em silêncio.

"Você quer dizer o estúdio de fotografia dela?"

"Sim."

"Por que agora?"

Gabriel olhou para a fotografia da esposa sobre a mesa.

"Porque eu acho que Helena deixou alguma coisa lá."

Poucas horas depois, Eduardo encontrou o endereço.

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Era um pequeno prédio antigo em Vila Madalena.

O local onde Helena trabalhava antes da morte.

Durante dez anos, Gabriel nunca teve coragem de voltar.

Aquele lugar guardava muitas lembranças.

Foi ali que ele viu Helena sorrir pela última vez.

Foi ali que ela revelou que estava grávida.

Foi ali que eles planejaram o futuro da família.

Quando abriu a porta do antigo estúdio, uma onda de emoção tomou conta dele.

Tudo parecia parado no tempo.

As câmeras antigas.

Os quadros.

As fotografias espalhadas pelas paredes.

Até a mesa onde Helena costumava trabalhar continuava no mesmo lugar.

Sofia entrou devagar.

Ela segurava a mão do pai.

"Era aqui que a mamãe ficava?"

Gabriel confirmou.

"Sim."

A menina olhou ao redor.

"Eu sinto que conheço esse lugar."

Eduardo começou a procurar sinais de algo escondido.

Depois de algumas horas, encontrou uma diferença em uma das paredes.

"Gabriel."

Ele chamou.

Gabriel se aproximou.

"Veja isso."

A parede parecia normal.

Mas uma parte tinha uma pequena abertura escondida atrás de uma fotografia antiga.

Eduardo retirou o quadro.

Atrás havia uma porta pequena.

O coração de Gabriel acelerou.

"Ela escondeu isso aqui."

Com cuidado, eles abriram.

Dentro havia uma sala secreta.

Não era grande.

Mas estava cheia de coisas.

Caixas antigas.

Documentos.

Fotografias.

E um pequeno gravador.

Gabriel ficou parado olhando tudo.

Era como se Helena tivesse deixado uma mensagem esperando por ele durante dez anos.

Ele abriu uma caixa.

Dentro havia dezenas de fotos.

Fotos de Helena com Sofia bebê.

Fotos que ele nunca tinha visto.

Mas uma delas chamou sua atenção.

Helena aparecia segurando Sofia.

No fundo da imagem havia o mesmo homem da fotografia que Dona Célia mostrou.

O homem desconhecido.

Gabriel pegou a foto.

"Quem é você?"

Eduardo observou.

"Esse homem parece ser importante."

Gabriel continuou procurando.

Encontrou documentos.

Contratos.

Anotações.

Algumas páginas estavam rasgadas.

Como se alguém tivesse tentado apagar partes da história.

Sofia encontrou uma pequena caixa rosa.

"Pai, olha."

Gabriel se aproximou.

Dentro havia uma pulseira de prata.

Ele ficou sem reação.

Era exatamente a pulseira que Dona Célia tinha mencionado.

A mesma pulseira que Sofia usava no dia em que nasceu.

Ele segurou o objeto com cuidado.

"Helena guardou isso."

Sofia tocou a pulseira.

"Era minha?"

Gabriel respondeu emocionado:

"Era."

A menina sorriu pela primeira vez em muitos dias.

Mas naquele momento, Eduardo encontrou algo escondido no fundo da caixa.

Um envelope.

O nome de Gabriel estava escrito nele.

Ele abriu lentamente.

Dentro havia apenas uma frase:

"Para o homem que eu mais amei."

Gabriel sentiu os olhos se encherem de lágrimas.

Ele colocou o papel sobre a mesa.

Depois pegou o pequeno gravador encontrado na sala.

As mãos tremiam enquanto apertava o botão.

Por alguns segundos, só houve silêncio.

Então uma voz apareceu.

Uma voz que ele conhecia melhor do que qualquer outra.

A voz de Helena.

Gabriel ficou sem respirar.

Sofia levou a mão à boca.

E então Helena começou a falar.

Sua voz estava fraca.

Como se estivesse chorando.

"Gabriel..."

Uma pausa.

Depois um soluço.

"Se você está ouvindo essa gravação, significa que eu não consegui voltar para vocês."

Gabriel fechou os olhos.

As lágrimas começaram a cair.

A voz de Helena continuou:

"Eu preciso que você faça uma coisa por mim."

O som ficou mais baixo.

Mas cada palavra carregava medo.

"Proteja nossa filha."

Gabriel segurou o gravador com força.

E então Helena disse a frase que fez seu coração parar.

"Gabriel, se você está ouvindo este áudio... é porque eles conseguiram me fazer desaparecer."

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