《O Anel Que Trouxe Minha Esposa de Volta》Parte 3

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Gabriel Augusto Almeida passou a noite inteira sentado na sala de casa.

A carta de Helena continuava aberta sobre a mesa.

Ele tinha lido aquelas poucas linhas dezenas de vezes.

"Se você está lendo esta carta, significa que eles conseguiram me fazer desaparecer."

Aquela frase não saía da sua cabeça.

Durante dez anos, Gabriel acreditou que perdeu a esposa em um acidente trágico.

Ele acreditou que a vida simplesmente tinha sido cruel.

Acreditou que Helena tinha partido sem poder se despedir.

Mas agora tudo parecia diferente.

Pela primeira vez, uma pergunta começou a destruir todas as suas certezas.

E se Helena não tivesse morrido?

E se alguém tivesse feito todos acreditarem nisso?

Na manhã seguinte, depois de deixar Sofia na escola em Vila Mariana, Gabriel tomou uma decisão.

Ele precisava descobrir a verdade.

Mesmo que doesse.

Mesmo que destruísse tudo que ele conhecia.

Seu primeiro passo foi procurar informações sobre o acidente.

Durante anos, ele evitou qualquer documento relacionado à morte de Helena.

Cada papel parecia uma lembrança da maior dor da sua vida.

Mas agora aqueles documentos poderiam ser a única chance de encontrar respostas.

Gabriel foi até o Hospital Santa Cecília, onde Helena tinha sido levada depois do acidente.

Ele carregava uma cópia antiga do registro médico.

Na recepção, pediu informações sobre o atendimento daquela noite.

A funcionária pesquisou no sistema.

Depois franziu a testa.

"Senhor Gabriel, existe algo estranho aqui."

O coração dele acelerou.

"O que você encontrou?"

A mulher virou o monitor discretamente.

"O horário do atendimento não bate com o documento que o senhor trouxe."

Gabriel sentiu um frio no peito.

"Como assim?"

Ela explicou:

"O registro original indica que Helena Ribeiro Almeida chegou ao hospital às 22h17."

Ele olhou para o papel.

"Mas aqui está escrito 23h40."

A diferença parecia pequena.

Mas para Gabriel era enorme.

"Alguém mudou esse horário?"

A funcionária ficou desconfortável.

"Eu não sei dizer. Mas existe uma alteração no sistema."

Gabriel ficou parado.

Uma alteração.

Uma palavra simples.

Mas que mudava tudo.

Ele saiu do hospital com uma sensação estranha.

Não era mais apenas uma suspeita.

Era uma possibilidade real.

Alguém tinha mexido nos registros da morte de Helena.

Nos dias seguintes, Gabriel começou a investigar tudo.

Conversou com antigos funcionários.

Buscou relatórios esquecidos.

Comparou documentos.

Quanto mais procurava, mais perguntas apareciam.

A morte de Helena tinha detalhes que nunca tinham sido explicados.

Naquela época, ele estava tão destruído que apenas assinou os documentos necessários.

Nunca imaginou que alguém poderia estar escondendo algo.

Foi nesse momento que ele decidiu procurar ajuda profissional.

Dona Célia tinha mencionado alguém capaz de investigar.

O nome dele era Eduardo Martins.

Eduardo era um investigador particular conhecido em São Paulo por resolver casos antigos.

O encontro aconteceu em um pequeno escritório próximo à Avenida Paulista.

Gabriel colocou todos os documentos sobre a mesa.

Eduardo analisou cada página em silêncio.

Depois de quase uma hora, levantou os olhos.

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"Você tem certeza de que quer descobrir isso?"

Gabriel respondeu sem hesitar:

"Eu passei dez anos acreditando que minha esposa morreu. Agora descobri que talvez eu tenha sido enganado. Eu preciso saber a verdade."

Eduardo continuou olhando os documentos.

"Existe uma coisa que chamou minha atenção."

Gabriel se inclinou.

"O quê?"

"O acidente de Helena aconteceu às 21h50."

Ele pegou outro papel.

"Mas duas horas antes, alguém fez uma transferência muito alta."

Gabriel franziu a testa.

"Para quem?"

Eduardo virou o documento.

"O pagamento foi feito para uma empresa de segurança particular."

O silêncio tomou conta do escritório.

"Segurança?"

Eduardo confirmou.

"E o nome da empresa está ligado ao Grupo Montenegro."

Gabriel sentiu o corpo ficar tenso.

Montenegro.

Aquele sobrenome ele conhecia.

A família de Helena.

A família que sempre pareceu perfeita.

A família rica e respeitada de São Paulo.

Mas agora aquele nome aparecia ligado ao pior momento da sua vida.

"Você está dizendo que a família dela pode estar envolvida?"

Eduardo respirou fundo.

"Eu estou dizendo que alguém pagou muito dinheiro antes da morte dela."

Gabriel levantou.

"Não."

Ele tentou negar.

"Ricardo Montenegro era o pai dela. Ele amava Helena."

Eduardo não respondeu.

Porque às vezes o silêncio dizia mais do que qualquer palavra.

Gabriel saiu do escritório confuso.

Durante anos, ele considerou Ricardo como parte da família.

Ele confiou naquele homem.

Aceitou conselhos.

Aceitou ajuda.

Nunca imaginou que pudesse existir algo escondido.

Naquela noite, Gabriel voltou para casa e encontrou Sofia desenhando na mesa.

Ela levantou o rosto quando viu o pai.

"Você descobriu alguma coisa sobre a mamãe?"

Gabriel tentou sorrir.

Mas não conseguiu.

Ele se aproximou e sentou ao lado dela.

"Ainda não, filha."

Sofia segurou um lápis.

"Mas ela está viva?"

A pergunta atingiu Gabriel.

Ele não sabia responder.

Porque pela primeira vez em dez anos, ele tinha esperança.

Mas também tinha medo.

"Eu vou descobrir."

Sofia segurou a mão dele.

"Promete?"

Gabriel olhou para a filha.

"Prometo."

Mais tarde, quando Sofia dormiu, Gabriel voltou para a sala.

Ele abriu novamente a carta de Helena.

Atrás dela havia uma pequena anotação que ele não tinha percebido antes.

Um nome.

Patrícia Montenegro.

O nome da irmã de Helena.

Gabriel sentiu o coração acelerar.

Por que Helena teria escrito o nome da própria irmã?

Ele pegou o telefone e começou a procurar informações.

Mas antes que pudesse encontrar qualquer coisa, o celular vibrou.

Uma mensagem de número desconhecido.

Ele abriu.

Havia apenas uma frase.

"Pare de investigar a morte de Helena."

Gabriel ficou imóvel.

Antes que pudesse responder, outra mensagem chegou.

Ele sentiu as mãos tremerem ao ler.

"Ou sua filha vai desaparecer assim como a mãe dela desapareceu."

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