《A Mulher Que Todos Chamaram de Traidora… Era Minha Salvadora》Parte 7

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Clara saiu do escritório de Marcos naquela noite sabendo que cada segundo poderia ser o último.

Ela manteve a expressão tranquila até entrar no elevador.

Somente quando as portas se fecharam, permitiu que sua respiração ficasse descontrolada.

Marcos tinha desconfiado.

Talvez ainda não soubesse toda a verdade.

Mas ele estava perto.

Perto demais.

Quando chegou ao carro, encontrou Victor esperando.

Alexandre também estava lá.

Durante alguns segundos, os três ficaram em silêncio.

Porque todos entenderam o perigo.

"Ele sabe."

A voz de Clara saiu baixa.

Victor perguntou:

"Quanto ele sabe?"

Ela entregou a fotografia.

"Ele me viu entrando no apartamento de vocês."

Alexandre pegou a imagem.

Seu rosto ficou sério.

"Então ele está nos observando."

Victor confirmou.

"Provavelmente há semanas."

Clara fechou os olhos.

"Eu cometi um erro."

Alexandre olhou para ela.

"Não."

Ela ficou surpresa.

Ele continuou:

"Você carregou tudo sozinha por meses."

Pela primeira vez, Clara percebeu que Alexandre não estava falando como um homem ferido.

Estava falando como alguém que finalmente entendia o tamanho do sacrifício dela.

Mas não havia tempo para emoções.

Victor abriu uma pasta.

"Temos um problema maior."

Alexandre olhou para ele.

"O que aconteceu?"

"Marcos marcou a entrega final."

Clara ficou séria.

"Quando?"

"Amanhã à noite."

Victor colocou uma foto sobre a mesa.

O local era uma área portuária de São Paulo.

Um antigo galpão próximo ao porto.

"Ele vai entregar os documentos originais e receber a confirmação da transferência."

Alexandre analisou a imagem.

"O plano dele."

Victor confirmou.

"Ele acredita que depois dessa noite terá controle sobre tudo."

Clara respirou fundo.

"Ele quer encerrar a operação."

Alexandre olhou para ela.

"E nós vamos deixar ele acreditar nisso."

Na noite seguinte, o porto de São Paulo estava coberto por uma névoa fina.

O antigo galpão parecia abandonado.

As luzes fracas iluminavam apenas algumas partes do estacionamento.

Mas, escondidos em diferentes pontos, havia pessoas observando.

Agentes da Polícia Federal.

Equipe de apoio.

Victor coordenando tudo.

Alexandre estava dentro de um veículo escuro.

Pela primeira vez em muitos dias, ele não tentava controlar a situação.

Ele confiava no plano.

Mas confiar ainda era difícil.

Principalmente depois de descobrir que as pessoas mais próximas poderiam esconder grandes segredos.

Victor se aproximou.

"Está pronto?"

Alexandre assentiu.

"Sim."

O delegado olhou para ele.

"Quando Marcos aparecer, não faça nada impulsivo."

Alexandre quase sorriu.

"Você está falando isso para a pessoa errada."

Victor respondeu:

"Exatamente por isso estou falando."

Enquanto isso, dentro do galpão, Clara esperava.

Ela estava sozinha.

Exatamente como Marcos queria.

Ele precisava acreditar que ela tinha abandonado Alexandre.

Que tinha escolhido o dinheiro.

Que tinha escolhido poder.

Poucos minutos depois, um carro preto entrou no local.

Marcos saiu.

Usava um terno elegante.

A mesma confiança de sempre.

Como se nada no mundo pudesse ameaçá-lo.

Ele caminhou até Clara.

"Eu sabia que você viria."

Ela manteve a calma.

"Você queria os documentos."

Marcos sorriu.

"Não apenas isso."

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Ele olhou ao redor.

"Depois de hoje, tudo muda."

Clara segurava a pasta.

Dentro estavam cópias preparadas pela investigação.

Mas Marcos não sabia disso.

Ou pelo menos era o que todos esperavam.

"Você conseguiu o que precisava?"

Ela perguntou.

Marcos riu.

"Eu consegui muito mais."

Ele abriu uma pequena maleta.

Dentro havia contratos assinados.

"Com isso, Alexandre perde o controle do grupo."

Clara observou os documentos.

"Você realmente acredita que vai conseguir?"

Marcos percebeu a mudança no tom dela.

Por um segundo, seu sorriso desapareceu.

"Essa pergunta foi interessante."

Ele se aproximou.

"Você está começando a duvidar de mim?"

Clara manteve o olhar firme.

"Não."

Mas Marcos continuou observando.

Ele era inteligente.

Era exatamente por isso que tinha conseguido enganar tantas pessoas durante tantos anos.

Então, antes que pudesse responder, outro veículo entrou no galpão.

Todos ficaram atentos.

Clara não esperava aquilo.

Marcos sorriu.

"Finalmente."

A porta do carro abriu.

Um homem saiu.

Clara reconheceu imediatamente.

Era Ricardo Nunes.

O agente da Polícia Federal que estava vazando informações.

O homem que deveria estar ajudando a prender Marcos.

Mas estava ali.

Ao lado dele.

Marcos caminhou até Ricardo.

"Eu sabia que podia confiar em você."

Victor, escondido do lado de fora, recebeu a informação pelo rádio.

Seu rosto mudou.

"Ricardo está com ele."

Alexandre ficou tenso.

"Então ele era a última peça."

Victor confirmou.

"Sim."

Dentro do galpão, Clara percebeu que algo estava errado.

Marcos não tinha chamado Ricardo apenas para ajudar.

Ele tinha chamado porque queria mostrar poder.

"Você trouxe um policial."

Marcos sorriu.

"Um policial que entende como o mundo funciona."

Ricardo ficou em silêncio.

Clara sentiu o perigo.

Marcos voltou-se para ela.

"Agora me diga uma coisa."

Ele se aproximou.

"Você realmente achou que poderia me enganar?"

O coração de Clara acelerou.

Ele sabia.

Talvez soubesse tudo.

Do lado de fora, Victor percebeu que a situação estava mudando.

"Entramos agora."

Alexandre segurou o braço dele.

"Não."

Victor olhou para ele.

"Se esperarmos, Clara pode estar em perigo."

Alexandre respondeu:

"Se entrarmos errado, todos nós perdemos."

Dentro do galpão, Marcos pegou o celular.

"Tenho uma mensagem interessante."

Ele mostrou a tela para Clara.

Era uma foto.

Uma foto de Alexandre chegando ao porto.

Ela perdeu a cor.

Marcos sorriu.

"Você não percebeu."

Ele falou lentamente.

"Eu sabia que ele viria."

Clara entendeu.

Aquele encontro era uma armadilha.

Não era uma negociação.

Era uma forma de atrair todos para o mesmo lugar.

Marcos olhou ao redor.

"Alexandre."

O nome ecoou pelo galpão.

E então as portas se abriram.

Alexandre apareceu.

Todos ficaram imóveis.

Marcos começou a rir.

"Eu sabia."

Alexandre encarou o homem que destruiu sua família.

"Acabou, Marcos."

Mas o sorriso dele não desapareceu.

"Não."

Ele respondeu.

"Agora começou."

Nesse instante, Ricardo levou a mão até a cintura.

Victor percebeu tarde demais.

"Armas!"

O som explodiu dentro do galpão.

Um disparo ecoou.

Depois outro.

Todos correram.

As luzes se apagaram.

Gritos.

Passos.

Confusão.

Alexandre tentou encontrar Clara no meio da escuridão.

"Clara!"

Nenhuma resposta.

Victor tentou reorganizar a equipe.

Mas o caos já tinha tomado conta.

Quando as luzes de emergência finalmente acenderam, o galpão estava vazio.

Marcos tinha desaparecido.

Ricardo também.

E Clara não estava em lugar nenhum.

Alexandre correu pelo local.

No chão, encontrou apenas a pasta que ela carregava.

Aberta.

Vazia.

Ele segurou o objeto com as mãos tremendo.

Porque naquele momento entendeu algo pior do que uma fuga.

Alguém tinha levado Clara.

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