《A Mulher Que Todos Chamaram de Traidora… Era Minha Salvadora》Parte 2

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Alexandre permaneceu parado no meio da sala enquanto a voz de Marcos ainda ecoava em sua cabeça.

A conta em Lisboa.

Aquelas três palavras tinham mudado completamente o ambiente da mansão.

Minutos antes, ele acreditava estar diante da maior traição da sua vida.

Agora, pela primeira vez, começava a perceber que talvez existisse uma verdade escondida atrás de tudo aquilo.

Mas uma pergunta continuava destruindo sua mente.

Por que Clara não contou nada?

Por que deixou que ele acreditasse que ela estava contra ele?

Victor observava o silêncio de Alexandre.

O delegado sabia que aquele momento era tão importante quanto qualquer prova da investigação.

Porque antes de enfrentar Marcos, Alexandre precisava aceitar que a pessoa que mais amava tinha sido obrigada a mentir para ele.

Victor fechou a porta da sala e pediu que todos se afastassem.

Marcos foi levado para uma sala reservada pelos agentes.

Mesmo algemado, ele mantinha um sorriso tranquilo.

Como se ainda tivesse alguma vantagem.

Alexandre percebeu.

E isso o incomodou.

"Ele parece ter certeza de alguma coisa."

Victor respondeu:

"Porque ele sabe que existe uma parte dessa história que ainda não foi revelada."

Alexandre olhou para Clara.

Ela estava em silêncio.

Os olhos vermelhos de tanto chorar.

Mas, pela primeira vez naquela noite, ele não via uma mulher culpada.

Via alguém carregando um peso enorme há meses.

"Quero ouvir tudo."

A voz dele saiu firme.

"Sem esconder nada."

Clara respirou profundamente.

Ela sabia que aquele momento chegaria.

Mas nunca imaginou que seria daquela forma.

No escritório.

No meio de documentos que pareciam provar sua culpa.

Com o homem que amava olhando para ela como uma desconhecida.

"Há quatro meses eu descobri movimentações estranhas na empresa."

Alexandre franziu a testa.

"Na empresa?"

Clara confirmou.

"Começou com pequenos valores. Transferências que pareciam normais, mas sempre terminavam em contas que não tinham nenhuma relação com o grupo Montenegro Vasconcelos."

Victor colocou alguns documentos sobre a mesa.

"Marcos era responsável por todas as aprovações financeiras."

Alexandre pegou os papéis.

Mas ainda parecia não acreditar.

"Não."

A resposta saiu imediatamente.

Victor observou.

"Senhor Montenegro..."

"Não."

Alexandre repetiu.

"Vocês não entendem."

Ele passou a mão pelo rosto.

"Marcos estava comigo quando meu pai morreu."

A voz dele ficou mais baixa.

"Ele foi uma das poucas pessoas que ficaram ao meu lado quando todos os investidores queriam abandonar a empresa."

Clara olhou para ele.

"Eu sei."

"Ele me ajudou a reconstruir tudo."

Alexandre apertou os documentos.

"Eu não cheguei onde estou sozinho."

Durante anos, Marcos havia sido mais do que um funcionário.

Era o homem que Alexandre chamava de irmão.

Quando o grupo quase entrou em falência após a morte de Roberto Montenegro, Marcos foi quem apresentou estratégias financeiras que salvaram a empresa.

Foi ele quem convenceu os bancos a continuarem apoiando a família.

Foi ele quem esteve presente nos momentos em que Alexandre pensava em desistir.

Por isso aquela acusação parecia impossível.

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Clara se aproximou lentamente.

"É exatamente por isso que ele conseguiu chegar tão perto."

Alexandre ficou em silêncio.

Porque aquela frase fazia sentido.

Os maiores perigos não vinham de desconhecidos.

Vinham de pessoas que tinham acesso.

Pessoas que conheciam todos os caminhos.

Victor abriu uma pasta maior.

Dentro havia relatórios bancários.

"Encontramos contas abertas em nomes de empresas de fachada."

Alexandre analisou os documentos.

Uma delas chamou sua atenção.

Uma empresa de investimentos chamada Instituto Horizonte Vivo.

"Eu conheço essa empresa."

Victor levantou o olhar.

"Conhece?"

Alexandre assentiu.

"Ela faz doações para projetos sociais."

Clara respirou fundo.

"Essa é a parte que Marcos queria esconder."

Victor colocou outro documento na mesa.

"O dinheiro desviado da empresa passava por essa fundação antes de desaparecer."

Alexandre ficou olhando para os números.

Milhões de reais.

Valores retirados aos poucos.

Durante anos.

Ele sentiu uma mistura de raiva e decepção.

"Ele roubou de mim."

Clara respondeu:

"Ele roubou de todos."

O silêncio voltou.

Mas então Alexandre viu outro documento.

Uma apólice de seguro.

Ele já tinha visto antes.

Mas agora percebeu um detalhe.

O beneficiário.

Seus olhos ficaram fixos naquela linha.

"Uma empresa ligada ao Instituto Horizonte Vivo."

Victor confirmou.

"E essa empresa tem ligação indireta com Marcos Ferraz."

Alexandre soltou o documento lentamente.

"O valor é de cinco milhões de reais."

Ninguém respondeu.

Ele olhou para Clara.

"Então ele não queria apenas roubar a empresa."

Clara abaixou a cabeça.

"Não."

Alexandre sentiu um arrepio.

"Ele queria minha morte."

A palavra ficou pesada dentro da sala.

Victor confirmou com um movimento de cabeça.

"Essa é a nossa principal suspeita."

Alexandre caminhou até a janela.

Do lado de fora, São Paulo continuava iluminada.

Milhares de pessoas vivendo suas vidas.

Enquanto dentro daquela mansão ele descobria que alguém próximo planejava destruí-lo.

"Mas ainda não entendo uma coisa."

Ele se virou para Clara.

"Se você descobriu tudo isso, por que não veio falar comigo?"

A pergunta doeu mais do que qualquer acusação.

Clara demorou para responder.

"Porque eu tentei."

Alexandre ficou surpreso.

"Tentou?"

Ela assentiu.

"Quando encontrei os primeiros documentos, pensei que você acreditaria em mim."

Ela olhou para o chão.

"Mas Marcos percebeu que eu estava investigando."

Victor completou:

"Ele começou a observar todos os movimentos dela."

Clara continuou:

"Eu entendi que, se ele soubesse que eu estava do seu lado, ele apagaria todas as provas."

Alexandre ficou em silêncio.

"Então você decidiu fingir."

"Sim."

Ela segurou as lágrimas.

"Eu deixei ele acreditar que eu estava disposta a ajudá-lo."

Alexandre lembrou da cena que viu ao chegar.

A mão de Marcos sobre a mão dela.

O dinheiro.

Os documentos.

Tudo parecia uma traição.

Mas agora cada detalhe tinha outro significado.

"Você deixou que eu pensasse que estava me traindo."

Clara fechou os olhos.

"Eu sabia que você poderia me odiar."

A voz dela tremeu.

"Mas preferia que você me odiasse vivo do que confiasse em mim morto."

Alexandre sentiu o peito apertar.

Pela primeira vez naquela noite, não conseguiu responder.

Porque aquela frase mostrava o tamanho do risco que ela tinha assumido.

Victor interrompeu o silêncio.

"Ainda existe um problema."

Alexandre olhou para ele.

"O quê?"

O delegado pegou o celular.

"Marcos não teria feito tudo isso sozinho."

Ele mostrou algumas mensagens.

Conversas entre números desconhecidos.

Informações internas da investigação vazadas.

"Alguém estava passando informações para ele."

Clara ficou séria.

"Eu sabia."

Alexandre olhou para ela.

"Você sabia?"

Ela assentiu.

"Por isso eu nunca contei toda a verdade."

Victor observou Clara.

"Mas agora precisamos descobrir quem é essa pessoa."

Naquele momento, um dos agentes entrou rapidamente na sala.

"Delegado, encontramos algo no computador de Marcos."

Victor levantou-se.

"O quê?"

O agente entregou um envelope.

"Um arquivo programado para ser enviado automaticamente caso ele fosse preso."

Alexandre sentiu um peso no estômago.

Victor abriu o envelope.

Dentro havia uma única folha.

Ele leu em silêncio.

Depois seu rosto mudou.

Clara percebeu.

"O que foi?"

Victor levantou os olhos.

E encarou Alexandre.

"Senhor Montenegro..."

Ele hesitou.

"Esse documento mostra que Marcos não estava apenas preparando uma fraude financeira."

Alexandre ficou imóvel.

"Então o que ele estava preparando?"

Victor colocou a folha sobre a mesa.

Alexandre olhou.

E sentiu o sangue gelar.

Porque no documento havia uma data.

Uma data próxima.

E uma frase que destruiu qualquer esperança de que aquilo fosse apenas uma ameaça.

Plano de sucessão após o falecimento de Alexandre Montenegro Vasconcelos.

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