《A Mulher Que Todos Chamaram de Traidora… Era Minha Salvadora》Parte 1

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Alexandre Montenegro Vasconcelos nunca imaginou que uma simples mudança de horário poderia destruir todas as certezas que tinha construído durante anos.

Naquela sexta-feira, ele deveria permanecer em Campinas até o final da noite para uma reunião com investidores do grupo Montenegro Vasconcelos. Mas, depois de três horas de negociações, conseguiu fechar o acordo antes do previsto.

Pela primeira vez em semanas, ele sentiu vontade de fazer algo simples.

Voltar para casa.

Ver Clara.

Jantar com ela sem celulares tocando, sem reuniões, sem empresários tentando decidir o futuro da empresa.

Alexandre sorriu sozinho enquanto dirigia pelas ruas tranquilas do Jardim Europa, em São Paulo.

Ele comprou o vinho favorito dela e passou em uma pequena floricultura no caminho.

"Hoje ela merece uma surpresa."

Era isso que ele pensava.

Há dez anos, Clara Beatriz Almeida Montenegro tinha sido a única pessoa que ficou ao lado dele quando todos diziam que ele não conseguiria assumir o império deixado pelo pai.

Ela não se apaixonou pelo dinheiro.

Pelo menos era nisso que Alexandre acreditava.

Para ele, Clara era o único lugar seguro em um mundo onde todos queriam alguma coisa.

Mas naquela noite, ao estacionar diante da mansão, algo parecia diferente.

As luzes do escritório estavam acesas.

Alexandre estranhou.

Clara sempre dizia que odiava trabalhar naquele cômodo à noite.

Ele entrou em silêncio, sem chamar os funcionários.

Queria surpreendê-la.

Colocou as chaves sobre a mesa da entrada e caminhou pelo corredor de mármore.

Então ouviu vozes.

Uma era de Clara.

A outra era de um homem.

Alexandre parou imediatamente.

O coração começou a bater mais forte.

Ele não reconhecia aquela voz.

Aproximou-se devagar da porta do escritório, que estava parcialmente aberta.

"Não podemos continuar assim, Clara."

A voz masculina era baixa e firme.

Alexandre sentiu um aperto no peito.

Continuou ouvindo.

"Eu preciso de mais alguns dias."

Era Clara.

Mas havia algo no tom dela que ele nunca tinha ouvido antes.

Medo.

"Alexandre vai começar a fazer perguntas."

O silêncio tomou conta do ambiente.

Então o homem respondeu:

"Ele ainda confia em você."

Alguns segundos se passaram.

Depois Clara falou:

"É exatamente isso que me preocupa."

Alexandre ficou imóvel.

Aquelas palavras atravessaram sua mente como uma lâmina.

Ele segurou a respiração e empurrou a porta lentamente.

O que viu fez o mundo parar.

Clara estava sentada atrás da mesa.

Na frente dela havia um homem de terno escuro, aproximadamente quarenta anos, com uma pasta aberta.

Sobre a mesa estavam espalhados documentos.

Muitos documentos.

Alexandre reconheceu imediatamente alguns deles.

Eram cópias de suas contas bancárias.

Escrituras de imóveis.

Documentos da empresa.

Apólices de seguro.

E no meio de tudo havia uma fotografia dele.

Uma foto tirada em um evento da família Montenegro.

Mas o que mais chamou sua atenção foi outra coisa.

Um envelope aberto cheio de dinheiro.

E a mão daquele homem segurando a mão de Clara.

Ela não afastou.

Por alguns segundos, Alexandre não conseguiu falar.

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A mulher que ele amava estava diante dele.

Com outro homem.

Com seu dinheiro.

Com seus documentos.

Com uma fotografia dele sobre a mesa.

Clara levantou os olhos e ficou completamente pálida.

"Alexandre..."

Ele entrou no escritório lentamente.

O olhar dele não estava mais no rosto dela.

Estava nos papéis.

Estava no dinheiro.

Estava naquela mão que ainda segurava a dela.

"Eu posso explicar."

Alexandre soltou uma risada curta, sem alegria.

Uma risada de alguém que acabou de perder algo que nunca imaginou perder.

"Claro que pode."

Clara levantou rapidamente.

"Por favor, me escuta."

Mas Alexandre deu um passo para trás.

"Eu cheguei em casa mais cedo para fazer uma surpresa para minha esposa."

Ele olhou para o homem.

"E encontrei isso."

O desconhecido levantou-se.

"Senhor Montenegro, existe uma explicação para tudo."

Alexandre encarou o homem.

"Quem é você?"

O homem permaneceu em silêncio por alguns segundos.

Então respondeu:

"Meu nome é Victor Henrique Carvalho."

Alexandre estreitou os olhos.

"E o que você faz na minha casa com a minha esposa e os meus documentos?"

Victor olhou para Clara.

Ela parecia querer falar, mas não conseguia.

Alexandre pegou uma das pastas sobre a mesa.

Abriu.

No primeiro documento havia informações sobre suas contas pessoais.

No segundo, uma autorização bancária.

No terceiro, uma transferência de grandes valores.

Ele parou.

Seu rosto mudou.

Porque havia algo impossível naquele documento.

Sua assinatura.

A assinatura dele.

Mas ele nunca tinha assinado aquilo.

Alexandre levantou o papel.

"Eu nunca autorizei essa movimentação."

Ninguém respondeu.

Ele olhou novamente.

"Essa é a minha assinatura."

Clara tentou se aproximar.

"Alexandre..."

Ele afastou a mão dela.

"Não."

A palavra saiu baixa.

Mas carregada de dor.

"Responde uma coisa."

Ele apontou para o documento.

"Você falsificou minha assinatura?"

Os olhos de Clara ficaram cheios de lágrimas.

"Não é isso."

"Então por que alguém tem acesso às minhas contas?"

Victor deu um passo à frente.

"Senhor Montenegro, o senhor está interpretando essa situação da maneira errada."

Alexandre virou para ele.

"Então explique."

Victor respirou fundo.

Mas antes que pudesse falar, Alexandre pegou o celular.

"Vou chamar a polícia."

No mesmo instante, Clara perdeu o controle.

Ela correu até ele e segurou seu braço.

"Não!"

Alexandre olhou para ela, completamente confuso.

"Por quê?"

Clara começou a chorar.

Não era um choro de culpa.

Era um choro de desespero.

"Porque se você fizer isso agora, nós vamos morrer."

O silêncio caiu sobre o escritório.

Alexandre ficou parado.

Aquelas palavras eram mais assustadoras do que todos os documentos sobre a mesa.

Ele abaixou lentamente o celular.

"O que você disse?"

Victor fechou a porta do escritório.

Então tirou uma identificação do bolso.

Alexandre olhou.

Seus olhos se arregalaram.

Polícia Federal.

"Eu sou delegado da Polícia Federal. Trabalho na divisão de crimes financeiros."

Alexandre olhou para Clara.

Victor continuou:

"Sua esposa está colaborando conosco há quatro meses."

Alexandre ficou sem reação.

"Colaborando em quê?"

Clara abriu uma nova pasta.

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As mãos dela tremiam.

"Em uma investigação contra Marcos Augusto Ferraz."

O nome fez Alexandre congelar.

Marcos.

Seu melhor amigo.

O homem que trabalhava ao lado dele há doze anos.

O diretor financeiro do grupo Montenegro Vasconcelos.

A pessoa que ele considerava quase um irmão.

"Isso é impossível."

Clara balançou a cabeça.

"Eu também queria acreditar nisso."

Victor colocou uma folha sobre a mesa.

"Encontramos transferências suspeitas saindo das contas da empresa."

Alexandre analisou o documento.

Depois viu outro.

Era uma apólice de seguro.

O valor fez seu rosto perder a cor.

Cinco milhões de reais.

Victor apontou para uma parte específica.

"O beneficiário é uma empresa ligada indiretamente a Marcos Ferraz."

Alexandre ficou em silêncio.

"Ele não poderia fazer isso sem a minha autorização."

Victor respondeu:

"Por isso ele precisava da sua assinatura."

Alexandre olhou para Clara.

Pela primeira vez naquela noite, ele percebeu que talvez aquela história fosse maior do que imaginava.

Mas ainda havia uma pergunta que não saía da sua cabeça.

Ele apontou para o envelope com dinheiro.

"E isso?"

Victor respondeu:

"Uma entrega controlada."

Alexandre franziu a testa.

"Controlada?"

Clara fechou os olhos.

"Marcos acredita que eu aceitei ajudá-lo."

Alexandre sentiu o chão desaparecer novamente.

"Você deixou ele pensar isso?"

Clara assentiu.

"Eu precisei."

"Por quê?"

Ela demorou alguns segundos para responder.

"Porque era a única forma de chegar até ele."

Antes que Alexandre pudesse dizer qualquer coisa, o telefone de Victor tocou.

O delegado olhou para a tela.

E seu rosto mudou.

"Ele chegou."

Clara caminhou rapidamente até a janela.

Quando olhou para a rua, ficou completamente imóvel.

Alexandre se aproximou.

Lá embaixo, um carro preto acabava de parar em frente à mansão.

Clara sussurrou:

"Marcos."

Victor ficou sério.

"Ele acha que hoje você vai entregar os documentos originais e as senhas das contas."

Alexandre olhou para a mulher que, minutos antes, acreditava ter traído sua confiança.

Agora ela parecia estar tentando salvar sua vida.

A campainha da mansão tocou.

Uma vez.

Duas vezes.

Clara segurou o braço de Alexandre.

"Por favor."

Ela olhou nos olhos dele.

"Não faça nada sem pensar."

O som da campainha ecoou novamente pelo corredor.

Victor fez um sinal discreto.

Dois agentes da Polícia Federal saíram de uma sala ao lado.

Alexandre sentiu o coração acelerar.

Clara respirou profundamente.

Então abriu a porta.

Marcos Augusto Ferraz entrou sorrindo.

"Está tudo pronto?"

O sorriso dele desapareceu no mesmo instante em que viu Alexandre parado na sala.

"Alexandre?"

O silêncio tomou conta da mansão.

Alexandre encarou o homem que durante anos chamou de amigo.

"Eu moro aqui."

Ele deu um passo à frente.

"E você?"

Antes que Marcos respondesse, os agentes apareceram.

"Marcos Augusto Ferraz, você está preso."

O rosto do empresário mudou.

Mas, ao invés de medo, ele começou a rir.

Uma risada fria.

Ele olhou para Clara.

Depois para Alexandre.

E disse:

"Vocês realmente acreditam que ela é a testemunha de vocês?"

Victor franziu a testa.

Marcos tirou o celular do bolso.

"Então perguntem para ela sobre a conta em Lisboa."

Clara ficou completamente branca.

Alexandre sentiu o coração parar.

"Que conta?"

Victor olhou lentamente para Clara.

E naquele instante, Alexandre percebeu que talvez ainda existisse uma parte daquela história que ninguém tinha contado.

Nem mesmo ela.

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