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《Ele Me Abandonou em Trabalho de Parto》Capítulo 8

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Parei.

"Helena não sabe de nada."

Meu corpo inteiro ficou imóvel.

Silêncio.

Eduardo continuou.

"Eu já disse que está resolvido."

Mais silêncio.

"Não, não vou mudar a data."

Meu coração acelerou.

Uma das mãos foi até a barriga.

Sofia estava quieta.

Eduardo respirou fundo.

"Você precisa parar de entrar em pânico."

Outra pausa.

"Porque eu sei exatamente o que estou fazendo."

A voz dele ficou ainda mais baixa.

Tive de chegar mais perto.

Fiquei parada do lado de fora do escritório.

A porta estava entreaberta.

Eduardo falava de costas.

"Não importa quando."

Silêncio.

Depois ele corrigiu.

"Na verdade, importa."

Minha mão apertou a barriga.

E então ouvi a frase.

Clara.

Fria.

Sem hesitação.

"Na noite em que ela entrar em trabalho de parto, termina tudo."

Eu parei de respirar.

Do outro lado da porta, Eduardo ficou em silêncio por alguns segundos.

Então completou:

"Depois disso, não vai ter mais volta."

PARTE 6

A Noite do Parto

A primeira contração começou às seis e quarenta e sete da noite.

Eu estava no quarto de Sofia, dobrando pela terceira vez as mesmas roupas que já estavam organizadas havia uma semana, quando senti minha barriga endurecer.

Parei.

Uma mão ficou apoiada na cômoda.

A outra foi para o ventre.

Respirei.

Esperei.

A dor passou.

Olhei para o relógio.

Ainda podia ser uma contração de treinamento.

Eu já tinha sentido algumas.

Voltei a dobrar um body.

Dezessete minutos depois, veio outra.

Mais forte.

Dessa vez precisei me sentar.

Sofia se mexeu.

"Está com pressa agora?"

Tentei sorrir.

Meu celular estava sobre a poltrona.

Peguei.

Havia uma mensagem de Eduardo enviada vinte minutos antes.

"Saindo da empresa. Quer alguma coisa?"

Fiquei olhando para a tela.

Durante semanas, eu tinha imaginado aquele momento.

O começo do trabalho de parto.

A frase que tinha ouvido escondida atrás da porta voltava sempre.

"Na noite em que ela entrar em trabalho de parto, termina tudo."

Eu nunca descobrira exatamente o que "tudo" significava.

Mas sabia que Paris estava perto.

As contas estavam se concentrando.

O acordo emergencial estava pronto.

E Eduardo estava esperando alguma coisa.

Talvez estivesse esperando aquilo.

Minha filha.

Minha vulnerabilidade.

A noite em que eu não teria energia para olhar extratos, contratos ou transferências.

Escrevi:

"Acho que começou."

Eduardo respondeu em menos de dez segundos.

"Estou indo para casa."

Fiquei surpresa.

Não porque ele respondera.

Porque parecia ansioso.

Liguei para Lívia.

Ela atendeu imediatamente.

"Helena?"

"Começou."

Silêncio.

"Tem certeza?"

"Não."

"Intervalo?"

"Dezessete minutos."

"Bolsa rompeu?"

"Não."

"Eduardo?"

"Está vindo."

A voz dela mudou.

"Não fica sozinha com ele."

"Lívia."

"Estou falando sério."

"Não posso agir diferente agora."

"Você está em trabalho de parto."

"E ele está esperando por isso."

"Então chama um carro e vai para o hospital."

"Se eu mudar tudo agora, ele percebe."

"Helena, isso não é reunião de conselho."

"Eu sei."

"É a sua filha."

Fechei os olhos.

"Justamente por isso."

Lívia ficou em silêncio.

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Depois falou:

"Vou avisar Gabriel."

"Não manda ele entrar em contato comigo."

"Por quê?"

"Porque Eduardo pode olhar meu telefone."

"Você não precisa provar mais nada colocando você e Sofia em risco."

"Eu não vou."

"Promete?"

Olhei para o quarto.

Para o berço.

Para a manta dobrada.

"Prometo."

Desliguei.

Eduardo chegou onze minutos depois.

Ouvi o carro.

Depois a porta.

"Helena?"

"Em cima."

Ele subiu quase correndo.

Quando entrou no quarto, estava sem paletó, gravata afrouxada e o cabelo desarrumado.

Parecia preocupado.

De verdade.

"Está doendo?"

"Um pouco."

"Quanto tempo?"

"Não sei."

"Você marcou?"

"Algumas."

Eduardo pegou meu celular.

"Cadê o aplicativo?"

"Eu sei marcar."

"Desculpa."

Ele devolveu.

Ajoelhou na minha frente.

"Vamos para o hospital."

"Talvez seja cedo."

"Não quero arriscar."

Olhei para ele.

Era quase perfeito.

A voz.

A preocupação.

A mão sobre meu joelho.

Se eu não soubesse de nada, teria me sentido protegida.

Talvez essa fosse a parte mais cruel.

"Minha bolsa está pronta."

"Eu pego."

Eduardo foi até o corredor.

Depois voltou.

Aproximou-se de mim e tocou minha barriga.

"Sofia."

A voz ficou suave.

"Papai vai levar você para conhecer o mundo."

Meu estômago se revirou.

Ele beijou minha barriga.

Depois me ajudou a levantar.

"Devagar."

"Estou bem."

"Segura em mim."

Segurei.

Enquanto descíamos a escada, pensei em quantas vezes aquela mesma mão tinha segurado Vanessa.

Pensei nos R$ 46,8 milhões.

Nas passagens.

Na ligação.

E continuei andando ao lado do meu marido.

Ele colocou a bolsa no carro.

Abriu a porta para mim.

"Confortável?"

"Sim."

"Cinto."

"Eduardo, eu sei."

"Hoje eu posso ser chato."

"Você já é."

Ele riu.

Por alguns minutos, quase parecíamos nós mesmos.

O trânsito estava pesado.

São Paulo brilhava do lado de fora com faróis, semáforos e vitrines.

Chovia fino.

Eduardo dirigia com uma mão no volante.

A outra tocava meu joelho de vez em quando.

"Está vindo outra?"

"Não."

"Tem certeza?"

"Quando vier, você vai saber."

"Estou nervoso."

"Você?"

"Claro."

"Por quê?"

Ele me olhou rapidamente.

"Vou ser pai."

A frase quase me fez perder o controle.

Não de raiva.

De tristeza.

Apesar de tudo, uma parte de mim ainda queria acreditar que existia alguma coisa verdadeira nele.

Talvez Eduardo amasse Sofia.

Talvez fosse capaz de separar a filha dos crimes.

Talvez não.

Eu já não sabia.

O celular dele tocou.

Eduardo olhou para a tela.

Virou imediatamente para baixo.

"Não vai atender?"

"Não."

"Pode ser importante."

"Hoje não."

O telefone tocou de novo.

Ele recusou.

Trinta segundos depois, outra chamada.

"Atende."

"Helena."

"Vai continuar tocando."

Eduardo respirou fundo.

Colocou o fone.

"Fala."

Silêncio.

O maxilar dele ficou tenso.

"Agora não."

Outra pausa.

"Eu disse agora não."

Olhei pela janela.

Ele baixou a voz.

"Está tudo conforme combinado."

Meu coração acelerou.

Eduardo olhou para mim.

Sorri de leve.

Ele virou para a estrada.

"Depois eu ligo."

Desligou.

"Problema?"

"Vanessa."

"Imaginei."

Ele me olhou.

"Por quê?"

"Ela liga bastante."

"Trabalho."

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"Eu sei."

Outra contração começou.

Fechei os olhos.

A dor veio mais forte.

Eduardo segurou minha mão.

"Respira."

Apertei os dedos dele.

"Está pior."

"Estamos chegando."

Quando a contração terminou, eu estava suando.

Eduardo beijou minha mão.

"Vai ficar tudo bem."

Eu queria perguntar se ele acreditava nisso.

Não perguntei.

Faltavam poucos minutos para o hospital quando ele diminuiu a velocidade.

"Droga."

"O quê?"

"Entrada principal travada."

Olhei à frente.

Havia carros.

Mas nada que parecesse completamente parado.

"Podemos esperar."

"Não."

Ele pegou o celular.

"Tem uma entrada lateral."

"Desde quando?"

"Funcionários usam."

"Eu nunca entrei por lá."

"É mais rápido."

Meu corpo ficou alerta.

A frase de Eduardo voltou.

"Na noite em que ela entrar em trabalho de parto, termina tudo."

"Prefiro a entrada principal."

Ele olhou para mim.

"Helena, você acabou de ter uma contração forte."

"Eu sei."

"Não vou deixar você presa no trânsito."

"São alguns minutos."

"Confia em mim."

Aquelas palavras.

Confia em mim.

Durante doze anos, eu tinha feito exatamente isso.

Eduardo virou numa rua lateral.

A iluminação diminuiu.

Passamos pelo hospital.

Depois por um edifício comercial parcialmente desativado.

"Eduardo."

"É aqui."

"Isso não é o hospital."

"Tem passagem interna."

Meu coração batia rápido.

Eu já sabia que aquilo estava errado.

Mas ainda precisava saber até onde ele iria.

Eduardo entrou no estacionamento.

Desceu um nível.

Depois outro.

Parou perto de uma área quase vazia.

"Fica aqui."

"Como assim?"

"Vou estacionar melhor e buscar uma cadeira."

"Eu vou com você."

"Não."

A resposta veio rápida demais.

Ele corrigiu o tom.

"Quero dizer, você mal está andando."

"Eduardo."

Ele saiu.

Deu a volta.

Abriu minha porta.

Ajudou-me a descer.

Colocou a bolsa ao meu lado.

"Tem uma porta logo ali."

Olhei.

"Eu não estou vendo."

"Depois da coluna."

"Vai comigo."

Ele tocou meu rosto.

"Eu volto em dois minutos."

Meu peito apertou.

"Promete?"

Eduardo me olhou.

Por um segundo, pensei que talvez ele desistisse.

Que talvez confessasse.

Que talvez me colocasse de volta no carro e nos levasse ao hospital.

Ele beijou minha testa.

"Prometo."

Entrou no carro.

E foi embora.

Fiquei parada.

Ouvi o motor desaparecer pela rampa.

Dois minutos.

Cinco.

Sete.

Liguei.

Nada.

Dez minutos.

Outra contração.

Liguei de novo.

Nada.

Na quarta tentativa, o telefone foi desligado.

Foi quando parei de mentir para mim mesma.

Ele tinha me abandonado.

Não era atraso.

Não era acidente.

Não era confusão.

Eduardo tinha levado a esposa em trabalho de parto até um estacionamento praticamente abandonado e ido embora.

O que eu não sabia era que Gabriel estava a menos de quatro quilômetros dali.

Ele vinha seguindo Eduardo havia quase uma hora.

Mais tarde, eu descobriria o resto.

Quando meu trabalho de parto começou, Lívia avisou Gabriel.

Ele já monitorava parte dos deslocamentos de Eduardo porque as últimas movimentações financeiras indicavam que o plano estava entrando na fase final.

Gabriel viu nosso carro mudar de rota.

Viu Eduardo entrar no estacionamento.

E viu sair sozinho.

Aquilo não estava previsto.

Ele me contou depois que, naquele instante, parou de tratar a situação apenas como investigação financeira.

Ligou para Lívia.

"Ele saiu sozinho."

"Helena?"

"Não está no carro."

"Meu Deus."

"Vou voltar."

"Não entra como investigador."

"Por quê?"

"Se Vanessa estiver envolvida e reconhecer você, eles mudam tudo."

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