localização atual: Novela Mágica Moderno Ele Me Abandonou em Trabalho de Parto Capítulo 6

《Ele Me Abandonou em Trabalho de Parto》Capítulo 6

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"Espero que não."

Gabriel cruzou os braços.

"Homem confortável com mentira fica preguiçoso."

"Isso é experiência profissional?"

"Pessoal também."

Foi a primeira vez que quase sorri de verdade.

Na semana seguinte, descobri uma coisa que eu não esperava.

Vanessa estava pressionando Eduardo.

Gabriel tinha conseguido registros de encontros frequentes no apartamento dela no Itaim Bibi.

Não áudio.

Só horários.

Mas um funcionário do prédio confirmou que Eduardo entrava quase sempre tarde.

Numa dessas noites, ficou menos de quarenta minutos.

Saiu irritado.

Vanessa desceu cinco minutos depois.

Chorando.

"Problema no paraíso?", Lívia perguntou.

Gabriel entregou uma foto.

Vanessa estava na portaria.

Sem maquiagem.

Braços cruzados.

"Ela quer alguma coisa que Eduardo não está dando."

Eu fiquei olhando a foto.

"Casamento."

Lívia levantou os olhos.

"Como você sabe?"

"Porque mulher nenhuma fica assim por uma viagem cancelada."

Gabriel não comentou.

Mas dias depois confirmou parte da hipótese.

Vanessa tinha pesquisado apartamentos maiores.

Consultado escola internacional.

Feito orçamento de mudança.

Até uma joalheria tinha sido visitada duas vezes.

"Ela acha que vai casar com ele", eu disse.

Lívia apoiou os braços na mesa.

"E ele prometeu?"

"Eduardo promete tudo quando precisa ganhar tempo."

Eu sabia.

Ele tinha feito isso com investidores.

Com fornecedores.

Comigo.

Gabriel mostrou outro documento.

"Ela também está ficando mais agressiva."

"Como assim?"

"Mais ligações para ele durante compromissos familiares."

"Isso não é crime."

"Não."

"Então por que está me mostrando?"

"Porque padrão emocional também muda decisão."

Olhei para a tela.

Vanessa tinha ligado para Eduardo oito vezes durante uma consulta minha.

Eu lembrava daquele dia.

Ele tinha saído da sala três vezes.

Disse que era urgente.

Uma aquisição.

"Ela tem ciúme da gravidez."

Lívia falou baixo.

"Talvez não da gravidez."

"Do quê?"

"Do que a criança representa."

Olhei para minha barriga.

Família.

Laço.

Tempo.

Mais uma razão para Eduardo adiar qualquer divórcio.

Naquela noite, ele chegou com um brinquedo.

Um coelho de pelúcia.

"Para Sofia."

Peguei.

"Bonito."

"Vanessa escolheu."

O silêncio caiu.

Eduardo percebeu tarde demais.

"Quer dizer, ela viu numa loja perto do escritório."

Olhei para o coelho.

"Entendi."

"Helena."

"Está tudo bem."

"Não é o que parece."

Quase ri.

Era exatamente o que parecia.

"Eu só disse que está tudo bem."

Ele me estudou.

"Você confia em mim?"

Meu coração ficou imóvel.

"Por que está perguntando?"

"Porque você está estranha."

"Grávida."

"Não usa isso para tudo."

"Então não pergunta coisas estranhas."

Eduardo ficou quieto.

Depois sorriu.

"Você sempre foi impossível."

"Você gostava."

"Eu ainda gosto."

Ele me beijou.

Na boca.

Eu deixei.

Quando ele saiu da sala, fui ao banheiro e lavei o rosto.

Não chorei.

Mas precisei olhar para mim mesma no espelho e lembrar por que estava fazendo aquilo.

No dia seguinte, procurei Marcelo.

Não no escritório.

Seria perigoso.

Gabriel descobriu que ele tomava café quase toda manhã numa padaria perto da Vila Olímpia antes de entrar na empresa.

Cheguei cedo.

Marcelo me viu e arregalou os olhos.

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"Helena?"

"Senta."

"Você está bem?"

"Estou."

"Eduardo sabe que você está aqui?"

"Por que ele precisaria saber?"

Ele ficou desconfortável.

"Não precisaria."

"Então senta."

Marcelo sentou.

Olhou para minha barriga.

"Sofia?"

"Falta pouco."

"Que bom."

"Marcelo."

Ele levantou os olhos.

"Eu preciso perguntar uma coisa."

"Claro."

"Você aprova pessoalmente pagamentos da Prime Health?"

O rosto dele mudou.

Foi rápido.

Mas eu vi.

"Por que?"

"Responde."

"Helena, eu não posso falar de operação interna fora da empresa."

"Eu sou acionista."

"Eu sei."

"Então responde."

Ele respirou fundo.

"Alguns."

"MedTrans?"

"Alguns."

"BioAxis?"

"Helena."

"Você sabe o que essas empresas fazem?"

"Prestam serviço."

"Qual?"

Marcelo ficou em silêncio.

"Você já viu algum relatório de entrega?"

"Não lembro."

"Algum comprovante operacional?"

"Não lembro."

"Algum caminhão?"

"Não é minha função."

"Você assinou."

Ele endureceu.

"Eu aprovo centenas de coisas."

"R$ 46,8 milhões?"

Marcelo perdeu a cor.

"De onde você tirou esse número?"

"Então você sabe que é relevante."

"Eu não disse isso."

"Marcelo."

Ele olhou ao redor.

"Você não devia estar mexendo nisso."

A frase confirmou mais do que qualquer resposta.

"Por quê?"

"Porque não."

"Isso não é explicação."

"Você está grávida."

"Não muda minha capacidade de ler."

"Helena."

"Você está com medo."

"Não."

"Está."

Ele passou a mão no rosto.

"Eu tenho família."

"Eu também."

"Você não entende."

"Então me explica."

Marcelo se inclinou.

"A VittaSul não é mais aquela empresa pequena."

"Eu sei."

"Tem gente demais envolvida."

"Quem?"

"Eu não disse isso."

"Quem está envolvido?"

Ele se levantou.

"Eu preciso ir."

Segurei uma pasta.

"Marcelo."

Ele parou.

"Eu posso ajudar."

"Não pode."

"Posso, se você falar."

"Eu não vou perder meu emprego."

"Eu não pedi para você perder."

"É isso que vai acontecer."

"Se continuar calado, pode ser pior."

Ele me olhou.

Havia medo real.

"Eu não vou testemunhar contra ninguém."

Então coloquei a nota fiscal sobre a mesa.

Marcelo olhou.

Prime Health.

R$ 1,2 milhão.

Aprovação financeira.

Assinatura eletrônica.

Marcelo Tavares.

Ele ficou parado.

"Isso é seu?"

Nenhuma resposta.

"Marcelo."

Ele pegou a folha.

Leu.

Virou.

Leu outra vez.

A mão começou a tremer.

"Eu não aprovei isso."

Meu estômago apertou.

"Tem certeza?"

"Absoluta."

"Seu token aparece aqui."

"Eu não usei meu token."

"Então alguém usou."

"Não."

"Marcelo."

"Não."

Ele empurrou a cadeira.

"Isso é impossível."

"Mas aconteceu."

"Eu nunca aprovaria esse valor sem documentação."

"Quem tinha acesso?"

"Ninguém."

"Alguém tinha."

Marcelo ficou pálido.

"Meu token fica comigo."

"Senha?"

"Só eu sei."

"Backup?"

Ele parou.

"Marcelo."

"Tem uma autorização de contingência."

"Quem pode usar?"

Ele demorou para responder.

Quando respondeu, quase sussurrou.

"Presidência."

Eduardo.

Nenhum de nós precisou dizer o nome.

Marcelo fechou os olhos.

"Meu Deus."

"Você precisa me ajudar."

"Eu não posso."

"Agora pode."

"Não entende."

"Eu entendo melhor do que você imagina."

Ele pegou a pasta.

"Eu preciso pensar."

"Marcelo."

"Não me liga."

"Isso não vai desaparecer."

Ele saiu.

Eu fiquei sozinha.

Naquela noite, contei tudo a Lívia e Gabriel.

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Gabriel ouviu sem interromper.

"Se a assinatura dele foi clonada, temos outro nível."

"Marcelo vai falar?"

"Talvez."

"Ele está apavorado."

"Isso ajuda."

"Como medo ajuda?"

"Porque inocente com medo procura saída."

Lívia olhou para mim.

"E culpado com medo?"

Gabriel respondeu.

"Apaga prova."

Dormimos pouco naquela semana.

Dois dias depois, Gabriel me ligou às sete da manhã.

"Preciso que você venha."

"Agora?"

"Agora."

"Eduardo está em casa."

"Espera ele sair."

"É grave?"

"Sim."

Quando cheguei ao escritório, havia um envelope sobre a mesa.

Gabriel não falou.

Só empurrou para mim.

Abri.

Duas passagens aéreas.

São Paulo.

Paris.

Primeira classe.

Eduardo Duarte.

Vanessa Albuquerque.

Olhei a data.

Meu corpo inteiro ficou frio.

A viagem estava marcada para a semana prevista para o nascimento de Sofia.

"Pode ser coincidência."

Nem eu acreditava.

Gabriel puxou outro documento.

"Não é."

Era uma reserva de transporte executivo para o Aeroporto de Guarulhos.

Horário noturno.

Duas malas registradas.

Vanessa já tinha confirmado presença.

Eduardo também.

"Ele vai embora."

Lívia não respondeu.

Gabriel olhou para mim.

Eu continuei encarando a data.

Até aquele momento, eu achava que Eduardo estava preparando uma fraude.

Talvez um divórcio.

Talvez uma nova vida com Vanessa.

Mas aquilo era diferente.

Ele não estava apenas planejando me deixar.

Estava escolhendo exatamente o momento em que eu estaria mais vulnerável para desaparecer.

Minha mão foi até a barriga.

Sofia se mexeu.

E, pela primeira vez, pensei numa possibilidade que até então tinha me recusado a considerar.

Eduardo não estava preparando uma separação.

Ele estava preparando uma fuga.

PARTE 5

O Plano de Paris

Depois que vi as passagens para Paris, parei de pensar em Eduardo como um homem que pretendia me deixar.

Ele estava planejando o momento exato da saída.

E isso era muito pior.

Voltei para casa naquela tarde levando dentro da bolsa uma cópia dos bilhetes, duas fotografias de Vanessa e um relatório que mostrava milhões de reais circulando entre empresas que nunca deveriam ter recebido um centavo da VittaSul.

Eduardo estava na cozinha quando entrei.

Ele segurava flores.

"Para você."

Parei perto da porta.

Eram rosas brancas.

Dessa vez, pelo menos, ele tinha acertado.

"Qual é a ocasião?"

"Precisa de ocasião?"

"Normalmente precisa."

Eduardo sorriu.

"Você está desconfiada de flor agora?"

"Estou grávida. Desconfio de tudo."

Ele riu.

Aproximou-se.

Beijou minha testa.

Por alguns segundos, senti o cheiro do perfume dele.

Só o dele.

Nenhum traço de Vanessa.

Talvez tivesse tomado banho antes de chegar.

Talvez tivesse aprendido a esconder melhor.

Talvez eu estivesse ficando boa demais em imaginar.

"Como você está?", perguntou.

"Cansada."

"Sentiu alguma coisa?"

"Pressão."

Ele colocou imediatamente a mão na minha barriga.

"Pressão como?"

"Normal."

"Tem certeza?"

"Tenho."

Eduardo se abaixou.

Encostou o ouvido perto de Sofia.

"Você fica quietinha aí dentro mais um pouco."

Quase ri.

Ele olhou para cima.

"O quê?"

"Nada."

"Você está rindo de mim?"

"Talvez."

Eduardo voltou a falar com a barriga.

"Papai vai estar aqui."

A frase entrou em mim como vidro.

Mantive o rosto sereno.

"Ela ouviu."

"Espero que sim."

"Você vai conseguir?"

"Conseguir o quê?"

"Estar aqui."

Eduardo levantou.

"Claro."

"Mesmo com todas essas reuniões?"

"Helena."

"Estou só perguntando."

Ele segurou meu rosto com as duas mãos.

"Eu vou estar com você quando Sofia nascer."

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