《Minha Sogra Queria a Fortuna do Filho Morto, Mas a Neta Que Ela Tentou Matar Herdou Tudo》Capítulo 6

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O conselho inteiro ficou em silêncio.

Victor abriu uma pasta com certidões, exames genéticos e fotografias antigas. A semelhança com Leonardo era tão perturbadora que Valentina precisou se lembrar de respirar.

— Minha mãe me entregou quando eu tinha três dias — disse ele. — Depois falsificou o horário do parto para transformar Leonardo no primogênito.

Beatriz manteve as mãos unidas.

— Eu salvei sua vida. Você precisava de cuidados que eu não podia oferecer.

Victor riu.

— A tia Lúcia era professora. Você era herdeira de um império. Não me abandonou por falta de dinheiro. Me abandonou porque eu nasci quatro minutos cedo demais.

Valentina colocou a fotografia da clínica sobre a mesa.

— Onde está Leonardo?

Victor olhou para ela com uma ternura que não combinava com o resto.

— Vivo.

Beatriz virou o rosto.

— Você o manteve preso?

— Eu o tirei do carro antes que queimasse. Álvaro queria terminar o serviço no hospital. Escondi Leonardo até descobrir quem mais estava envolvido.

— E deixou que eu enterrasse um caixão vazio.

— Se Beatriz soubesse que ele respirava, tentaria de novo.

— Ela tentou matar minha filha porque todos vocês brincaram de segredo.

Victor baixou os olhos.

— Nisso, você tem razão.

Ele ofereceu um acordo: revelaria onde Leonardo estava se Valentina votasse pela remoção definitiva de Beatriz e transferisse a presidência temporária para ele.

— Não negocio meu marido — respondeu.

— Sem mim, você não o encontra.

— Então eu encontro você.

Helena já havia preparado mandados. Investigadores entraram na sala, mas Victor não resistiu. Entregou o endereço de uma casa médica protegida em Campos do Jordão.

Leonardo estava acordado quando Valentina entrou no quarto.

Por alguns segundos, nenhum dos dois falou. Ele parecia menor na cama, o rosto marcado, a perna esquerda presa a uma estrutura ortopédica.

— Você morreu — ela disse.

Os olhos dele se encheram.

— Eu sei.

Valentina deu um tapa em seu rosto.

O som assustou a enfermeira. Leonardo apenas fechou os olhos.

— Isso foi por me deixar grávida, sozinha, num funeral vazio.

— Eu mereci.

Ela o abraçou com cuidado e chorou contra seu ombro.

— Sua mãe me empurrou.

O corpo dele endureceu.

— A Lívia?

— Está viva.

Leonardo pousou a mão sobre a barriga. A bebê se mexeu. Ele soltou um som entre riso e soluço.

— Oi, meu amor. Desculpa a demora.

Valentina queria permanecer naquele instante, mas havia perguntas.

Leonardo contou que descobrira o desvio e confrontara Beatriz. Álvaro sabotara o carro. Victor seguira Leonardo naquela noite e o resgatara antes do incêndio, usando o corpo de um homem não identificado para sustentar a falsa morte. Era crime. Victor dizia que fora a única forma de mantê-lo vivo.

— Quem é “V”? — perguntou Valentina.

Leonardo olhou para Vicente.

— Não é Victor.

— Então quem?

— Valéria Mendes. Irmã de Álvaro. Diretora financeira da empresa e amante do meu pai por vinte anos.

Valentina conhecia Valéria: uma mulher discreta que nunca levantava a voz nas reuniões.

— O que ela quer?

— A empresa. E vingança. Meu pai prometeu deixar tudo para o filho que teve com ela.

— Existe outro herdeiro?

Leonardo assentiu.

— Vicente.

Todos olharam para ele.

Vicente ficou pálido.

Ninguém falou por quase um minuto. O monitor cardíaco de Leonardo preenchia o quarto com bipes regulares, indiferente ao fato de mais uma família ter mudado de forma.

— Minha mãe se chamava Valéria Carvalho — disse Vicente.

— Mendes era o sobrenome do pai dela — explicou Leonardo. — Ela voltou a usá-lo depois que você foi para o colégio interno.

— Ela não morreu quando eu tinha sete anos?

— A mulher enterrada com o nome dela morreu. Não era sua mãe.

Vicente derrubou a cadeira ao virar.

— Para de falar em pedaços.

Leonardo respirou fundo. Valéria simulara a morte, mudara os documentos e voltara anos depois como diretora financeira. Vicente trabalhara no mesmo prédio que a própria mãe sem reconhecê-la.

Ele saiu. Valentina o encontrou tentando acender um cigarro com mãos inquietas.

— Você não fuma.

— Hoje eu quase comecei.

Ela pegou o cigarro e o quebrou.

— Péssimo dia para adquirir um vício.

— Passei a vida pensando que minha mãe tinha morrido me amando. Agora descubro que estava a três andares de distância, aprovando pagamentos enquanto eu verificava as portas.

Helena apareceu com uma imagem de um evento corporativo. Valéria observava Vicente receber uma homenagem. Enquanto todos aplaudiam, ela chorava discretamente.

— Isso muda alguma coisa? — perguntou Valentina.

Vicente devolveu o aparelho.

— Muda que ela sentia. Não muda o que fez.

Valentina guardou a frase. Sentimento explicava. Não absolvia.

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