《Minha Sogra Queria a Fortuna do Filho Morto, Mas a Neta Que Ela Tentou Matar Herdou Tudo》Capítulo 4

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O laboratório marcado por Álvaro enviou uma enfermeira à mansão. Valentina permitiu a coleta sob os olhos de duas câmeras: a equipe de Beatriz e um perito judicial que Vicente havia solicitado em segredo.

Dois tubos foram preenchidos. A enfermeira guardou um na caixa oficial. O perito lacrou o outro.

Três dias depois, Beatriz convocou uma entrevista coletiva no salão de um hotel.

— O resultado prova que a criança não é de Leonardo — anunciou Álvaro, erguendo um laudo.

Os repórteres explodiram em perguntas. Valentina entrou pela porta lateral usando um vestido azul-escuro e carregando a pasta vermelha.

Beatriz sorriu para as câmeras.

— Eu sinto muito que tenha chegado a esse ponto.

— Não sente, não — respondeu Valentina. — Mas vai sentir.

Álvaro tentou encerrar a coletiva. Dois policiais fecharam a saída.

A promotora Helena Siqueira apareceu atrás de Valentina.

— O laboratório entregou um resultado falso — disse. — O tubo apresentado pelo escritório Mendes contém material genético de uma mulher que não é Valentina.

O perito exibiu o segundo laudo.

— O exame judicial confirma a paternidade de Leonardo Augusto Vasconcelos com probabilidade superior a 99,99%.

Beatriz não piscou.

Valentina abriu o prontuário falso.

— O médico que supostamente diagnosticou a esterilidade morreu quatro anos antes da consulta.

Um murmúrio atravessou o salão.

— E tem mais — continuou. — Meu marido deixou cinquenta por cento dos votos da empresa sob minha administração e da filha dele. A criança que Beatriz chamou de impostora é a acionista que decide se ela continua presidente.

Pela primeira vez, Beatriz se levantou depressa.

— Você não pode usar uma criança para me expulsar da empresa que eu construí.

— Você tentou matar essa criança para continuar nela.

Helena fez um sinal. Um investigador colocou sobre a mesa imagens do corredor da mansão. O vídeo mostrava Beatriz segurando Valentina e empurrando-a.

— A senhora está formalmente investigada por tentativa de homicídio — disse a promotora.

Beatriz olhou para Álvaro. Ele deu um passo para trás.

Não houve prisão naquele momento. Os advogados conseguiram medidas cautelares, e a perícia ainda precisava confirmar a autenticidade integral das gravações. Mas o império social de Beatriz começou a ruir antes que ela deixasse o hotel.

Na garagem, ela alcançou Valentina.

— Você acha que ganhou porque fez meia dúzia de jornalistas gritarem?

— Não. Ganhei quando minha filha sobreviveu.

— Leonardo teria vergonha de você.

Valentina chegou tão perto que Beatriz precisou erguer o queixo.

— Leonardo deixou uma carta. Ele tinha vergonha de você.

A mão da mulher tremeu.

Naquela noite, alguém invadiu a casa de Teresa. Não levou joias nem dinheiro. Procurou o pendrive.

Vicente encontrou uma janela forçada e marcas de lama. O invasor fugira, mas deixara cair um botão de paletó com as iniciais A.M.

— Fácil demais — disse ele. — Álvaro não seria tão descuidado.

— Então querem que a gente culpe Álvaro.

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O telefone de Teresa tocou. Uma voz masculina disse apenas:

— Perguntem à Beatriz onde está o corpo de Leonardo.

A ligação caiu.

Valentina sentiu as pernas cederem.

— O corpo foi cremado.

Vicente a segurou pelo braço.

— Você viu?

Ela se lembrou do caixão fechado, da ordem de Beatriz para que ninguém se aproximasse, da cremação feita antes de sua chegada ao crematório.

— Não.

O celular vibrou com uma mensagem de número desconhecido. Havia uma fotografia de um homem internado, magro, barbado, ligado a aparelhos. Mesmo com o rosto parcialmente coberto, Valentina reconheceu a cicatriz acima da sobrancelha.

Era Leonardo.

Abaixo da imagem, uma frase:

"Seu marido está vivo. Se quiser encontrá-lo, afaste Vicente."

Naquela noite, Valentina não dormiu. Sentou-se no chão do quarto de Lívia e estudou a fotografia até os pixels perderem forma. A cicatriz podia ser maquiagem. A mão esquerda estava escondida. Leonardo tinha o dedo mínimo torto por causa de uma fratura; sem vê-lo, ela não podia ter certeza.

Ligou para Teresa.

— Como se confirma que uma fotografia é recente?

— Você não confirma sozinha. Manda para a polícia.

— Se houver alguém vazando informação, eles mudam Leonardo de lugar.

Teresa ficou em silêncio.

— O que a mensagem pediu?

— Que eu afastasse Vicente.

— Então não faça nada hoje. Gente apavorada confunde movimento com decisão.

De manhã, Valentina encontrou Vicente dormindo sentado do lado de fora do quarto, uma mão perto do celular. Ele passara a noite vigiando o corredor.

— Quantos segredos Leonardo dividia com você? — perguntou.

— Os que achava perigosos demais para dividir com a esposa grávida.

— Não repete essa justificativa como se fosse bonita.

— Não é. Ele errou. E eu ajudei.

A ausência de defesa desmontou parte da raiva dela. Valentina mostrou a mensagem inteira.

— Se eu obedecesse, você faria o quê?

— Ficaria longe o suficiente para parecer que obedeceu e perto o suficiente para impedir que levassem você.

— Isso não é respeitar minha decisão.

— Não. É escolher que você fique viva para me odiar depois.

Lívia chutou com força. Valentina segurou a barriga.

— Ela já não gosta de homem mandando na vida dela.

— Inteligente.

Foi a primeira vez que Valentina sorriu desde que recebera a fotografia.

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