《Minha Sogra Queria a Fortuna do Filho Morto, Mas a Neta Que Ela Tentou Matar Herdou Tudo》Capítulo 2

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Valentina assistiu ao vídeo quatro vezes.

Na quinta, pediu que Vicente fechasse o computador.

— Por que você não entregou isso antes?

Ele recebeu a pergunta sem se defender.

— Porque eu só encontrei o arquivo ontem.

— A câmera era sua responsabilidade.

— A câmera principal foi apagada na noite do acidente. Esta era uma reserva instalada pelo próprio Leonardo. Ninguém da equipe tinha acesso.

— E você conseguiu como?

Vicente tirou do bolso uma chave pequena, presa a uma medalha de São Bento.

— Ele me entregou três dias antes de morrer. Disse: "Se acontecer alguma coisa comigo, proteja a Valentina. E espere ela voltar à casa."

— Ele sabia?

— Desconfiava.

Valentina virou o rosto. Durante seis meses, tinha chorado um acidente. Agora precisava chorar uma escolha: Leonardo talvez soubesse que estava em perigo e a deixara sem respostas.

— Por que esperar eu voltar?

— Porque a chave abre o cofre do escritório. O cofre exige sua digital para liberar o conteúdo.

Antes que ela respondesse, a porta abriu. Beatriz entrou acompanhada de Álvaro Mendes e de uma mulher com crachá de assistente social.

— Que bom que está acordada — disse Beatriz.

Valentina olhou para o advogado.

— Veio terminar o serviço?

Álvaro manteve a pasta contra o peito.

— Essa acusação é grave.

— Grave foi mexer no freio do Leonardo.

Por uma fração de segundo, ele perdeu a cor. Beatriz não.

— Está vendo? — falou à assistente social. — Paranoia, delírios persecutórios, instabilidade emocional. Exatamente como descrevemos.

A mulher olhou desconfortável para Valentina.

— Recebemos uma denúncia de que a senhora tentou provocar a própria queda.

Vicente deu um passo à frente.

— Eu vi dona Beatriz empurrar.

Álvaro abriu a pasta.

— O senhor Carvalho foi demitido esta noite. Não tem autorização para estar aqui representando a família.

— Ainda bem que não represento mais essa família.

Beatriz colocou alguns papéis na mesa.

— Valentina, assine uma internação voluntária. Você recebe tratamento, a criança nasce em segurança e todos evitamos um escândalo.

— E depois você fica com minha filha.

— Eu fico com minha neta até você melhorar.

Valentina quase sorriu.

— Agora ela é sua neta?

O silêncio de Beatriz respondeu.

Vicente levantou o celular.

— A conversa está sendo gravada.

Álvaro avançou, mas a assistente social ergueu a mão.

— Não vou participar disso. Senhora Valentina, a senhora quer fazer uma denúncia formal?

— Quero.

Beatriz se aproximou da cama.

— Pense bem. Uma denúncia destrói o nome que sua filha carregaria.

— Foi você quem destruiu esse nome.

— Sem os Vasconcelos, você não é ninguém.

Valentina pousou a mão na barriga.

— Então vai ser humilhante quando ninguém derrubar você.

Beatriz saiu sem se despedir. Álvaro a seguiu.

Na manhã seguinte, a polícia recolheu o primeiro vídeo. A gravação da garagem, porém, permaneceu com Vicente. A imagem mostrava Álvaro perto da roda, mas não provava o que fizera. Se Beatriz soubesse que eles tinham o arquivo completo, destruiria qualquer evidência restante.

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Valentina recebeu alta dois dias depois. Não voltou ao pequeno apartamento que alugara. Vicente a levou para a casa da irmã, Teresa, médica aposentada que morava em uma rua tranquila do Alto da Lapa.

Naquela noite, ele colocou sobre a mesa a chave com a medalha.

— Se entrarmos na mansão, Beatriz chama a polícia.

— A casa também era do meu marido.

— Era.

— Você falou no passado.

Vicente abriu uma cópia do registro do imóvel.

O nome da proprietária não era Beatriz Helena Vasconcelos.

Era Valentina Duarte Vasconcelos.

— Leonardo transferiu a mansão para você quatro dias antes de morrer — disse ele. — Álvaro nunca registrou a notificação no arquivo interno da família.

Valentina releu o documento.

— Ela me expulsou de uma casa que já era minha.

— E amanhã vamos voltar.

Às nove da manhã, Valentina atravessou a porta principal ao lado de uma oficial de justiça. Beatriz apareceu no alto da escada, usando o mesmo vestido preto do dia anterior.

— O que significa isso?

A oficial estendeu o mandado.

— A senhora tem duas horas para deixar o imóvel.

Beatriz olhou para Valentina.

— Você não teria coragem.

Valentina segurou o corrimão onde quase morrera.

— Você me ensinou a ter.

A oficial repetiu que Beatriz podia separar remédios, documentos e roupas para três dias. O restante seria inventariado. Beatriz não respondeu. Caminhou até o retrato de Leonardo no aparador e tentou retirá-lo.

— Isso fica — disse Valentina.

— É meu filho.

— Era meu marido. E essa fotografia estava no nosso apartamento antes de você mandar buscá-la.

Por alguns segundos, as duas seguraram a moldura. Beatriz soltou primeiro.

— Você pensa que o conhecia porque dividia uma cama com ele.

— Não. Eu o conhecia porque ele me contava quando tinha medo.

— Leonardo não tinha medo.

— Tinha de se transformar em você.

A frase atingiu onde Valentina pretendia. Beatriz olhou para os funcionários, para a oficial e para Vicente. Ninguém correu para defendê-la.

Uma hora depois, desceu com uma única mala. Antes de atravessar a porta, falou sem mover quase os lábios:

— Uma casa pode mudar de nome no papel. Isso não faz de você uma Vasconcelos.

Valentina sentiu Lívia se mexer.

— Ainda bem.

Quando o carro desapareceu, o silêncio da mansão mudou. Não ficou leve. Ficou atento, como um animal que não sabia se o perigo realmente tinha ido embora.

Na antiga suíte, Valentina encontrou no bolso de uma camisa de Leonardo um recibo de estacionamento datado do dia anterior à morte. O endereço era de um cartório em Osasco.

Lá, descobriram uma ata notarial lacrada. Leonardo gravara uma declaração. O documento só poderia ser entregue a Valentina após o nascimento de Lívia ou mediante prova de risco à gestação. A tentativa de Beatriz preenchia a condição.

Na tela, Leonardo apareceu cansado.

— Se minha mãe disser que essa criança não é minha, está mentindo. Se disser que Valentina é instável, está preparando o caminho para tomar nossa filha. E, se eu morrer antes de conhecer Lívia, investiguem Álvaro Mendes.

No fim, olhou para fora da câmera e sorriu.

— Val, você provavelmente está com raiva porque escondi isso. Pode ficar. Só não deixa ninguém convencer você de que precisa ser educada enquanto luta pela nossa filha.

Ela soltou uma risada molhada de lágrimas.

— Idiota.

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