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《Chamaram Meu Filho de Burro》Parte 6

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Depois da falha no sistema do Centro de Pesquisa Valença, a competição foi interrompida por alguns minutos.

Os estudantes foram retirados das salas.

Os pesquisadores corriam pelos corredores tentando entender o que tinha acontecido.

Mas Daniel permanecia sentado.

Ele segurava o lápis com força.

Pela primeira vez desde que começou aquela jornada, ele não estava pensando na prova.

Estava pensando em uma coisa que sua mãe sempre dizia.

"Algumas pessoas têm medo daquilo que não conseguem controlar."

Naquele momento, Daniel começou a entender o significado daquelas palavras.

Augusto Valença Montenegro entrou rapidamente na sala onde os participantes estavam esperando.

Seu rosto estava sério.

Muito diferente do homem calmo que Daniel conheceu na escola.

"Daniel, você está bem?"

O menino confirmou com a cabeça.

"Estou."

Augusto olhou para ele por alguns segundos.

"Você percebeu alguma coisa diferente durante a prova?"

Daniel pensou.

"Não. Mas antes do sistema cair, algumas respostas começaram a aparecer na minha tela."

Os pesquisadores ficaram atentos.

Augusto se aproximou.

"Que tipo de respostas?"

Daniel explicou.

"Não eram respostas da prova. Eram sequências de números. Como se alguém estivesse tentando enviar alguma informação."

A expressão de Augusto mudou.

Porque aquilo confirmava uma suspeita.

Alguém não queria apenas interromper a competição.

Alguém queria acessar o pensamento de Daniel.

Enquanto os técnicos analisavam os computadores, Augusto foi para uma sala reservada.

Lá dentro estavam alguns dos principais membros do Instituto Valença.

Pessoas que ele conhecia há muitos anos.

Pessoas em quem confiava.

Mas naquele momento, todos eram suspeitos.

"Alguém com acesso interno fez isso."

O silêncio tomou conta da sala.

Um dos diretores tentou se defender.

"Isso é uma acusação muito séria."

Augusto olhou para ele.

"Mais sério é alguém dentro da minha própria instituição tentar prejudicar uma criança."

Ninguém respondeu.

Porque todos sabiam que aquilo era verdade.

Depois de algumas horas de investigação, uma informação apareceu.

O acesso utilizado para invadir o sistema vinha de uma conta autorizada.

Uma conta de alto nível.

Pertencia ao setor administrativo do Instituto Valença.

Augusto ficou olhando para o relatório.

Até que viu um nome.

Ricardo Almeida Vasconcelos.

Ele ficou em silêncio.

Ricardo era um dos principais consultores do instituto.

Também era o pai de Lucas.

Durante anos, ele havia sido considerado um dos maiores apoiadores da educação de jovens talentos.

Mas agora existia uma pergunta.

Por que alguém como ele tentaria impedir Daniel?

Enquanto isso, Lucas estava em casa.

Ele percebeu que seus pais estavam diferentes.

Desde o dia da competição, seu pai recebia ligações constantes.

Falava baixo.

Saía da sala quando Lucas se aproximava.

Aquilo despertou uma desconfiança que ele não conseguia ignorar.

Naquela noite, Lucas ouviu uma conversa atrás da porta do escritório.

A voz do pai estava séria.

"Ele não pode continuar."

Lucas ficou parado.

Quem era ele?

Do outro lado, alguém respondeu.

"Se Daniel completar os testes, tudo pode vir à tona."

O coração de Lucas acelerou.

Ele abriu a porta rapidamente.

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O pai ficou assustado.

"Lucas?"

O menino olhou para ele.

"Do que vocês estão falando?"

Ricardo tentou esconder a preocupação.

"Você não deveria estar ouvindo conversas de adultos."

Mas Lucas não saiu.

Pela primeira vez, ele não parecia apenas um filho obediente.

Ele parecia alguém decepcionado.

"É sobre Daniel?"

O silêncio respondeu antes das palavras.

Lucas sentiu algo quebrar dentro dele.

Durante anos, ele acreditou que seu pai defendia a educação.

Que ajudava estudantes talentosos.

Que queria criar oportunidades.

Mas agora parecia que tudo tinha uma condição.

Desde pequeno, Lucas viveu com uma pressão enorme.

Ele precisava ser perfeito.

Sempre o melhor.

Sempre o exemplo.

E naquele momento percebeu algo assustador.

Talvez seu pai não quisesse que ele fosse excelente.

Talvez ele só quisesse que ninguém fosse melhor.

No dia seguinte, Lucas foi até o Centro de Pesquisa Valença.

Ele encontrou Daniel sentado sozinho em um banco.

O menino observava algumas árvores no jardim.

Lucas se aproximou.

Durante alguns segundos, nenhum dos dois falou.

Eles eram completamente diferentes.

Um sempre esteve no topo.

O outro sempre foi colocado no último lugar.

Mas naquele momento estavam no mesmo lado.

"Daniel."

Ele olhou.

"Oi."

Lucas respirou fundo.

"Eu preciso contar uma coisa."

Daniel percebeu a tensão.

"O que aconteceu?"

Lucas sentou ao lado dele.

"Eu descobri quem está tentando impedir você."

Daniel ficou em silêncio.

Ele já imaginava que alguém estava por trás daquilo.

Mas ouvir aquilo de Lucas era diferente.

"Quem?"

Lucas abaixou a cabeça.

Porque dizer aquele nome significava aceitar uma verdade difícil.

"Meu pai."

Daniel ficou surpreso.

"Seu pai?"

Lucas confirmou.

"Ele está envolvido com pessoas dentro do Instituto."

O menino ficou alguns segundos sem falar.

Depois perguntou:

"Por quê?"

Lucas olhou para o chão.

"Porque você representa algo que ele não consegue controlar."

Daniel não entendeu.

Lucas continuou:

"Meu pai passou anos dizendo que o sistema de educação precisava mudar. Mas agora eu percebi que ele só queria controlar quem tinha chance de mudar."

Daniel ficou pensativo.

Então perguntou:

"Por que você está me contando isso?"

Lucas demorou para responder.

Porque aquela era a primeira vez que ele fazia algo contra a vontade do pai.

"Porque eu sei como é sentir que todo mundo espera que você seja uma coisa que você não é."

Daniel olhou para ele.

Pela primeira vez, viu Lucas não como um rival.

Mas como alguém preso em uma história parecida.

Naquele momento, Augusto apareceu no jardim.

Ele percebeu que os dois meninos estavam conversando.

Mas antes que pudesse se aproximar, Lucas levantou.

Ele precisava dizer aquilo.

Precisava libertar o segredo que carregava.

Olhou diretamente para Daniel.

E falou:

"Eu sei quem tentou destruir sua vida."

Daniel ficou imóvel.

Porque aquela frase significava que a ameaça não estava mais escondida.

Ela tinha um rosto.

Um nome.

E estava ligada à pessoa que todos menos esperavam.

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