《A Mulher Que Apareceu No Túmulo Do Meu Filho Com Um Bebê》Parte 6

PUBLICIDADE

A reunião da família Vasconcelos se transformou em um julgamento.

Clara permanecia de pé no meio do grande salão da mansão no Jardim Europa.

Lucas dormia em seus braços.

Ela sentia todos os olhares sobre ela.

Olhares de dúvida.

Olhares de desconfiança.

Como se, de repente, tudo que ela viveu com Daniel não tivesse importância.

Artur abriu a pasta sobre a mesa.

O som dos documentos sendo colocados diante de todos pareceu ainda mais alto naquele silêncio.

"Antes de minha mãe tomar qualquer decisão, todos precisam conhecer a verdade."

Margarida franziu a testa.

"Artur, pense bem no que está fazendo."

Ele respirou fundo.

"Eu pensei."

Então colocou o primeiro documento na mesa.

"Esse é o histórico financeiro de Clara Martins Oliveira."

Clara olhou para os papéis.

Ela não entendia.

"Por que você está mostrando minha vida financeira?"

Artur respondeu sem emoção.

"Porque precisamos entender quem realmente entrou nessa família."

Margarida ficou séria.

"Ela é a mãe do meu neto."

Artur continuou.

"E justamente por isso precisamos ter certeza."

Vitória permaneceu sentada ao lado dele.

Calada.

Mas satisfeita.

Ela sabia exatamente como aquela cena terminaria.

Artur começou a apresentar as acusações.

Falou sobre as dificuldades financeiras de Clara.

Sobre o aluguel atrasado.

Sobre pequenas dívidas acumuladas durante os anos em que ela criou Lucas sozinha.

Cada informação era apresentada como se fosse uma prova de má intenção.

Mas para Clara, aquilo era uma humilhação.

Ela segurou o filho com mais força.

"Eu passei dificuldades porque criei meu filho sozinha."

Sua voz tremia.

"Isso não significa que eu queria alguma coisa de vocês."

Artur olhou para ela.

"Mas você apareceu exatamente quando a família descobriu que existia um herdeiro."

Clara sentiu a acusação como uma ferida.

"Você está dizendo que eu planejei tudo?"

Ninguém respondeu.

E aquele silêncio machucou ainda mais.

Então Artur colocou outro documento sobre a mesa.

Dessa vez, um relatório.

"Também existem dúvidas sobre o processo que confirmou o DNA."

Margarida levantou imediatamente.

"Chega."

Mas Artur continuou.

"Eu não estou dizendo que é falso."

Ele fez uma pausa.

"Estou dizendo que existem possibilidades que precisam ser investigadas."

Clara ficou sem acreditar.

Depois de tudo.

Depois das cartas.

Depois da verdade sobre Daniel.

Ainda estavam tentando transformar ela em uma mentira.

Vitória finalmente falou.

Sua voz era calma.

Quase triste.

"Eu não queria que chegássemos a esse ponto."

Clara olhou para ela.

Aquela frase confirmou tudo.

Vitória estava fazendo exatamente o que Daniel tinha temido.

Destruindo a verdade.

"Você sabia das cartas."

A sala ficou em silêncio.

Vitória fingiu surpresa.

"Clara, você ainda está presa nessa história?"

Margarida olhou para Vitória.

"Ela está dizendo a verdade?"

Vitória desviou o olhar por um segundo.

Foi rápido.

Mas Margarida percebeu.

"Vitória."

A mulher respirou fundo.

"Daniel estava doente."

Todos ficaram em silêncio.

"Ele estava confuso."

Clara sentiu raiva.

"Não fale dele como se ele não soubesse o que fazia."

Vitória respondeu:

"Eu só estou tentando proteger essa família."

PUBLICIDADE

Margarida fechou os olhos.

Porque aquela frase já tinha sido usada muitas vezes.

Sempre por pessoas que queriam controlar tudo.

Artur aproveitou o momento.

"Mãe, nós precisamos pensar no futuro."

Ele apontou para Lucas.

"Esse menino pode realmente ser seu neto."

Clara ficou chocada.

"Pode?"

Artur corrigiu:

"Eu disse que precisamos ter certeza."

Margarida olhou para o bebê.

Seu coração estava dividido.

Aquele pequeno menino tinha o rosto de Daniel.

Tinha os olhos dele.

Tinha o sangue dele.

Mas ao mesmo tempo, ela estava cercada por pessoas dizendo que poderia perder tudo novamente.

Ela já tinha perdido Daniel.

Não suportaria perder mais alguém.

Clara percebeu a dor no rosto dela.

E naquele momento entendeu.

Margarida não estava contra ela.

Ela estava com medo.

O medo estava vencendo.

Margarida se aproximou lentamente.

Seus olhos estavam cheios de lágrimas.

"Clara..."

A jovem segurou Lucas.

"Eu sei."

Margarida chorou.

"Eu quero acreditar em você."

Clara esperou.

Mas a próxima frase destruiu seu coração.

"Mas eu preciso que você saia da mansão por enquanto."

O silêncio foi absoluto.

Clara ficou imóvel.

Como se não tivesse entendido.

"Você quer que eu vá embora?"

Margarida chorava.

"Eu preciso proteger todos."

Clara olhou ao redor.

Aquela casa onde ela achou que encontraria respostas.

Aquela família que deveria ser a ligação de Lucas com Daniel.

Agora parecia expulsá-la.

"Eu não vim aqui pelo dinheiro."

Sua voz ficou mais firme.

"Eu nunca pedi nada."

Margarida segurou sua mão.

"Eu sei."

"Então por que eu preciso ir?"

Margarida não conseguiu responder.

Porque a resposta era dolorosa demais.

Ela estava escolhendo a segurança antes da confiança.

Clara olhou para Vitória.

E viu o sorriso quase imperceptível no rosto dela.

Naquele instante, teve certeza.

Aquela era a vitória que Vitória queria.

Clara subiu até o quarto.

Não para lutar.

Não para implorar.

Mas para pegar o pouco que tinha.

Algumas roupas.

As coisas de Lucas.

A manta do bebê.

A caixa de cedro com as cartas de Daniel.

Ela colocou tudo dentro de uma pequena mala.

Quando passou pelo corredor pela última vez, olhou para a porta do quarto de Daniel.

Seu coração apertou.

"Eu tentei."

Ela sussurrou.

"Eu tentei trazer a verdade para nossa família."

Mas ninguém respondeu.

Na entrada da mansão, a chuva começou a cair.

Margarida estava parada perto da porta.

Ela queria correr.

Queria impedir.

Queria dizer que acreditava nela.

Mas permaneceu imóvel.

Clara segurou Lucas contra o peito.

A criança dormia sem saber que sua mãe estava sendo afastada da casa que deveria ser dele.

Margarida deu um passo à frente.

"Clara..."

A jovem parou.

Por alguns segundos, as duas apenas se olharam.

Havia tristeza nos dois lados.

Mas também havia uma ferida aberta.

"Cuide dele."

Disse Margarida.

Clara sentiu uma lágrima cair.

"Eu sempre cuidei."

Então virou as costas.

Abriu o portão.

E saiu.

A chuva molhava seus cabelos.

Suas roupas.

Sua pequena mala.

Ela caminhava pelas ruas do Jardim Europa sem saber para onde ir.

Não tinha dinheiro suficiente.

Não tinha parentes próximos.

Não tinha uma casa esperando por ela.

Tinha apenas Lucas nos braços.

E as cartas de um homem que nunca deixou de amá-la.

Dentro da mansão, Margarida observava pela janela.

Cada passo de Clara parecia quebrar algo dentro dela.

Mas atrás dela, Vitória observava a mesma cena com uma expressão completamente diferente.

Ela não sentia tristeza.

Sentia vitória.

Quando viu Clara desaparecer na chuva, aproximou-se lentamente da janela.

E sorriu.

"Finalmente acabou."

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia