《A Mulher Que Apareceu No Túmulo Do Meu Filho Com Um Bebê》Parte 3

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A notícia de que Lucas Daniel Vasconcelos era oficialmente filho de Daniel Augusto Vasconcelos mudou completamente o clima dentro da família.

Para Margarida, aquele resultado representava um milagre.

Para Clara, era a confirmação de que ela nunca tinha sido uma mentira.

Mas para algumas pessoas dentro da mansão Vasconcelos, aquele bebê era uma ameaça.

Dois dias depois do resultado do DNA, Margarida tomou uma decisão que surpreendeu todos.

Ela pediu que Clara e Lucas fossem morar na mansão do Jardim Europa.

Não porque queria controlar a vida dela.

Mas porque acreditava que seu neto deveria conhecer a casa do pai.

Quando o carro atravessou os portões de ferro da propriedade, Clara ficou em silêncio.

A mansão era ainda maior do que ela imaginava.

Jardins perfeitamente cuidados.

Uma fonte de mármore no centro da entrada.

Funcionários caminhando em silêncio.

Tudo parecia pertencer a um mundo distante da vida simples que ela conhecia.

Clara olhou para Lucas dormindo em seus braços.

Por um momento, sentiu medo.

Ela sabia que o sobrenome Vasconcelos abria portas.

Mas também sabia que aquele mesmo sobrenome poderia transformar sua vida em uma batalha.

Margarida percebeu sua expressão.

"Clara, eu sei que esse lugar parece estranho para você."

Clara respirou fundo.

"Eu só não quero que meu filho cresça achando que precisa provar que merece estar aqui."

Margarida segurou sua mão.

"Lucas não precisa provar nada."

Ela olhou para o bebê.

"Ele pertence a esta família."

Mas antes que Clara pudesse responder, as grandes portas da mansão se abriram.

E ela percebeu que nem todos estavam esperando sua chegada com o mesmo sentimento.

No salão principal estavam Artur Vasconcelos Almeida e Vitória Montenegro Ferraz.

Artur era o irmão mais velho de Daniel.

Um homem conhecido por sua postura fria e calculista.

Desde jovem, ele acreditava que seria o responsável por continuar o legado da família.

A chegada de Lucas mudava todos os planos.

Ao lado dele estava Vitória.

A antiga noiva de Daniel.

Uma mulher elegante.

Sempre impecável.

Com um sorriso que parecia gentil.

Mas que não alcançava seus olhos.

Vitória observou Clara dos pés à cabeça.

Depois olhou para Lucas.

E sorriu.

"Então esse é o menino que apareceu de repente."

Margarida percebeu o tom.

"Esse menino tem nome."

Vitória manteve o sorriso.

"Claro. Lucas."

Ela se aproximou lentamente.

"Ele é realmente parecido com Daniel."

Clara apertou o bebê contra o peito.

Havia algo naquela mulher que fazia seu instinto ficar alerta.

Vitória percebeu.

E imediatamente mudou sua expressão.

"Não me interprete mal, Clara."

Sua voz ficou doce.

"Eu também amava Daniel."

Clara respondeu com calma.

"Eu sei."

Vitória inclinou a cabeça.

"Então sabe que todos nós sofremos com a perda dele."

Margarida interrompeu.

"Chega."

O ambiente ficou em silêncio.

"Clara e Lucas estão aqui porque eu pedi."

Artur cruzou os braços.

"Mãe, ninguém está dizendo que eles não podem ficar."

Ele fez uma pausa.

"Mas precisamos ser realistas."

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Clara olhou para ele.

"Realistas sobre o quê?"

Artur encarou a jovem.

"Sobre uma mulher que aparece três anos depois da morte do meu irmão trazendo um bebê e dizendo que ele é filho dele."

O rosto de Clara mudou.

Ela esperava dúvidas.

Mas ouvir aquelas palavras dentro daquela casa doeu.

"Eu não apareci por causa do dinheiro."

Artur respondeu rapidamente.

"Todas as pessoas dizem isso quando estão sendo questionadas."

Margarida ficou irritada.

"Artur."

Mas ele continuou.

"Eu só estou tentando proteger a família."

Clara deu um passo à frente.

"Eu também estou tentando proteger meu filho."

O silêncio tomou conta do salão.

Porque naquele momento todos perceberam uma coisa.

Clara não era uma mulher fraca.

Ela podia estar em uma casa que não conhecia.

Cercada por pessoas poderosas.

Mas não abaixaria a cabeça.

Vitória observava tudo em silêncio.

E aquele era exatamente o tipo de reação que ela esperava.

Ela sabia que quanto mais Clara permanecesse naquela casa, mais oportunidades teria de destruí-la.

Nos dias seguintes, Clara começou a perceber que morar na mansão não significava ser aceita.

Ela era tratada com educação.

Mas nunca com carinho.

Alguns funcionários cochichavam quando ela passava.

Alguns familiares evitavam conversar com ela.

E Vitória sempre aparecia no momento certo para fazer perguntas aparentemente inocentes.

Durante o café da manhã, por exemplo, ela sentou ao lado de Clara.

"Você deve ter passado por momentos difíceis antes de conhecer Daniel."

Clara percebeu o tom da pergunta.

"Sim."

Vitória mexeu lentamente o café.

"Deve ter sido complicado criar um bebê sozinha."

"Foi."

"E imagino que financeiramente também não tenha sido fácil."

Clara levantou os olhos.

"Não foi."

Vitória sorriu.

"Eu admiro mulheres fortes."

Clara ficou em silêncio.

Porque aquela frase parecia um elogio.

Mas carregava uma crítica escondida.

Vitória continuou.

"Embora algumas pessoas façam escolhas interessantes quando aparece uma oportunidade."

Margarida, que estava entrando no salão naquele momento, ouviu.

"Vitória."

A mulher sorriu.

"Eu só estou conversando."

Margarida respondeu:

"Não. Você está tentando machucar."

Vitória abaixou os olhos.

Mas por dentro, estava satisfeita.

Ela queria que Clara se sentisse uma intrusa.

Queria que ela começasse a duvidar do próprio lugar naquela casa.

Enquanto isso, Artur iniciou uma investigação secreta.

Ele contratou um profissional para descobrir tudo sobre Clara.

Onde morava.

Com quem conversava.

Como pagava suas contas.

Qualquer detalhe poderia ser usado contra ela.

Para Artur, não importava se Lucas era realmente filho de Daniel.

A presença daquele menino mudava a herança.

E isso era suficiente para colocar todos contra a parede.

Uma noite, Clara estava no antigo quarto de Daniel.

Margarida havia permitido que ela entrasse ali.

O quarto permanecia exatamente como antes.

Os livros.

As fotografias.

Os objetos pessoais.

Tudo parecia esperar pelo retorno de alguém que nunca voltaria.

Clara segurou uma fotografia de Daniel.

Lucas dormia no berço ao lado.

Ela passou os dedos pelo rosto dele na imagem.

"Você nunca me contou tudo."

Sua voz tremia.

"Por que você teve que partir sozinho?"

Margarida apareceu na porta.

Ela observou a cena.

Pela primeira vez, enxergou Clara não como uma desconhecida.

Mas como uma mulher que também perdeu o homem que amava.

"Daniel teria amado conhecer Lucas."

Clara virou o rosto.

"Eu só queria que ele tivesse tido essa chance."

As duas ficaram em silêncio.

Mas aquele momento de aproximação seria interrompido.

Porque no andar de baixo, Vitória estava preparando seu próximo movimento.

Ela sabia que precisava agir antes que Margarida criasse um vínculo forte demais com Clara.

Na manhã seguinte, durante uma reunião familiar, Vitória apareceu com uma pasta nas mãos.

Artur estava sentado no escritório.

Margarida entrou logo depois.

Clara chegou carregando Lucas.

Vitória colocou a pasta sobre a mesa.

Seu rosto estava sério.

Diferente da mulher gentil que fingia ser todos os dias.

"Eu tentei não acreditar."

Margarida franziu a testa.

"Acreditar em quê?"

Vitória olhou diretamente para Clara.

"Que ela simplesmente apareceu por acaso."

Clara sentiu o coração acelerar.

"Do que você está falando?"

Vitória abriu a pasta lentamente.

Dentro havia documentos.

Relatórios.

Anotações.

Informações sobre a vida de Clara.

Artur pegou alguns papéis.

Margarida ficou imediatamente preocupada.

"Vitória, o que você fez?"

Vitória respirou fundo.

Então colocou o documento principal sobre a mesa.

E disse:

"Eu posso provar que ela não apareceu nessa família por coincidência."

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